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Portugal não precisa de propaganda, mas de um Governo que governe

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Estimad@s leitores, a confiança dos cidadãos nas instituições constrói-se todos os dias. Conquista-se com competência, transparência e sentido de responsabilidade. Perde-se quando os problemas se acumulam, as respostas tardam e a perceção é a de que o Governo está mais preocupado em controlar a narrativa do que em resolver os desafios que afetam a vida dos portugueses.

Infelizmente, é essa a imagem que o atual Governo tem vindo a transmitir.

A saúde continua mergulhada em dificuldades estruturais. Persistem urgências encerradas, tempos de espera incomportáveis e uma escassez de profissionais que compromete o acesso dos cidadãos aos cuidados de saúde. Os portugueses continuam a sentir que o SNS não recebeu as soluções prometidas em 60 dias.

Na educação, o episódio dos exames nacionais tornou-se um símbolo da falta de preparação do Governo. Aquilo que deveria ser um momento de serenidade e igualdade de oportunidades para milhares de estudantes transformou-se num processo marcado por críticas, dúvidas, falhas de organização e uma enorme ansiedade para alunos, professores e famílias. Os exames nacionais representam um dos momentos mais importantes do percurso escolar, e exigem um Estado capaz de garantir rigor, previsibilidade e confiança. Quando o próprio sistema gera incerteza, quem paga o preço são os estudantes.

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Também a área da Administração Interna tem sido marcada por uma sucessão de notícias e polémicas que exigem um esclarecimento completo. Num Estado de direito, não basta agir dentro da legalidade; é igualmente indispensável cumprir elevados padrões de ética e evitar qualquer situação suscetível de gerar conflitos de interesses. As notícias que envolvem o Ministro da Administração Interna levantaram precisamente essas questões.

Independentemente das conclusões das entidades competentes, é legítimo que os portugueses exijam total transparência relativamente às decisões tomadas e aos eventuais conflitos de interesses. Um Ministro deve ser o primeiro garante da confiança nas instituições. Sempre que surgem dúvidas sobre relações com entidades que anteriormente prestaram serviços a organismos públicos sob a sua liderança, o dever político é esclarecer de forma rápida, completa e convincente. A confiança pública exige mais do que explicações parciais: exige um comportamento irrepreensível.

Mas talvez o maior falhanço do Governo seja aquele que todos os portugueses sentem no final do mês. O custo de vida continua elevado, os preços dos bens essenciais permanecem altos, o acesso à habitação tornou-se um desafio para milhares de famílias, e muitas empresas continuam confrontadas com custos que limitam o crescimento económico.

Perante esta realidade, esperava-se um Governo mais determinado. Em vez disso, os portugueses assistem a uma resposta insuficiente.

Estimad@s leitores, é precisamente aqui que o papel da oposição assume particular importância. O Partido Socialista tem procurado colocar na agenda política propostas dirigidas ao reforço do rendimento das famílias, à valorização dos salários e das pensões, ao combate à especulação no mercado da habitação, ao reforço do SNS, bem como medidas destinadas a aliviar os encargos das famílias com bens essenciais e serviços. Independentemente do debate político, estas propostas demonstram que existem alternativas e que o combate ao aumento do custo de vida não pode deixar de ser uma prioridade nacional.

A democracia precisa de uma oposição exigente, responsável e capaz de escrutinar quem governa. Não para criar instabilidade, mas para garantir que os interesses dos portugueses não ficam esquecidos entre conferências de imprensa e anúncios otimistas. Portugal enfrenta desafios demasiado sérios para aceitar uma governação baseada na gestão da imagem. Os cidadãos esperam competência, rigor e responsabilidade. Esperam um Governo que resolva problemas em vez de os justificar, e uma oposição que fiscalize, proponha e apresente soluções.

É tempo de recolocar o interesse do país acima da propaganda política. Portugal merece um Governo que governe e uma oposição forte, responsável e preparada para construir uma alternativa credível. É nesse equilíbrio democrático que reside a força das instituições e a esperança de um futuro melhor para todos.

Artigo de opinião de Amadeu Dias

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