A notícia foi avançada na edição de segunda feira do Jornal de Notícias e da conta de que “o calvário do padre José Ramos, que está na Trofa há quase duas décadas, começou após ter dado rosto e voz ao protesto popular que se ergueu contra a instalação de um aterro sanitário em Covelas, uma das freguesias de que é pároco.”

Segundo o JN “desde então, tornou- se alvo de várias denúncias, remetidas ao bispo do Porto e em que é acusado de ser alcoólico. D. Manuel Linda recebeu ainda um abaixo-assinado – de origem desconhecida – a exigir a sua transferência, como contou o próprio pároco ao JN.

Depois da polémica declaração, em finais de maio, na manifestação que contou com elementos do Executivo municipal e de deputados da Assembleia da República, em que apelou aos autarcas para que “não queiram fazer de Covelas a cagadeira da Trofa”, José Ramos foi confrontado com informações, de outros padres, que referiam o facto de o bispo estar a receber diversas cartas difamatórias.
A situação, que o sacerdote denunciou em junho ao JN, assumiu contornos que motivaram uma reação do Movimento Contra o Aterro em Covelas, que fez uma vigília de apoio ao padre.


“NÃO TENHO MEDO”

Foi durante essa iniciativa que José Ramos apontou publicamente o dedo àqueles que acredita serem os remetentes das denúncias feitas a Manuel Linda: “Aos ‘laranjas’, que enviaram cartas a rodos para o bispo do Porto a acusar-me de alcoólico, quero dizer o seguinte: ‘eu não tenho medo’”.

Há pouco tempo, porém, José Ramos ficou a saber que, a par das cartas – “um
padre disse-me que foram ao redor de 400” –, também chegou a D. Manuel Linda uma petição. “O senhor bispo disse-me uma coisa que eu não sabia: além das cartas, recebeu um abaixo-assinado.

Tudo fizeram para me tirar de Covelas”, lastimou o pároco, referindo não ter indicações superiores nesse sentido.
“O padre foi apoiado, porque estava a lutar pelo bem da freguesia, e não acreditamos que fosse recolhida uma única assinatura dos populares com o fim de expulsá-lo daqui”, referiu Do- mingos Faria, do Movimento Contra o Aterro em Covelas, contactado pelo JN.

Fonte Jornal de Notícias