“A unidade da multiplicidade: os arquivos como construtores da identidade” é o nome da exposição que revela as cartas de foral dos concelhos da área metropolitana do Porto.

O sinal dos tempos até na identidade das regiões é notório. Que dizer do documento, que marca a passagem dos séculos e mantém intacta a origem do concelho de Valongo, em 1837? Cento e sessenta e um anos depois, surge a ata da primeira reunião da Comissão Instaladora do Município da Trofa, espelho da revolução tecnológica. As palavras manuscritas dão lugar à conjugação do código binário resultante de uma das maiores invenções humanas: o computador.

Estes e muitos outros documentos, mais ou menos ancestrais, podem ser vistos numa exposição na Casa da Cultura da Trofa, até ao final do mês de fevereiro, no âmbito da comemoração do Dia Internacional dos Arquivos em 2012.

 A inauguração aconteceu segunda-feira, 5 de fevereiro, com a presença de uma turma do 3º ano da Escola Básica de Finzes. A mostra tem o objetivo de mostrar aos habitantes da Área Metropolitana do Porto, o nascimento e a história dos seus concelhos, através das cartas de foral. Tratam-se de documentos jurídicos que estipulam a idêntidade legítima de um concelho e demarcam os limites territoriais, assim como “estabelecem os direitos fundamentais das populações”.

Amante de História, Manuel Moutinho Duarte mostrou-se bastante agradado com a exposição que mostra “uma referência ao foral de 1519 passado em Évora, pelo rei D. Manuel I, e o foral do Porto e das terras da Maia de 1519, com referências muito curiosas e pormenorizadas às freguesias que atualmente pertencem ao concelho da Trofa”. Manuel Moutinho Duarte acrescentou ainda que existem provas documentais da luta que as freguesias do concelho da Trofa travaram para regressar às terras da Maia, logo depois de serem anexadas a Santo Tirso: “A partir do momento em que estas freguesias passaram para Santo Tirso, a Maia começou a sentir uma força acrescida para que a sede do concelho deixasse de ser no Castêlo da Maia para ser atualmente na cidade da Maia, que seria mais central, visto que tinham perdido esta parte. Portanto, nem a Maia estava interessada em reaver essas freguesias, porque ia perder o argumento mais forte para a deslocação da sede do concelho e nem Santo Tirso estaria interessado em perder aquilo que há pouco tinha recebido. É evidente que a partir da altura em que o momento político se tornou mais benéfico, a luta intensificou-se e essas freguesias conseguiram a autonomia em relação a Santo Tirso”.

Por seu lado, Joana Lima, presidente da Câmara Municipal da Trofa, considera que esta exposição “deve despertar a curiosidade de todos aqueles que têm apetência para saber a sua história”.

“Relativamente à Trofa, temos dois documentos: um com a criação do nosso concelho e com a primeira ata da reunião da Comissão Instaladora e outro com o foral de Penafiel e Maia de 1614, em que a Trofa também se inseria nessas terras da Maia”, revelou.

Além do concelho da Trofa, os municípios representados nesta mostra são Arouca, Espinho, Maia, Oliveira de Azeméis, Porto, Póvoa de Varzim, Santa Maria da Feira, Santo Tirso, São João da Madeira, Vale de Cambra, Valongo, Vila do Conde e Vila Nova de Gaia.

Durante a exposição, os alunos da Escola de Finzes realizaram algumas atividades lúdicas e no fim receberam uma pequena recordação, referente ao concelho da Trofa.

Texto de Daniela Ferreira