Leve, fresco, e no entanto cheio de poesia. Assim foi o concerto dos Virgem Suta no Teatro Municipal de Vila do Conde.

Com uma simpatia e uma genuinidade que vem do ADN destes dois músicos, Nuno Figueiredo e Jorge Benvinda, os Virgem Suta são uma espécie de cruzamento entre Pop moderna e Portugalidade, que faz deles únicos e deliciosos ao ouvido.

Num cenário bastante portátil e original, entre caixas de cartão que tão bem representaram o seu “Doce Lar”, os Sutas brindaram o público presente com uma mão cheia de grandes canções dos seus dois trabalhos “Virgem Suta” e “Doce Lar” e também foram brindando com o seu vinho Alentejano, pois está claro.

A Família, como os músicos foram chamando ao público presente, foi correspondendo aos apelos que vinham do palco em canções que já são pequenas peças de luxo do quotidiano musical português, como “Dança de Balcão” “Tomo conta desta tua Casa” ou o mais recente“Maria Alice”, embora todo o alinhamento foi cantarolado e seguido com atenção. Até a versão de PlayBack de Carlos Paião, cantada antes do encore, suou muita a Virgem Suta, sem perder a origem.

Um concerto genuíno, cheio de pequenas peças de improviso resultantes das brancas de Jorge Benvinda, e o constante diálogo entre os músicos e a sua Família, num concerto cheio de intimismo natural e de uma perfeita simbiose entre músicos e público.

Houve tempo para encore, sem que houvesse sequer hipótese para que os Sutas se fossem embora do Palco, terminando o concerto em total apoteose com uma invasão de palco de parte do Público, com “Tomo conta desta tua Casa”  a dar o colorido final a esta festa.

Brinde aos Sutas por um magnífico serão.

No final do concerto, trocamos umas impressões com os músicos da banda, falando sobre a carreira da banda e as expectativas que giram à volta deste seu 2º trabalho “Doce Lar”, e descobrimos uns verdadeiros senhores da música, muito interessados em fazer o que gostam de fazer, música,  sem grandes expectativas mas com a consciência de que cada trabalho é um culminar de esforço para a sua dedicação ao projecto, que é sempre bom ver a luz do dia de um trabalho novo, mas sempre longe de um deslumbramento pelo meio musical, estando mais interessados em fazer o que gostam, música, e no palco conde se sentem em casa, o seu Doce Lar.

Não procurando propositadamente ser únicos, acabam por se tornar pela mistura de influências que da dupla que se funde numa originalidade da qual sentem consciência, mas que flui naturalmente.

Questionados sobre o facto de algumas das suas canções já se terem tornado intemporais, disseram que lhes dá gozo sentir que as pessoas ouvem os temas e que estes lhes dizem algo em particular, fazendo parte do seu universo e da sua própria estória. Gostavam que as suas canções perdurassem no tempo e fossem ouvidas daqui a 40 anos como sendo grandes músicas, pois será sinal de que o seu trabalho vale a pena.

Por fim, sobre como surgiu o encontro entre um Homem do Norte e Um Alentejano de Gema, os Sutas contaram a sua pequena estória de Amor, que não foi à primeira vista, já lá vão 18 anos, lá por Beja, mas que se tornou numa relação duradoura que se chama Virgem Suta e que é uma aventura que lhe dá gozo e que brinda a grande família que é  os seu público som grandes canções de um quotidiano bem Português.

Texto: Ângelo Ferreira

Fotos: Miguel Pereira

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