Crónicas e opinião
Carta Aberta aos Trofenses do Futuro!
Escrevo-vos a partir de 2026, num tempo em que o vosso presente ainda é promessa. Aqui, vivo entre a urgência do agora e a responsabilidade do amanhã. Cada decisão que tomo, cada obra, cada gesto de cidadania, é uma mensagem enviada para vós!
Trofenses do Futuro, o que mais desejo é que vivam num concelho guiado por uma política para as pessoas, aberta no diálogo, convicta nas decisões, isenta nos processos e profundamente enraizada na ética que deve orientar o serviço público!
Vivo num concelho que aprendeu a crescer depressa, às vezes depressa demais. A ferrovia renasce, as estradas reorganizam-se, a cidade expande-se e o território procura o seu equilíbrio. Mas, no meio desta transformação, tento manter uma certeza: o Futuro não é um destino inevitável – é construção consciente. E nessa construção, há um elemento que nunca deixo de olhar: o Rio Ave!
O Ave foi, durante décadas, testemunha silenciosa da nossa história industrial, das nossas lutas ambientais, das nossas memórias de infância e das nossas esperanças de regeneração. Desejo que, no vosso tempo, o rio seja finalmente aquilo que sempre mereceu ser: um eixo limpo, com vida, um corredor verde, um espaço de encontro e símbolo de renascimento. Hoje defendo a urgência da sua despoluição e recuperação das margens, com integração do rio na vida urbana, é porque acredito que o vosso Futuro deve nascer junto a água limpa!
Desejo que a Trofa que encontrem seja uma cidade que se move com inteligência, onde a mobilidade deixou de ser obstáculo e passou a ser solução. Que tenham ruas pensadas para pessoas, interfaces modernos, ciclovias seguras e transportes que vos devolvem tempo – o bem mais precioso que existe!
Espero também que vivam numa Trofa mais verde e mais saudável, onde as ribeiras foram recuperadas, os parques se ligam entre si e o ambiente deixou de ser promessa para ser prática diária. Que o Rio Ave seja o coração ecológico do concelho, e não apenas uma fronteira geográfica!
Desejo que a Trofa que habitam seja uma comunidade que cuida, onde ninguém fica para trás, onde o envelhecimento é digno, onde as famílias encontram apoio e onde a diversidade é força. Se assim for, é porque as instituições – escolas, associações, IPSS – souberam trabalhar juntas com sentido de missão!
E, acima de tudo, espero que a Trofa do vosso tempo tenha identidade. Que não seja apenas mais um ponto no mapa metropolitano, mas um território com alma, memória industrial preservada, cultura viva e orgulho no que é seu. Que o vosso Rio Ave seja tão simbólico como o meu, mas mais limpo, mais vivo, mais vosso!
Trofenses do futuro, não sei como será exatamente o vosso Mundo. Talvez mais digital, talvez mais rápido, talvez mais exigente. Mas sei isto: tudo o que fazemos hoje é uma promessa silenciosa de que tentámos deixar-vos um concelho melhor do que aquele que recebemos!
No fim de tudo, trofenses do Futuro, o que mais desejo é simples e profundo: que vivam num concelho que vos orgulhe, que vos proteja e que vos faça acreditar que o amanhã pode ser sempre melhor do que o hoje.
Que encontrem no Rio Ave um espelho de vida, na comunidade um abraço e no território uma casa.
Que o Futuro seja leve, justo e luminoso, e que a Trofa que vos deixámos seja o ponto de partida para uma vida plena, feliz e cheia de possibilidades. O que verdadeiramente importa é isto: que tenham um bom Futuro e que nele vivam bem!
Com esperança no vosso tempo, um trofense do passado que acreditou no Futuro!!
Artigo de opinião de Luís Filipe Moreira


