O palco Santa Casa abriu a segunda noite de música no Cabedelo com os portugueses The Happy Mess, um projeto de um grupo de amigos. Começaram há alguns anos enquanto adolescentes, e voltaram a juntar-se há cerca de dois anos ao sentirem que tal fazia sentido. A música não é a profissão de todos eles, havendo um psicológo, arquitectos, um publicitário, enfim, como eles diziam ontem, a formação deles não é a convencial nas bandas de música. Têm tido bastante trabalho com concertos ao vivo e admitiram um cansaço natural de quem anda às voltas entre concertos e preparação do álbum. Animaram o início de noite, apesar do público ainda escasso. 

Seguiu-se um nome improvável para um festival de verão, a portuguesa Márcia, que deu um concerto muito interessante, misturando as músicas do primeiro álbum , com as do novo trabalho Casulo. Todas as letras e músicas do novo álbum são da autoria de Márcia, à excepção de um temo cuja letra foi escrita em co-autoria com Samuel Úria. Não faltaram Cabra Cega, Para Quem Quer Ser e A Pele que há em Mim (sem JP Simões e cantada por Márcia sozinha em palco e sem munição). Com o desenrolar do concerto, a cantora tornou-se muito comunicativa e a simpatia contagiou a plateia, chegando a apresentar toda a equipa, desde os músicos em palco aos técnicos de som e luz. Um concerto simples e bonito.

Os portugueses Orelha Negra estrearam o palco principal nesta segunda noite do festival. Com a sua música eclética e sob a denominação de super banda portuguesa de música urbana, Francisco Rebelo, DJ Cruzfader, Fred Ferreira, João Gomes e Sam the Kid, proporcionaram uma verdadeira agitação entre o público que começava a encher o recinto. Colagens, muitos samples e uma batida que junta hip hop, jazz, soul, electrónica. Foram pedindo manifestações de entusiasmo: “A cena tá forte. Eu quero ouvir barulho!”, e a sua mescla de sons captou a plateia, animando-a para a noite longa que se antevia.

Seguiram-se os britânicos La Roux, projecto de synthpop, com assumida influência de grandes nomes da cena britânica de 80 (Erasure, Depeche Mode, The Human League, etc). A banda deve o nome ao cabelo ruivo de Elly Jackson, cuja figura é incontornável e impossível de ignorar em palco: andrógina, cheia de energia e muito senhora de si, não hesita nos passos que dá (passos de dança, entenda-se) nem nas letras que debita. O público reagiu com entusiasmo mesmo às palavras mais ou menos imperceptíveis de Elly entre músicas, e as palmas e gritos de euforia reflectiam uma festa que era começava no palco com Elly e companhia. Com apenas um álbum de estúdio em carteira (lançado há mais de 4 anos) a música de La Roux é um tanto ou quanto indistinta, numa massa de eletropop que apresenta algumas evidentes fraquezas, não registadas ontem à noite pelo público. O concerto fechou em grande celebração com o hit Bulletproof.

James Morrison era um nome muito esperado do festival. Trazendo na bagagem as suas músicas sentimentais, James está de bem com a vida e canta esse estado, apelando aos corações. O público foi incansável nas manifestações de apreço a Morrison e o cantor retribuiu com os constantes “Obrigado” entre músicas, e chegando a afirmar que a assistência era a melhor dos últimos tempos. Uma actuação muito bem planeada e apontando para o delírio do público, em que não faltou o hit You Give me Something, do álbum de estreia, cantado em uníssono com a plateia.

O fecho da noite esteve a cargo de David Guetta, DJ de profissão e muito aguardado por um mar de gente. Com a sua house e eletropop, que o tornaram num dos mais populares DJs dos nossos dias, Guetta pôs todo o recinto aos pulos, de mãos no ar e proporcionou uma verdadeira rave à beira rio – viam-se pessoas de muitas idades a desfrutar do concerto, e a dançar. Intenso e vibrante conseguiu ainda a proeza de ser o campeão dos curiosos que se empoleiravam nas paredes do recinto para espreitar a atuação apartir do lado de fora do mesmo. 

Texto: Joana Teixeira
Fotos: Miguel Pereira

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