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Desabafos de uma Mãe Imperfeita | No fim do ano letivo estamos todos cansados

Sandra Pinheiro

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No fim do ano letivo estamos todos cansados Junho chegou e, com ele, chegam os últimos testes, as avaliações finais, os exames, as revisões de matéria e aquela sensação constante de que ainda há mais qualquer coisa para estudar.

Nesta altura do ano, parece que as casas mudam de ambiente sem ninguém dar verdadeiramente por isso.

As conversas começam a girar em torno de datas, notas, fichas, médias e matérias em atraso. Há livros espalhados pela mesa, calendários rabiscados, mochilas abertas até tarde e uma tensão silenciosa que se instala devagarinho no meio da rotina.

E, no fundo, estamos todos cansados.

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Os filhos estão cansados. Os professores estão cansados. Os pais estão cansados. E há muitas mães a chegar ao fim do dia já sem espaço mental para mais uma tarefa… mas, ainda assim, a tentarem acompanhar tudo.

Porque ser mãe, nesta fase, também é isto: viver numa tentativa constante de equilibrar tarefas que nunca param de aumentar.

É trabalhar o dia inteiro e ainda perguntar se estudaram. É fazer o jantar enquanto se pensa no teste de amanhã. É tentar ajudar quando já não há energia, nem paciência. É sentir culpa por não acompanhar mais… e culpa também quando sentimos que estamos a pressionar demais.

E talvez o mais difícil seja perceber que, muitas vezes, essa pressão nasce precisamente do amor.

Nasce porque queremos ajudá-los. Porque sabemos que são capazes. Porque queremos abrir-lhes caminhos mais leves. Porque temos medo que falhem. Porque acreditamos que “é só mais um esforço”. Só mais este teste. Só mais esta semana. Só mais esta reta final.

Mas, sem percebermos, às vezes transformamos as casas em extensões da escola. E os nossos filhos, que já chegam emocionalmente cansados ao fim do ano, passam a sentir que estão constantemente a ser avaliados — mesmo dentro de casa.

“Já estudaste?”

“Quantos exercícios faltam?”

“Tens mesmo de te aplicar.”

“Sabes que consegues melhor.”

Frases aparentemente simples. Frases ditas por amor. Mas que, repetidas todos os dias, podem tornar-se um peso difícil de carregar.

Porque há uma exaustão que não aparece nos testes nem nas pautas.

Há crianças e adolescentes a tentarem corresponder às expectativas da escola, dos pais, deles próprios e de um mundo que parece exigir resultados constantes.

E há mães que, no meio disto tudo, também se sentem perdidas.

Mães que querem apoiar sem sufocar. Que querem motivar sem pressionar. Que querem preparar os filhos para o futuro sem lhes roubar a leveza do presente.

E nem sempre sabemos como fazer isso.

Às vezes perdemos a paciência. Às vezes insistimos demais. Às vezes transformamos o medo em exigência porque também nós fomos ensinados a acreditar que boas notas significam sucesso, segurança ou um futuro mais tranquilo.

Porque também nós crescemos a ouvir certas ideias como verdades absolutas.

“Estuda para seres alguém.”

“Tens de ser o melhor.”

“Só consegues chegar longe se te destacares.”

“Quem quer mesmo, consegue.”

Frases que muitos de nós ouvimos ao crescer e que fomos carregando connosco sem questionar verdadeiramente o peso que tinham. E, sem percebermos, acabamos por transmitir aos nossos filhos a mesma ideia de que precisam de estar sempre à altura. Sempre preparados. Sempre capazes. Sempre brilhantes.

Como se errar fosse falhar. Como se descansar fosse perder tempo. Como se o valor deles dependesse constantemente daquilo que conseguem alcançar.

Depois junta-se a pressão dos pares. As comparações. As notas partilhadas. A sensação de que todos os outros parecem mais organizados, mais focados, mais preparados.

E os nossos filhos crescem no meio desta exigência constante de performance, numa sociedade que parece valorizar cada vez mais o resultado… e cada vez menos o equilíbrio emocional necessário para lá chegar.

Talvez por isso haja tantos miúdos cansados tão cedo. Tantos adolescentes ansiosos. Tanta dificuldade em lidar com o erro, com a frustração e com a ideia de não serem “os melhores”.

E talvez nós, pais, também precisemos de reaprender algumas coisas.

Reaprender que o valor de um filho não cabe numa nota. Que sucesso não pode significar viver permanentemente em exaustão. E que formar crianças emocionalmente seguras será sempre mais importante do que formar alunos perfeitos.

Os nossos filhos não precisam que lhes perguntemos apenas “quanto tiveste?”, mas também “como te sentes?”

Talvez apoiar também passe por aliviar. Por escutar mais e pressionar menos. Por perceber quando insistir… e quando simplesmente dar colo.

Porque, um dia, as notas serão apenas números guardados numa folha.

Mas a forma como os nossos filhos se sentiram enquanto cresciam… essa ficará para sempre dentro deles.

Por Sandra Pinheiro
sandrapaisfonseca@gmail.com
@sandrapinheiro.comalma

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