Edição 775
Paróquia de Guidões reergue Capela de Santa Bárbara
A população de Guidões pediu, o desejo foi concedido.
A população de Guidões pediu, o desejo foi concedido. Na Rua 1.º de Maio, junto ao cruzamento onde antes havia um campo a bravio, hoje está em acabamento a réplica da Capela de Santa Bárbara, que existiu na paróquia há cerca de dois séculos.
Não há informações concretas sobre o ano em que foi construída a capela em honra de Santa Bárbara, em Guidões, mas o padre José Ramos faz contas pelo que se conhece. O primeiro cruzeiro situado na Rua Souto de Santa Bárbara, conhecido por Senhor do Padrão, diz o pároco, “foi edificado em frente à capela e data de 1623”, por isso, a ermida “seria de começos de 1600, possivelmente, de finais de 1500”. Era “contemporânea” da Capela de S. Roque, em Alvarelhos, pelo que José Ramos deduz que “o pároco que mandou construir uma, mandou construir a outra, com diferença de poucos anos”.
Em meados de 1800, o templo, que “deveria estar em elevado estado de degradação”, foi demolido e reza a história que, no dia em caiu, Guidões viveu um fenómeno que ainda perdura na memória coletiva da comunidade. “O povo conta que, ao fim da tarde desse dia, houve uma trovoada muito forte, algo nunca visto em Guidões. As pessoas gritavam que tinha sido castigo por terem deitado abaixo a capela. Desde então, a população nunca esqueceu a Capela de Santa Bárbara e desde que eu assumi a paróquia de Guidões, a 27 de janeiro de 2008, estava sempre a abordar-me para a colocar, outra vez, de pé”, relatou o sacerdote.
José Ramos tomou para si esse objetivo e está a pouco menos de dois meses de cumpri-lo, com a contribuição do empresário local Jaime Dias, a quem o sacerdote apelida de “um dos grandes beneméritos da paróquia de Guidões”. “O senhor Jaime Dias está a construir a capela no seu terreno, e mal ela seja inaugurada, vai doá-la à paróquia. Desde os alicerces até agora, foi construída pelos trabalhadores dele”.
Além disso, contou o pároco, Jaime Dias dispôs-se a “demolir um pedaço da casa” junto à Rua José Lopes da Silva, para que a via seja alargada e reabilitá-la “com aspeto rústico”, para “ficar a condizer” com a capela e com as casas circundantes.
Inauguração na véspera do dia de Santa Bárbara
A inauguração da capela vai acontecer no dia de Santa Bárbara, a 3 de dezembro, às 17h00, com procissão da Igreja para a Capela, onde será feita a bênção. Aí, a população poderá atestar o trabalho feito para que a capela fosse “o mais fiel possível” à primitiva.
“Existem duas peças, um altar barroco de uma beleza extraordinária e um retábulo das almas, pintura a óleo sobre madeira, que era da capela de certeza, porque tem a Santa Bárbara em cima, que vão regressar. A capela leva duas portas exteriores, uma de abrir para os lados, de duas folhas, e depois outra, torneada, para as pessoas conseguirem ver o interior. Esta foi feita tal e qual a antiga, que ainda existe, já muito velha, numa casa particular”, explicou José Ramos.
Há outro pormenor que salta à vista: a galilé. “Aqui ao redor não há nenhuma capela ou igreja que tenha isto que o povo chama de telheiro”.
A imagem de Santa Bárbara será levada para a nova capela no dia da inauguração, em princípio, em procissão, para que encha o altar na primeira missa ali celebrada, na manhã de 4 de dezembro, dia de Santa Bárbara.


