Espetáculos
Rádio Macau no Coliseu do Porto – Fotorreportagem
Rock & roll à moda antiga, num azul ensurdecedor.
Na noite de 15 de outubro, o Coliseu do Porto recebeu os Rádio Macau para um concerto que provou, mais uma vez, como é fácil gostar desta banda. Ao longo de 21 temas e dois encores, o grupo conduziu a sala por um alinhamento que balançou entre a melancolia das canções mais lentas e o rock vivo e penetrante dos êxitos que atravessam gerações. Logo no arranque, quando Xana se dirigiu ao público, “Amanhã é Sempre Longe Demais” ganhou nova urgência ao ser dedicada aos manifestantes da plataforma Casa para Viver, seguindo-se “Levo-me no Voo das Minhas Asas” como homenagem a Jorge Palma. Foi o sinal de que a noite não seria apenas nostalgia: o amor esteve sempre presente, mas de mãos dadas com a consciência social.
O palco, inundado por cores extraordinárias, envolveu a plateia num concerto de um azul ensurdecedor, com “De Azul em Azul” a dar o tom a essa paleta. “Quebra de Atenção” soou como uma analogia certeira aos nossos dias, dispersos e acelerados, e “Cidade Fantasma” marcou o auge da noite, com o Coliseu inteiro rendido. Mais adiante, “Guarda a Faca” trouxe para o centro do palco o peso da guerra, lembrando que a canção também é um lugar de denúncia.
A reta final reservou uma das surpresas mais felizes: em “Anzol”, a secção de metais empurrou o tema para territórios mais jazzy, num final apoteótico que deixou a sala de pé. Os encores, com “Era uma Vez”, “A Vida Num Só Dia”, “Hoje é a Brincar” e, a fechar, a inevitável “Macau”, selaram uma noite em que os Rádio Macau mostraram que continuam a saber fazer o que poucos conseguem: emocionar e inquietar no mesmo fôlego.


