Região
Galiza e Norte de Portugal querem reforçar integração económica e industrial
O Presidente da CCDR NORTE, Álvaro Santos, defendeu uma nova etapa de integração económica e industrial entre a Galiza e o Norte de Portugal, considerando que a cooperação entre os dois territórios pode ser determinante para reforçar a competitividade, a inovação e a capacidade exportadora das empresas.
A posição foi assumida esta terça-feira, em Baiona, na Galiza, durante a sessão de encerramento do Encuentro Internacional Galicia-Portugal: Hibridación en el sector metal y tecnologías asociadas, promovido pela ASIME – Associação de Indústrias do Metal e Tecnologias Associadas da Galiza.
O encontro reuniu empresários, associações empresariais, universidades, centros tecnológicos e entidades públicas dos dois lados da fronteira, com o objetivo de identificar novas oportunidades de cooperação nas áreas da metalomecânica, mobilidade, energia, aeronáutica, tecnologias digitais, inteligência artificial e tecnologias de dupla utilização.
Na intervenção, Álvaro Santos destacou a chamada “hibridação industrial” como uma das principais transformações em curso na indústria europeia, através da combinação de conhecimento, tecnologia e competências de diferentes setores para criar maior valor acrescentado.
“O mesmo princípio pode ser aplicado à relação entre a Galiza e o Norte de Portugal. Temos dois territórios com forte tradição industrial, especializações complementares e uma relação económica cada vez mais intensa, que reúnem dimensão e massa crítica para pensar a cooperação com maior ambição”, afirmou.
Eurorregião representa 6,4 milhões de habitantes
Segundo os dados apresentados pelo responsável da CCDR NORTE, a Eurorregião Galiza–Norte de Portugal reúne cerca de 6,4 milhões de habitantes, mais de 657 mil empresas e um Produto Interno Bruto superior a 167 mil milhões de euros. As exportações anuais ultrapassam os 57 mil milhões de euros.
Álvaro Santos destacou também a importância da indústria do Norte de Portugal, nomeadamente do setor metalomecânico, que integra mais de 6.000 empresas e emprega mais de 73 mil trabalhadores.
A região apresenta igualmente uma forte presença em áreas como a mobilidade, a indústria transformadora e as tecnologias avançadas, setores considerados estratégicos para o desenvolvimento de novas cadeias de valor transfronteiriças.
As relações económicas entre o Norte de Portugal e Espanha têm vindo, entretanto, a intensificar-se. De acordo com os dados apresentados, as exportações do Norte para o mercado espanhol passaram de 4,2 mil milhões de euros, em 2011, para 6,9 mil milhões de euros, em 2024.
“A fronteira é cada vez menos uma separação económica e cada vez mais um espaço de circulação de mercadorias, pessoas, investimento, conhecimento e tecnologia”, afirmou Álvaro Santos.
Para o presidente da CCDR NORTE, o desafio passa agora por transformar essa integração numa estratégia económica e industrial mais estruturada.
Novas oportunidades nas tecnologias e na indústria
Ao longo do encontro foram identificadas oportunidades de cooperação em áreas como a automação industrial, construção naval, aeronáutica, energias marinhas renováveis, inteligência artificial, robótica e tecnologias de segurança e defesa.
Estas áreas poderão, segundo os participantes, contribuir para o desenvolvimento de novas cadeias de valor entre empresas e entidades dos dois lados da fronteira.
A ligação entre empresas, universidades e centros tecnológicos foi igualmente apontada como essencial para acelerar a transferência de conhecimento e transformar investigação em valor económico.
Neste domínio, Álvaro Santos recordou que o Norte de Portugal investe perto de 2% do PIB em investigação e desenvolvimento e conta com mais de 23 mil investigadores a tempo inteiro.
“Dar um novo passo” na cooperação transfronteiriça
Num contexto marcado pelos desafios da reindustrialização europeia, da transição energética e da digitalização, incluindo o desenvolvimento da inteligência artificial, o Presidente da CCDR NORTE defendeu um reforço do papel das eurorregiões enquanto espaços económicos integrados.
“Depois de mais de três décadas de cooperação institucional, chegou o momento de dar um novo passo”, afirmou.
Álvaro Santos considera que a proximidade geográfica entre a Galiza e o Norte de Portugal deve ser convertida numa vantagem económica e industrial comum, capaz de gerar maior escala, inovação e presença internacional para as empresas dos dois territórios.
Promovido pela ASIME, com a colaboração da AIMMAP, da AICEP e da FELUGA e com o apoio do IGAPE, o encontro terminou com um reforço do compromisso de aprofundar as relações industriais entre a Galiza e o Norte de Portugal, através da partilha de conhecimento e do desenvolvimento de projetos conjuntos.
A cooperação pretende contribuir para consolidar a Eurorregião Galiza–Norte de Portugal como um dos principais polos industriais e tecnológicos do espaço atlântico europeu.


