Não tenho por hábito responder a quem me cita, por boas ou más razões. Mas o Dr. António Barbosa, por ser uma pessoa dialogante, educada e que me merece a melhor das considerações, é uma excepção a esse hábito.

 Começo por estranhar o seu espanto por ter defendido o Catulo enquanto local nobre da cidade e que deve ser acarinhado. Não alinho em certos modismos, pseudo-descentralistas que, com facilidade, condenariam o Catulo ao ostracismo.

      O Catulo é aquilo que mais se assemelha a um centro urbano e que não tem qualquer problema de saturação.

      Já alguém imaginou o Catulo sem o trânsito de passagem? Está saturado de quê? Ou cometeu o crime ser o centro da cidade?

      Esperava que o Dr. António Barbosa encontrasse uma forma menos paroquiana de chamar paroquiano porque não conseguiu ver a coesão municipal para além da sua freguesia (Feruni-Arbofil-Pateiras). Por certo concordará que os argumentos a favor do já célebre triângulo, que é Feruni ou Arbofil-Pateiras-Mosteirô, são poucos e já gastos: nova centralidade, muito espaço e… centro geométrico. O que tem o centro geométrico a ver com centro urbano? Nada, Obviamente.

      Acresce a estes argumentos, o facto de ter sido uma promessa eleitoral (sê-lo ia nesses termos?) mas, como bem disse o meu amigo, sou militante doutro Partido, o Partido Socialista e não sinto que isso seja defeito. E no seu Partido? Já pensou no que pensam os militantes do seu Partido? Acha que todos eles votaram na localização dos Paços do Concelho? Se acha isso, como interpreta a reacção positiva da maioria deles à anunciada e votada localização na serração da Capela?

      Aquilo que entendeu interpretar como "exacerbada visão de capela" mais não é do que um lapso seu. A localização prevista dos Paços do Concelho, no já muito falado triângulo, é em São Martinho de Bougado e bem perto do local onde resido, que é também em São Martinho de Bougado, como bem sabe, e que sempre teve a minha oposição.

      É que estar localizada na minha freguesia, e, talvez, no meu lugar, não é condição suficiente para merecer o meu apoio.

      Estar próximo do Catulo, não na rotunda, obviamente, é aproveitar as condições já existentes, já que é para esse ponto que confluem todos os transportes públicos e é dar dignidade a um local nobre da cidade que está abandonado, como é o caso da serração da Capela. É esse também o local de mais fácil acesso à população do concelho, sobretudo quem se desloca em transportes públicos.

      A querela existente entre a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal tem que ser solucionada com bom senso porque os eleitos estão a representar a população e não a tratar de negócios privados. E o superior interesse do concelho e da cidade impõe que as pessoas se esforcem por encontrar uma boa solução para o diferendo.

      O problema que existe é o da implantação, o que é muito diferente da localização que sempre foi pacífica e acredito que, com boa vontade de ambas as partes, será encontrada uma boa solução.

      Com as variantes construídas (parece que uma dessas variantes está para breve) e o Catulo sem o trânsito de passagem, teremos encontrado, na serração ou no bairro da Capela, um bom local para, finalmente, se construir um centro cívico com a dignidade que o concelho e a cidade merecem.

      Claro que o bairro ou a serração da Capela não é o único bom local. Há mais, mas este local parece-me o melhor e o mais pacífico.

      Fica sempre a questão da promessa. Não me preocuparia tanto assim. Se uma promessa for cumprida com vantagem, o povo aceita. O essencial da promessa é a de construir os Paços do Concelho e, se estes forem construídos num bom local, será do agrado das pessoas.

      Para finalizar, gostaria de dar mais uma pequena dica: não tratemos tão mal as indústrias. Não tentemos escorraçá-las para fora. Criam riqueza, dão postos de trabalho e pagam impostos. Deixemo-las trabalhar onde estão. 
 
 

                              Afonso Paixão