Durante quase três dias, dois irmãos da Trofa atravessaram o Algarve de uma ponta à outra, através do percurso da Algarviana Ultra Trail, uma das provas mais exigentes de Portugal.

João Pedro e Nuno Silva são irmãos e propuseram-se ao grande desafio de participar na Algarviana Ultra Trail (ALUT), uma prova de 300 quilómetros que atravessa todo o Algarve, de oriente a ocidente, começando junto ao Rio Guadiana, em Alcoutim, até ao Cabo de S. Vicente, em Sagres, passando pelos concelhos de Castro Marim, Tavira, S. Brás de Alportel, Loulé, Silves, Monchique, Lagos e Vila do Bispo.

O percurso é feito, essencialmente, em zonas florestais, com passagens pelas serras do Caldeirão, Espinhaço de Cão e Monchique, assim como por aldeias e montes ricos em cultura e tradições da região, contendo dez bases de vida, uma espécie de albergue para descanso e alimentação dos atletas.

A prova foi aberta a cem atletas e os trofenses conseguiram fazer parte do grupo que concluiu a prova, precisando de sensivelmente 69 horas e 17 minutos para chegar à meta, classificando-se no 23.º e 24.º lugares.

“Foi espetacular e muito diferente de tudo o que fizemos até agora. Foi uma experiência muito enriquecedora, porque, por um lado, temos o facto de ser uma prova que nos permite cruzar o Algarve (e Portugal) de este a oeste e, por outro, aprendemos muito sobre nós mesmos, sobre as nossas capacidades e sobre os nossos limites”, referiu em declarações ao NT João Pedro Silva.

Para se perceber a complexidade da prova, o atleta contou que o percurso que partilhou com o irmão incluiu paragens muito breves. Nos primeiros cem quilómetros, que incluíram a primeira noite, João Pedro e Nuno pararam por pouco tempo para se alimentarem e mudar de roupa. A partir dos 160 quilómetros, a tarefa complica-se, porque, com o cair da segunda noite, “o cansaço começa a sentir-se em força com tudo a que se tem direito incluindo alucinações e dormir a correr”. Nessa altura, os atletas aproveitaram para dormir durante “30 minutos” numa das bases e “uma hora” noutra. Na terceira noite, dormiram apenas “30 minutos”.

“Estas paragens correspondem aos abastecimentos que variavam entre si entre 27 e 38 quilometros e onde tínhamos sempre pessoal voluntário incrível, que nos ajudou a tornar a experiência ainda mais enriquecedora”, relatou. Este ano, o vencedor, o britânico Paul Giblin, conseguiu cumprir os 300 quilómetros em 38 horas e seis minutos, estabelecendo um recorde na prova, com menos quatro horas que a marca anterior. O ALUT é organizado pela Algarve Trail Running e pela RTA – Região de Turismo do Algarve, com o apoio da ANA – Aeroportos de Portugal e da Associação Almargem.