Atendendo a que neste momento está a decorrer mais uma operação de contagem de população e também do número de fogos, confirmando informações anteriores escritas nestas crónicas, a contagem de população é uma prática quase ancestral.
A contabilização de habitantes e de residências sempre foi uma preocupação na governação local e nacional, fundamentando-se, sobretudo, com a necessidade de compreender a evolução das comunidades, como também a sua situação num determinado momento para, por exemplo, legitimar aspirações políticas dos seus governantes, investimentos das autoridades centrais, entre outros motivos.
Estávamos no ano de 1882 e as freguesias do futuro concelho da Trofa estavam localizadas ainda no município de Santo Tirso que, em termos demográficos, demonstrava para aquela época um importante número de habitantes, superior às duas dezenas de milhar. A taxa de natalidade ia aumentando de forma gradual, o país encontrava-se numa fase menos conturbada em termos políticos e tudo isso iria favorecer o referido aumento da população.
Indagando por elementos concretos para cada freguesia do concelho, para perceber as dinâmicas existentes e se a sua importância demográfica é diferente se comparada com a atualidade, é possível afirmar que a realidade histórica não é muito diferente da atualidade e daquilo que tem vindo a ser descrito em crónicas anteriores.
A freguesia de S. Martinho de “Covellas”, tinha apenas 388 habitantes e apenas 102 habitações no seu espaço geográfico, enquanto a freguesia do Muro ficava-se por 507 habitantes e um número de fogos um pouco superior ao de Covelas, conseguindo ter apenas mais 22 casas. Perante estes dados, é percetível que, no Muro, as famílias eram bastante elevadas em número de elementos e esse facto, possivelmente, fazia elevar o número de habitantes e permitir um número de fogos tão reduzido.
A comunidade local de Santa Maria de Alvarelhos era bastante expressiva, conseguindo atingir os 913 habitantes, com o número de residências a ser de 214. A freguesia de Guidões, próxima a esta última tinha, 608 habitantes em 144 residências.
Nos dois importantes polos de fixação populacional, concretamente as duas freguesias das terras de Bougado, era a freguesia de Santiago que tomava a dianteira com 1552 habitantes, sendo seguido a uma distância com alguma expressividade por S. Martinho, que se ficava pelos 1169 habitantes. Uma diferença de mais de 400 habitantes, que se torna relevante atendendo ao número de populares no geral no concelho.
Sobre expressividade na diferença do número de habitantes, concretamente entre S. Romão e S. Mamede, é percetível que a sua diferença era elevadíssima, conseguindo ser superior em dobro os habitantes de S. Mamede quando comparados com os de S. Romão. Concretamente 1052 para 491, com o número de habitações a registar igual comportamento com o dobro das construções a estar presente em S. Mamede do Coronado.
Estávamos a poucos anos da chegada do comboio à Trofa, com a sua paragem a acontecer, igualmente, em S. Romão do Coronado e, seguramente, esse meio de transporte iria revolucionar o cenário demográfico em relativamente poucos anos, com o número de habitantes e fogos a ser diferente de tudo o que se verificava até aquele momento.
Por último, numa indagação mais global, o número de habitantes era de 6072 no referido ano, representando 29% da população do concelho de Santo Tirso. Um sinal inequívoco da importância deste território, naquele concelho ao qual a Trofa pertenceu.