Os Santeiros de São Mamede do Coronado podem vir a ser uma das 7 Maravilhas da Cultura Popular.

No próximo dia 30 de agosto, a arte sacra feita na Trofa ruma a Torres Novas para representar o distrito do Porto na meia-final do concurso. Desde 18 de agosto, já pode contribuir com o seu voto, através do 760 207 810.

Depois de terem sido apurados os últimos pré-finalistas das eliminatórias regionais através de votação popular, em direto num Programa Especial de Repescagem a partir de Porto de Mós, transmitido pela RTP, iniciaram-se agora as Meias-Finais.

Os Santeiros de São Mamede do Coronado estarão a representar o distrito do Porto na próxima etapa, a segunda meia-final, que terá lugar dia 30 de agosto em Torres Novas. A partir de 18 de agosto, já pode deixar o seu voto para levar os Santeiros mais longe, através do 760 207 810.

A Gala da Declaração Oficial realiza-se a 5 de setembro de 2020, em Bragança, e será transmitida pela RTP em horário nobre. Dos 14 finalistas apurados nas Meias-Finais vão ser eleitos 7 patrimónios pelos portugueses como as 7 Maravilhas da Cultura Popular.

Sobre os santeiros do Cononado

Os Santeiros de São Mamede do Coronado, Trofa, são hoje um marco importante da valorização do património cultural, material e imaterial, associado à produção de “imaginária religiosa” em Portugal. Desde o séc. XIX que existem no Vale do Coronado, famílias de artífices que produzem imagens religiosas em madeira. No entanto, foi em 1920, a partir desta freguesia, que a produção de imaginária religiosa iniciou um novo ciclo em Portugal. Nesse ano, o mestre José Ferreira Thedim (1891-1971), descendente de uma família com tradição na arte, executou a imagem da Capelinha das Aparições, no Santuário de Fátima.

Esta obra, hoje uma das mais famosas do mundo, teve grande aceitação entre os crentes e gerou um novo tema iconográfico que, mesmo antes da aprovação das aparições pelas autoridades eclesiásticas em 1930, já estava difundido por todo o país.
Concedido o culto da imagem nas igrejas, deu-se um aumento de encomendas à oficina Thedim. Já na segunda metade da década de 1940, este mestre realizou duas novas imagens da iconografia mariana de Fátima, a Virgem Peregrina e o Imaculado Coração de Maria, ambas sustentadas nas elucidações da irmã Lúcia, com quem privou para o efeito.

Tal como os Thedim, na localidade existiam outras famílias antigas de imaginários que, oportunamente se adaptaram ao novo mercado dos devotos da Cova da Iria. Os seus espaços oficinais eram também oficinas-escola, onde o saber-fazer se transmitia entre as diversas gerações de aprendizes. A partir daqui, até à década de 1970, proliferaram várias pequenas e médias oficinas com fins bastante diferentes, realizando um repertório vasto de imaginária em diversos materiais. Além de José Ferreira Thedim, algumas também cresceram e atingiram dimensão considerável. São os casos das oficinas de Avelino Vinhas (1912-2005), Crispim Monteiro (1914-1977) e Francisco da Silva Ferreira (1910-1995).

Outros artífices mantiveram-se numa escala mais reduzida, contudo não deixaram de elaborar peças com um nível de execução elevado. Inclusive, alguns especializaram-se em tipologias de trabalhos, como são exemplo as imagens de Cristo Crucificado e de São Sebastião, em que se pormenorizavam os detalhes do corpo humano. Houve também os que trabalharam matérias-primas específicas, como o marfim e o mármore, diferenciando-se daqueles que talhavam a madeira, o material mais comum.

Nessa época, São Mamede do Coronado assumiu-se como o principal centro de produção da imaginária em Portugal. Depois dos anos setenta, as encomendas abrandaram e muitas oficinas encerraram. Na atualidade, estes profissionais trabalham isoladamente, na sua maioria, em casa.

Empenhada na preservação deste saber-fazer, a Câmara Municipal da Trofa publicou em 2017, o livro “A produção de Arte Sacra do Vale do Coronado” e adquiriu as coleções da oficina Stúdio Nossa Senhora de Fátima e do autor da Imagem de Nossa Senhora de Fátima, José Ferreira Thedim. Este trabalho tem sido fundamental para a preservação desta memória coletiva, já inscrita no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.