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Linha do Equilíbrio | A importância de saber dizer que NÃO

Sandra Maia

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Numa sociedade marcada pela pressa, pelo excesso de estímulos, pela cultura do “sempre disponível” e onde as pessoas são, cada vez mais, emocionalmente dependentes, tornou-se um desafio aprender a colocar limites.

Muitas pessoas aprendem, desde cedo, a agradar para serem aceites. Neste contexto, o valor pessoal passa a depender da aprovação externa, dificultando a imposição de limites. Aprender a dizer “não”, respeitar o próprio tempo e reconhecer até onde se pode ir são atitudes saudáveis e essenciais para a saúde mental.

Logo, desenvolver os limites emocionais é, assim, uma forma de proteção, pois estes ajudam a preservar a energia emocional, a organizar as relações e a manter a própria identidade e, ao mesmo tempo, promovem o estabelecimento de normas de onde terminam as suas responsabilidades afetivas e começam as dos outros. Quando os limites emocionais estão definidos, o reconhecimento do que se sente, do que se precisa e até onde se pode ir, sem que haja necessidade de nos diminuirmos ou anularmos, é mais fácil. Quando esses limites são frágeis, a pessoa passa a depender excessivamente da atenção, das respostas e da aprovação do outro para se sentir segura.

Atualmente, com as redes sociais, essa dinâmica está hipervalorizada e intensifica esta necessidade de valorização, pelos likes, pelas mensagens e pelas visualizações que passam a ter um peso emocional maior do que deveria. Com este cenário, pode surgir a dependência emocional, pelo medo de perder vínculos, de ser ignorado ou substituído, levando a que algumas pessoas se mantenham sempre disponíveis, mesmo à custa do próprio desconforto. Quando há uma ausência de uma resposta online esta pode ser interpretada como rejeição, aumentando a insegurança e favorecendo quadros de ansiedade, stress, entre outros, ficando o bem-estar condicionado ao comportamento do outro. Contudo, as redes sociais não são o “bicho papão”, apenas potencializam padrões já existentes. Pessoas com dificuldades de autoestima, histórico de abandono ou de carência afetiva tendem a procurar nos meios digitais aquilo que falta internamente: reconhecimento e sentimentos de pertença e de segurança emocional e quando essa procura se torna compulsiva e substitui o contato real consigo mesmo e com os outros, poderá aumentar os problemas emocionais.

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Por outro lado, verifica-se, hoje, uma normalização de comportamentos pouco saudáveis, em que o ciúme excessivo, a vigilância constante na relação, a necessidade de explicações sobre interações online e o medo intenso de ser “esquecido” são frequentemente romantizados. Em “nome do amor”, algumas pessoas ultrapassam os seus próprios limites, silenciam desconfortos e encaixam-se para não perder o vínculo. Estes são alguns dos fatores que têm sido alvo de atenção pela ciência social, onde se destaca que relações saudáveis não se sustentam no controle, nem na vigilância, mas na confiança e no respeito mútuo.

Estabelecer limites não é perder relações, mas preservar a própria integridade emocional. Desenvolver limites emocionais é aprender a responsabilizar-se pelos próprios sentimentos sem transferi-los para o outro. Significa compreender que vínculos afetivos devem somar e não substituir quem a pessoa é nem o cuidado consigo mesmo.

Cuidar da saúde mental começa pela necessidade de se respeitar.

Crónica de Sandra Maia

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