Descendo a estrada nacional nº318, na Rua de S. Mamede na localidade de S. Mamede do Coroando a chegar a S. Romão, do lado direito passando praticamente despercebido surgem umas instalações fabris.
Umas instalações fabris de aspeto rustico, com a sua entrada a ser localizada na Rua do Paiço com elevado movimento de entrada e saída de viaturas, comprovando o bom dinamismo económico daquela unidade industrial.
Refere-se constantemente a história da indústria na Trofa como sendo exclusiva de S. Martinho de Bougado, um erro grave que deturpa a história do concelho que ignora a prática industrial em outras freguesias. Obviamente que em menor escala, mas o antepassado da atividade industrial não é exclusivo do centro do município da Trofa.
As mudanças na economia, a pressão imobiliária, entre outros fatores fizeram com que as instalações industriais fossem desaparecendo do panorama urbanístico de S. Martinho e recentemente fechou a unidade industrial mais antiga em funcionamento, alusão para a moagem localizada na Avenida de Paradela.
Procurando um paralelismo histórico, fundamental referir aquela unidade industrial referenciada no início da crónica, localizada em S. Mamede do Coronado possivelmente deverá ser a fábrica mais antiga em funcionamento no concelho da Trofa.
Necessário recuar quase 100 anos para fundamentar o surgimento daquela empresa, concretamente a 1922, comemorando este ano o seu 97º aniversário, apenas três anos para comemorar um século de existência.
Procurando fazer um paralelismo com outras indústrias em Portugal, a tarefa torna-se complicada porque a maior parte das empresas em Portugal raramente ultrapassam meio século de existência.
A 2 de novembro de 1922 era noticiada no Jornal de Santo Tirso a constituição da: Sociedade Industrial de Pereiró, que tinha a particularidade de ter 7 sócios, uma base bastante ampla de financiamento.
A distribuição da percentagem das quotas é um mistério, apenas referência para o número de associados com especial destaque para as atividades industriais que se proponham a realizar.
Seria uma serração, carpintaria e também para minha surpresa teria também o propósito inicial de ser uma moagem, desconhecendo por completo se essa prática alguma vez se realizou naquelas instalações.
Milhões de toneladas de madeira cortadas, centenas e centenas de clientes, milhares de obras realizadas e os anos foram-se passando aproximando-se dos 100 anos.
Um dos muitos marcos da história do concelho da Trofa que vai resistindo ao passar dos anos e comprovando que havia empreendedores em todo este território que se iria afirmar com um dos territórios com maior dinamismo económico ao longo do século XX e também no século XXI no nosso país.