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Edição 423

Celebração das bodas de prata, ouro e diamante

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A paróquia de S. Martinho de Bougado celebrou no domingo, dia 12 de maio, a bênção dos casais que, durante este ano, completam 25, 50 ou 60 anos de matrimónio.

A cerimónia teve início com uma eucaristia solene na Igreja Nova da Trofa e contou com a presença de D. Joaquim Ferreira Lopes, Bispo natural de Viana, em Angola. Depois de os 31 casais (18 de prata e 13 de ouro e diamante) renovarem os seus votos matrimoniais, ofereceram uma flor à Nossa Senhora de Fátima.

A festa continuou na Quinta d’ Alegria, em Ribeirão, com um almoço convívio, onde houve uma confraternização entre os casais e familiares.

Durante a cerimónia litúrgica, Luciano Lagoa, pároco de S. Martinho de Bougado, agradeceu à equipa da Pastoral Familiar, pelo trabalho desenvolvido na organização desta celebração.

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Edição 423

A dicotomia direita/esquerda atravessou a história dos tempos

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Desde a Revolução Francesa que os termos “direita” e “esquerda”, vulgarmente utilizados na linguagem política para designar ideologias antagónicas são geralmente entendidas como polaridades do mesmo espectro político. Esta bipolarização de posições, simbolicamente marcantes, surgiu há mais de dois séculos, quando os Estados Gerais franceses se transformam em Assembleia Nacional Constituinte, no ano de 1789, os deputados favoráveis ao veto legislativo do rei sentam-se no lado direito da sala e aqueles que são contrários a essa prerrogativa agrupam-se do lado esquerdo.

Nesse tempo já longínquo, a direita personificava o partido das instituições tradicionais, tanto seculares como religiosas e pendia para a monarquia e a esquerda era identificada com a oposição a uma monarquia poderosa, rejeitava com desdém a religião e inclinava-se para a república. Tradicionalmente, a direita tem representado a tradição, o lado da ordem, da estabilidade, a posição moral, legal, legitima e tende para o status quo enquanto a esquerda está associada ao radical, ao perigoso, ao novo e tende para a mudança.

A existência de uma direita e uma esquerda está difundida em todas as sociedades e em todo o lado é possível situar as diferentes forças políticas usando a dicotomia e as poucas variações que ela permite – o centro, o centro-direita, o centro-esquerda, os extremismos da esquerda e da direita. Esta dicotomia é inseparável do pluralismo político e faz consolidar o sistema democrático.

A dicotomia direita/esquerda, que subsiste e atravessou a história dos tempos, continua a ter validade na atualidade, em termos conceptuais e não só, apesar de existir um enfraquecimento civilizado destas posições, que não originou o desaparecimento das tendências ideológicas tradicionais. Porém, discute-se cada vez menos as ideologias e mais a estratégia do “assalto” ao poder, sendo necessário recordar que os partidos políticos existem para a conquista do poder. Depois de conquistado o poder a estratégia principal é focalizada na sua manutenção. A todo o custo! É esta a razão principal da existência dos partidos políticos. Para colocar na prática as suas ideias.

Quando os partidos políticos chegam ao poder e são confrontados com os problemas reais, a “ideologia” que domina é geralmente a tecnocrática, contrariando a retórica panfletária que utilizaram em campanha eleitoral, quando “venderam” a ideia que existem diferenças substantivas no modo de gerir os dossiers e conduzir as coisas públicas. Uma inverdade, que os leva ao poder. Tem sido assim a difusão das mensagens panfletárias, que os partidos políticos utilizam em campanha eleitoral.

A diferença entre esquerda e direita tem sido mais no estilo e na eficácia do que ideológica, pese embora o facto de à direita tem faltado uma sensibilidade social e à esquerda uma sensibilidade empresarial. Por isso, quando uns e outros interiorizarem na sua prática, que o foco principal da política é o ser humano e o seu bem-estar e que o desenvolvimento das sociedades se faz através da criação de riqueza, a dicotomia direita/esquerda não fará sentido. Será?

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

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www.moreiradasilva.pt

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Edição 423

O Sofisma da Austeridade.

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Gualter-Costa

O mega plano de austeridade que o Orçamento de Estado de 2013 a todos nos impôs, com aumentos brutais e desmesurados de impostos, cortes cegos em serviços públicos essenciais, ataque ao trabalho e aos salários, despedimentos massivos e o recente cisma de assalto às pensões, como os Portugueses já perceberam, tudo isso foi em vão. Tudo isto foi inútil. As políticas das duas caras e da tesoura afiada, serviram apenas para empobrecer ainda mais Portugal e agudizar o descalabro do Governo.

