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Deixem a Nato em paz

João Mendes

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A NATO não é o que Donald Trump quer que ela seja, dependendo de como acorda num determinado dia. E muito menos está ao serviço da sua oligarquia corrupta. Ou pelo menos não devia estar.

A NATO é uma aliança defensiva. Com regras bem definidas e plasmadas num tratado fundador. O objectivo primordial da NATO é garantir a defesa mútua dos seus membros. Não é atacar ninguém. E repare, caro leitor, que o que acabou de ler não é uma opinião minha. É o que está escrito no Tratado do Atlântico Norte, que deu origem à NATO e funciona como sua base legal. E foi exactamente com esses termos que os signatários concordaram e debaixo dos quais colocaram a sua assinatura.

Dito isto, o que aconteceu no Médio Oriente, por muito que abominemos o regime iraniano, e eu abomino-o com todas as forças, foi um ataque dos EUA e de Israel contra o Irão, não o contrário. Os Estados Unidos não foram atacados, o que significa que não existe enquadramento legal para envolver a NATO em mais um conflito provocado no Golfo Pérsico para encher os bolsos aos suspeitos do costume. E a Vladimir Putin, que é, literalmente, o grande vencedor desta guerra.

Por essa razão, e porque nenhum aliado europeu foi consultado, tido ou achado, os membros da NATO não têm qualquer obrigação de intervir, ou sequer de disponibilizar bases da NATO em território europeu. E foi o que fez gente tão diferente como Emmanuel Macron, Pedro Sánchez ou Giorgia Meloni. Porque esta não é uma questão ideológica. É uma questão de lógica, bom senso e racionalidade. Para aprendizagem futura, já nos chegaram os desastres no Iraque e no Afeganistão. Para mais desses não nos convidem. Convidem Durão Barroso, José María Aznar e Tony Blair.

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E sim, é verdade que já nos deixamos arrastar para guerras imperalistas no passado. Mas tivemos sempre um pretexto, melhor ou pior (regra geral péssimo, é certo) para justificar uma intervenção. Aqui não houve sequer a habitual encenação formal. O próprio Trump garantiu ter obliterado o programa nuclear iraniano, de maneira que a ameaça da bomba atómica também não cola. Trump iniciou uma guerra porque um criminoso de guerra – e um corrupto, já agora – chamado Benjamin Netanyahu o convenceu a atacar o Irão. É com eles. A Europa não tem nada a ver com isso.

Luís Montenegro, quiçá com os olhos numa carreira à la Durão Barroso, decidiu seguir-lhe as pisadas e abriu as portas da Base das Lajes à guerra israelo-americana contra o Irão. Se os delinquentes da Guarda Revolucionária do Irão decidirem retaliar contra nós, através, por exemplo, de um atentado terrorista, o sangue das vítimas estará, também, nas mãos do primeiro-ministro, que decidiu envolver Portugal numa guerra com a qual não temos nada a ver.

Que isto fique muito claro: Montenegro tinha duas opções. A primeira consistia em seguir as pisadas dos governos espanhol, italiano, francês ou suíço e afastar-se categoricamente desta guerra. A segunda era fazer o papel de lacaio da administração Trump. Montenegro escolheu a segunda opção e arrastou-nos a todos com ele.

Aparentemente, não aprendemos nada com a Guerra do Iraque. Aliás, o PSD não aprendeu nada com a Guerra do Iraque. Já Espanha, França, Itália e até a Suíça, entre outros, terão aprendido qualquer coisa. Se Montenegro, a sua entourage do PSD, os seus spinmasters e os seus aliados do CH querem ir para a guerra, que se ofereçam como voluntários e nos deixem em paz.

Só não nos venham encher a cabeça com o argumento da NATO. A NATO não tem qualquer tipo de obrigação no âmbito deste conflito. Nada, nicles, zero. Cabe a Trump e à sua corja de corruptos, bandidos e criminosos de guerra resolver a porcaria que fizeram e deixar-nos em paz.

Artigo de opinião de João Mendes

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