A simplificação e a reestruturação dos serviços na Divisão da Acção Social são algumas das medidas anunciadas pelo vereador Magalhães Moreira que, em entrevista exclusiva ao NT/TrofaTv, falou da situação financeira da autarquia e das expectativas para o novo mandato.

A situação financeira da Câmara Municipal da Trofa encontrada pelo novo executivo é pior do que o esperado e, só depois de aferir os resultados da auditoria, é possível encontrar soluções para equilibrar as contas. Quem o afirma é José Magalhães Moreira, vice-presidente da autarquia que, adiantou ao NT/TrofaTv que “neste momento a Câmara encontra-se numa situação má” e que “não tem capacidade de endividamento”, o que inviabiliza o pagamento às empresas.

No sentido de tomar conhecimento da “totalidade das situações”, a autarquia “já se encontra a realizar consultas para arrancar com uma auditoria às contas”. Magalhães Moreira sublinhou que o novo executivo não quer enveredar por “um sistema de caça às bruxas”, mas esclareceu que esta análise minuciosa da situação financeira é indispensável para a autarquia poder “honrar todos os compromissos que tem e poder fazer aquilo que está plasmado no programa em dez pontos de honra e numa carta de intenções”.

Se o estado das contas é um dos grandes obstáculos a ultrapassar numa primeira fase da actividade do novo executivo municipal eleito, para Magalhães Moreira a Acção Social é “um dos maiores desafios” dentro dos pelouros que lhe foram atribuídos. O vereador, que assume a responsabilidade de várias pastas, não põe em causa o trabalho já desenvolvido nesta área e recorda que o concelho é já “uma Câmara-modelo a seguir pelo país neste campo”.

Reestruturar e simplificar os serviços para “com menos recursos fazer o mesmo ou mais” é a principal medida a colocar em prática na área da Acção Social. “Aqui praticam-se políticas de terceira geração que não têm contrapartidas a nível de receitas e para sermos eficazes temos que aproveitar as parcerias com as instituições privadas de Solidariedade Social que felizmente são muitas na Trofa e com um excelente dinamismo”, sustentou o vereador.

Fomentar o voluntariado e criar “um chapéu capaz de coordenar todas as instituições são, segundo Magalhães Moreira, importantes medidas para satisfazer as necessidades onde elas existem, através da “transferência dos recursos onde estão em excesso para onde são mais necessários”. Não menos importante é avançar com o projecto do Banco de Recursos, que ainda não está a funcionar, de acordo com o vereador. “Vamos tentar conseguir pôr isso de pé com a colaboração de todas as entidades que assinaram o protocolo”, assegurou.

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Daqui a 11 anos o nosso concelho vai ser melhor que os outros”

Membro do Secretariado do Partido Socialista da Trofa em 1998, Magalhães Moreira recorda com entusiasmo o dia em que a Trofa proclamou a sua independência. “É curioso o facto do movimento da Trofa a concelho ter arrancado do secretariado do PS da Trofa, não fazia parte da Comissão, mas acompanhei sempre o movimento e fui a Lisboa buscar o concelho. Ainda hoje tenho a bandeira que empunhei quando fomos à Assembleia da República”, lembrou.

O vice-presidente da autarquia não tem dúvidas de que a emancipação face a Santo Tirso foi determinante para a Trofa e prova disso são as várias infra-estruturas conquistadas. “Veja-se as obras do saneamento e da água, veja-se as pavimentações e o parque escolar e compare-se com o que se vê em áreas de Santo Tirso que estavam mais ou menos como nós na altura em que partimos para o concelho”, apontou.

A Santa Casa da Misericórdia da Trofa e a Cruz Vermelha são algumas das instituições que, para Magalhães Moreira, provavelmente hoje não existiriam sem a criação do concelho. No entanto, o autarca reconheceu que o município ainda acarreta “os problemas que tinha quando foi criado” e que só agora estão a ser concretizadas as infra-estruturas que possibilitam colocar a Trofa ao nível dos outros concelhos. “Tivemos em determinada altura um desenvolvimento tremendo, fruto de possuirmos em termos comparativos melhores vias de comunicação do que os outros, como a estrada Porto-Braga e a estrada Vila do Conde-Santo Tirso, as linhas ferroviárias do Minho e de Guimarães, o que permitiu que a Trofa tivesse, em relação aos concelhos limítrofes, um desenvolvimento muito maior, mas com o passar do tempo os outros foram tendo variantes, foram criando parques industriais e a Trofa ficou parada, continuamos sem variantes”, enumerou.

Para além de assumir funções de vice-presidente da autarquia, José Magalhães Moreira possui sob a sua alçada as áreas de Desenvolvimento Económico e Social (coadjuva a Presidente da Câmara), Taxas e Licenças (Divisão Administrativa e de Pessoal), Finanças e Património, Jurídico/Contencioso, Acção Social e Saúde, Defesa do Consumidor, Modernização Administrativa, Informática e Promoção da Qualidade dos serviços municipais.