O doloroso caminho da austeridade, recentemente endurecido, parece pois não ter fim. É um falacioso e inútil calvário ideológico da direita neoliberal, cujo único objetivo é a transferência em massa de recursos da economia real, que gera valor e cria emprego, para a alta finança especulativa e para algumas multinacionais estrangeiras. Por este caminho não há redenção possível. Nunca haverá cortes suficientes, refundações, nem ajustamentos que sejam satisfatórios. A troika nunca se cansa e quer sempre mais. Sempre que a realidade teima em demonstrar-nos que este caminho está errado, que é um beco sem qualquer saída, a resposta em uníssono do Governo e da troika é de que ainda não se forçou o suficiente. Apesar de mais de 1.000.000 de desempregados reais, de uma economia em farrapos e de uma vaga de cérebros a fugir de uma catástrofe eminente, para o trio de agiotas ainda há por onde espremer. Ainda há um suculento Estado Social para destruir. Ainda há umas míseras pensões para esmifrar.

É hoje claro para todos que o memorando de entendimento com a troika está a destruir o país. No final de 2012 Portugal empobreceu quase 5% face ao final de 2010. O desemprego cresceu mais de 4 pontos percentuais, a dívida pública ultrapassou os 120%, o défice continua descontrolado. A austeridade cega que nos foi imposta subtilmente sob a forma de um memorando que se propunha a corrigir o défice e atacar a dívida, fez exatamente o contrário. E qual é a conclusão da troika e do Governo? Continuamos ainda a viver acima das nossas possibilidades. É preciso cortar ainda mais. É preciso empobrecer para sermos competitivos. Os três partidos do arco da miséria erraram a fórmula e serão mais uma vez os Portugueses a corrigir o erro. Nesta competição de pobreza, depois de atacar as bases da economia real e abalar a democracia, a troika quer ainda mais. Muito mais. É chegada a hora de por em prática a sua ideologia e demolir as bases do Estado Social. Caiu de vez a máscara a este governo e à troika : a receita não é económica, é simplesmente ideológica.

O objetivo está agora bem claro: levar a cabo uma agenda conservadora que irá delapidar o Estado Social. O ataque é ao serviço nacional de saúde, abrindo alas para os privados e acabando de vez com a universalidade dos cuidados de saúde; O ataque é à escola pública, criando cada vez mais custos para os pais terem os seus filhos a estudar e colocando por outro lado um punhado de privados a viver à custa do Estado; O ataque é para destruir a segurança social, fazendo alarido sobre a sua insustentabilidade e empurrando as pessoas para as difusas práticas comerciais de bancos e seguradoras. O objetivo é acima de tudo, vingar a Liberdade e a Igualdade e os Direitos conquistados pelo povo com o 25 de Abril. Uma estratégia macabra e doentia, arquitetada durante anos a fio pelos partidos da direita, com a conivência do centrão. Esta austeridade visa fazer falir o regime em que a Democracia se estabeleceu, acabando com os princípios da igualdade e da solidariedade, substituindo-os pela caridadezinha de circunstância.

Nem o descuidado Passos Coelho, nem o agora mudo Paulo Portas, nem o ex-iluminado Vitor Gaspar, explicam ao país como vão pedir ainda mais sacrifícios. Ignoram as explicações sobre como vão impor ainda mais miséria a Portugal. A troika também não explica como é que o memorando não foi solução para nenhum dos problemas que se propunha resolver.

Caiu a máscara. A agenda ideológica que estava escondida está agora clara para todos. A destruição do Estado Social e dos direitos dos cidadãos ocupam toda a primeira página dessa agenda. Porque, menos Estado é mais negócio para as multinacionais estrangeiras; Menos direitos, é mais exploração e mais pressão para os trabalhadores cá e noutros países. Mas, acima de tudo, mais dívida, é a garantia de chorudos lucros para os velhos e hábeis agiotas do sistema financeiro mundial.

A aplicação do memorando deixou o país empobrecido e destroçado. Vencê-lo é a única garantia de um futuro melhor e mais próspero para o nosso país. Se a música é má, a solução não é aumentar o volume, é sim desligar o rádio.

 

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Gualter Costa

Coordenador Concelhio Bloco de Esquerda Trofa

gualter.costa@outlook.com

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