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Edição 453

Ação solidária no Colégio da Trofa

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Associação de Estudantes angariou 600 quilos de alimentos

Alunos, professores, diretores e funcionários do Colégio da Trofa angariaram “cerca de 600 quilos” de alimentos, numa iniciativa desenvolvida pela Associação de Estudantes.

Na receção do Colégio da Trofa, na manhã de 19 de dezembro, as 11 caixas de cartão agrupavam-se e endereçavam a mensagem do momento: Feliz Natal. Cada uma, além de representar um nível de ensino e o grupo de professores, diretores e funcionários, serviu para armazenar alimentos que a Associação de Estudantes (AE) recolheu desde o início do mês de dezembro para ajudar os mais desfavorecidos.

Mobilizadora como se quer qualquer estrutura estudantil, a equipa liderada por Artur Oliveira desafiou a comunidade educativa para não deixar passar o Natal sem uma ação solidária. Conseguiu armazenar “cerca de 600 quilos de alimentos”, que foram entregues à Conferência S. Vicente de Paulo de S. Martinho de Bougado que, por sua vez, vai distribuir pelas famílias carenciadas.

Segundo Artur Oliveira, presidente da AE, a ideia estava no “plano eleitoral” e encheu os elementos da estrutura “de orgulho” por “possibilitar a ajuda a outras pessoas”. “Se temos essa oportunidade, faz sentido que nós, Associação de Estudantes, nos mobilizemos”, frisou. Para Artur, a ação foi “um sucesso” e não apresentou dificuldades, porque “todos os alunos se empenharam”.

Por seu lado, João Passos, vice-presidente da AE, afirmou que “é sempre gratificante fazer a atividade e ver a adesão das pessoas para uma causa tão solidária como esta”. Artur Oliveira complementou: “Sentimo-nos bem por podermos ajudar os outros”.

A direção do Colégio da Trofa estava orgulhosa com o ato altruísta dos alunos. Américo Gomes, administrador do estabelecimento de ensino, confessou que “foi um trabalho exemplar”. “Como pretendemos formar cidadãos plenos, e a solidariedade faz parte, em conjunto com a AE demos-lhes a possibilidade de crescerem e de perceberem que os mais necessitados são pessoas que precisam da nossa colaboração. Eles dedicaram-se imenso, junto dos colegas e estão de parabéns”, afiançou.

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Os alimentos foram entregues à Conferência S. Vicente de Paulo de S. Martinho de Bougado.

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Edição 453

“O papel das bibliotecas escolares” em destaque na Trofa

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“As bibliotecas escolares são uma importante fonte de recursos que devem assumir, na escola, uma função preponderante e decisiva no apoio ao ensino e no processo educativo.” Dada a importância das bibliotecas escolares, o executivo da Câmara Municipal da Trofa vai promover, no início de janeiro, o seminário “O papel das bibliotecas escolares na aplicação das metas curriculares”.

A sessão tem como objetivo “criar um fórum de reflexão e discussão sobre esta matéria, procurando reforçar a importância da Biblioteca Escolar nas estratégias de ensino e aprendizagem, nomeadamente no que respeita ao cumprimento das metas curriculares”.

Nesta linha, a 16 de janeiro, entre as 16 e as 18 horas, o auditório da Escola Secundária da Trofa recebe este seminário, que contará com a presença de Fernando Pinto do Amaral, Comissário do Plano Nacional de Leitura, Elsa Conde, da Rede de Bibliotecas Escolares do Ministério da Educação, Rosa Mesquita, professora e formadora na área das metas curriculares como oradores, e António Pires, coordenador inter-concelhio da Rede de Bibliotecas Escolares, como moderador.

A Rede de Bibliotecas da Trofa/SABETrofa é composto por um coordenador inter-concelhio do Gabinete da Rede de Bibliotecas Escolares do Ministério da Educação, várias professoras das bibliotecas escolares do concelho, o Bibliotecário da Biblioteca Municipal da Trofa e ainda representantes das Divisões de Cultura e Educação da Câmara Municipal da Trofa.  

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Edição 453

A pobreza é um atentado à dignidade humana

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Antes de ser objeto das políticas sociais falhadas, a pobreza é sobretudo um problema das erradas políticas económicas que as diferentes governações têm tido ao longo dos anos. É verdade que a redução da pobreza (não a sua eliminação), tem sido um dos principais objetivos nos programas de governação, em vários países, mas sem qualquer efeito, pois os índices de pobreza têm aumentado vertiginosamente. Para sofrimento de muitos!

O conceito de pobreza, que é um fenómeno multidimensional, começou por estar relacionada com a falta de rendimentos necessários para a satisfação das necessidades alimentares e não alimentares básicas, mas tem tido alterações significativas. Nas décadas mais recentes, foi-se alargando o conceito de pobreza, para abranger outros aspetos, como a falta de acesso à saúde e à educação, a falta de água e saneamento, o isolamento, a exclusão social, a vulnerabilidade e também o acesso equitativo ao sistema judicial, a não existência de habitação e transportes públicos acessíveis.

A pobreza em Portugal é um problema estrutural gravíssimo, um atentado à dignidade humana, que nos deveria envergonhar a todos e deveria mobilizar toda a sociedade para a sua resolução, o mais rapidamente possível, pois é indigno que um ser humano possa estar privado do direito básico de participar plenamente na vida social, económica, cultural e política da comunidade em que está inserido.

As taxas de pobreza no nosso país são assustadoras. Mais de um quinto da população portuguesa é pobre. São mais de 2 milhões de pobres (gente como nós) e desses, quase metade são trabalhadores (no ativo ou reformados), pois mais de 1/3 são reformados e mais de 1/4 são trabalhadores por conta de outrem, com salários muito baixos e vínculos precários, mas também com contrato sem termo. Tem sido um abuso este tipo de contratação. Um abuso oportunista!

É verdade, e não pode ser escamoteada a ideia de que em Portugal existe uma cultura de dependência do Estado, mas também não pode ser esquecido o facto de que a pobreza reproduz-se, gera ciclos de vulnerabilidade social, processos de exclusão e de desfiliação social. A própria Cidadania está desligada, pois a pobreza condiciona os acessos aos direitos, à participação social e política. Infelizmente!

São muitas vezes os mais vulneráveis que são mais atingidos e atirados para a pobreza extrema, pois além da perda de postos de trabalho, muitos enfrentam dificuldades para cumprir os seus compromissos financeiros, ter uma habitação decente ou ter acesso ao crédito, para além de existirem muitos pensionistas e reformados, com as suas parcas pensões, a sustentar os filhos e os netos.

Para além do quadro triste da pobreza, ainda existe uma realidade chocante nas ruas das cidades, que são os sem-abrigo. Neste tempo de noites gélidas, o nosso quotidiano está povoado desses seres que se colocaram à margem da sociedade, dita civilizada. E já são alguns milhares! Estas constatações são uma violência que fazem partir o coração. São uma triste realidade, que não podem ser combatidas com indiferença, mas com a intolerância de quem considera a pobreza um atentado criminoso contra a dignidade humana. Que venha o Ano Novo com mais esperança. Para todos!

José Maria Moreira da Silva

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moreira.da.silva@sapo.pt

www.moreiradasilva.pt

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