Crónicas e opinião
Memórias e Histórias da Trofa: Mudança de Regime em Guidões
Com o intuito de dar a conhecer um pouco mais da história do município da Trofa, fundamentalmente dos seus territórios, a presente crónica aborda um dos momentos da comunidade guidoense, nomeadamente a passagem do regime republicano para o regime ditatorial.

A história local tem diversas mais-valias, sobretudo em territórios periféricos da ação política que estão igualmente afastados da agenda mediática em que é necessário criar a mentalidade grupal, potenciando os elementos que nos une.
A história é um dos elementos fundamentais para a construção dessa cadeia de identidade e nesse intuito, as existências destas crónicas são fundamentais para ser concretizado esse propósito.
Pouco, ainda, sabemos da história da nossa comunidade, uma valorização bastante sublime que até escapa à atenção de todos. No presente, investimos na reabilitação da arte sacra, mas, aparentemente terminamos aí essa rota pelo passado do nosso concelho.
Com o intuito de dar a conhecer um pouco mais da história do município da Trofa, fundamentalmente dos seus territórios, a presente crónica aborda um dos momentos da comunidade guidoense, nomeadamente a passagem do regime republicano para o regime ditatorial.
Num primeiro momento nesta inquirição histórica, a atenção recai para a realização de uma assembleia de freguesia no dia 27 de maio de 1928, na véspera dos acontecimentos do dia 28 de maio que iriam colocar termo à república portuguesa.
O seu presidente era António Lopes da Silva e reunia com o seu executivo e com a sua comunidade pelas 14 horas daquele dia, sendo uma assembleia bastante simplista em que nada se abordou e rapidamente terminou.
A assembleia seguinte iria decorrer a 10 de junho de 1926 e novamente o Sr. António Lopes Alvim da Silva iria terminar rapidamente a sessão porque nada havia a tratar e como tal os trabalhos terminavam rapidamente.
O país fervilhava, estávamos perante um novo regime, a república tinha caído, a mudança era de 180º na política e tudo aparentava estar sossegado sem sobressaltos.
As assembleias foram decorrendo nos meses seguintes, o presidente continuou em exercício, continuava a apresentar uma agenda vazia de conteúdo, não conseguindo afirmar uma justificação concreta para esse facto.
Nos meses seguintes iria ser discutida a questão do telhado do edifício da Igreja, não havia verbas para a realização desse trabalho, e eis que um popular resolvia esse problema, pagando do seu bolso ou adiantando o dinheiro para a realização das obras.
Os atestados de pobreza iam sendo passados, a situação social e política era de aparente normalidade, discutia-se apenas a questão de um talhão do cemitério, a necessária resolução do litígio que impedia a construção no mesmo.
O movimento militar tinha concretizado a revolução em 28 de maio de 1926 e no decorrer do mês de agosto ainda nada aparentemente tinha acontecido em território guidoense, o poder político continuava o mesmo, não se discutiam alterações na regulamentação da sociedade.
Todavia, a 8 de agosto de 1926 iria decorrer uma assembleia que já tinham o propósito de adaptar ao novo regime.
O cidadão António Lopes Alvim da Silva e José Francisco da Siva Castro que era um elemento da comissão nomeada previamente, entregavam a relação dos bens da junta, os livros e restantes documentos.
O presidente da nova comissão administrativa era José Francisco Castro que nomeava como seu secretário José Gomes Ferreira.
Assistimos neste momento à mudança da administração na freguesia, terminava a administração de António Lopes Alvim da Silva e surgia agora uma nova figura a comandar os destinos deste território.
Os meses foram passando e as reuniões foram decorrendo, o poder administrativo e executivo de Guidões pelas suas intervenções demonstrava que na freguesia estaria tudo calmo e dentro da dita “paz social”, sendo apenas problemática a situação da Igreja que deixava entrar água e isso causava enorme transtorno para a comunidade.
Finalizando, é possível resumir a mudança de regime em Guidões como sendo quase uma situação de humidade, o país estava a sofrer profundas mutações, a liberdade era condicionada de forma irreversível, saímos de uma democracia para uma ditadura, mas, nos meses em que decorreu todo este caminho eis que o que era fundamental referir e colocar na agenda política era a humidade e as infiltrações na Igreja…


