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Edição 429

TUDO COMEÇA NA BARRIGA DA NOSSA MÃE

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A alimentação é um mundo. Nós somos, irrevogavelmente, aquilo que comemos! E o mais incrível é que tudo começa na barriga da nossa mãe. Já aí estamos a adquirir hábitos alimentares dependentes da alimentação da mãe.

Cada vez mais há evidência que aponta que o crescimento fetal (e infantil) influencia a saúde do adulto. A alimentação é tão importante que as escolhas de hoje afetam os anos futuros! Escolhas antes da gravidez, no período pré-natal, quando a mulher pretende engravidar, escolhas durante a gravidez, escolhas durante a infância, onde os pais têm um papel extremamente importante, adolescência e vida adulta. As nossas escolhas serão, inevitavelmente, a nossa futura imagem.

Um dos momentos críticos do desenvolvimento fetal dá-se entre as primeiras duas e oito semanas de gestação, período no qual muitas mulheres ainda não sabem da existência de outro ser dependente de si. Isto justifica a importância da mulher adaptar a sua alimentação mesmo antes de pensar em engravidar! Uma baixa ingestão de vitamina E, ácido fólico e magnésio no período pré-concecional estão associadas, entre outros efeitos nocivos, a restrição do crescimento intrauterino. Por outro lado, sabe-se que o ácido fólico silencia genes promotores do apetite ao nível do hipotálamo. Por outras palavras, os filhos de mães com deficiência nesta vitamina terão um maior apetite e maior probabilidade de excesso de peso e obesidade no futuro.

A exposição ao fumo de tabaco, mesmo antes da gravidez, parece ser um fator de risco para o desenvolvimento de obesidade da criança, depois do nascimento. O mesmo acontece em mães que aumentam excessivamente de peso durante a gravidez.

É atualmente incontestável que o ambiente intrauterino influencia o desenvolvimento do bebé, podendo desencadear mudanças estruturais e funcionais que provavelmente persistirão por toda a vida. A teoria da programação de doenças crónicas in utero tem reunido fortes provas ao nível da suscetibilidade a doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, esquizofrenia, síndrome metabólica e obesidade na idade adulta.

Por outro lado, será que podemos, durante a gravidez, mudar e modelar as preferências alimentares da criança que vai nascer? Afinal, sabe-se que o bebé reconhece e prefere a voz da mãe mesmo antes de nascer! Como será relativamente à alimentação?

Cada vez mais surgem estudos que estudam os flavours (análise sensorial que engloba o aroma e o sabor) da alimentação da mãe. Estes parecem ser transmitidos para o fluido amniótico. Assim, o feto, que desde cedo engole fluido amniótico, estará exposto a estes flavours. Por exemplo, observou-se numa criança cuja mãe, durante a gravidez, ingeria frequentemente açorda alentejana – cheia de flavour (alho, coentros, fio de azeite…) que a reação à primeira papa de açorda (ao invés das papas comerciais) era de perfeita tranquilidade. Como se já estivesse perfeitamente habituado à açorda!

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Esta exposição de flavours inicia-se na gravidez e continua no período de amamentação. Os bebés amamentados experimentam precocemente uma variedade de flavours que não estão presentes nas fórmulas comerciais, o que vai influenciar a sua reação à diversificação alimentar. Ao contrário do que se pensava há anos, durante a amamentação, a mãe deverá expor-se aos mais variados alimentos e flavours para estes passarem para o leite e, assim, o bebé reconhecê-los e adaptar-se a eles!

Haverá bem mais precioso que a saúde? Ela inicia-se na barriga da nossa mãe, tendo a alimentação um papel preponderante! Assim, a referenciação, em tempo útil, de mulheres grávidas ao nutricionista poderá ser um ponto de partida para a adequação da dieta e da suplementação às necessidades da mãe e do filho.

Afinal, “Somos o que comemos” ou “Somos o que a nossa mãe comeu”…?

Ana Isabel Ferreira – Estagiária de nutrição 

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Edição 429

No centro, o emprego.

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Gualter-Costa

A recente formalização da candidatura do Bloco de Esquerda aos órgãos autárquicos trofenses já apresenta resultados tangíveis. O até agora tabu do desemprego em terras trofenses começou finalmente a ser quebrado e a entrar no léxico dos candidatos autárquicos.

Um exemplo dessa mudança, verificou-se na recente visita ao centro de emprego do candidato da coligação, que tropeçou na atual matriz ideológica do seu partido de redução em massa de serviços públicos e prometeu um novo Centro de Emprego para a Trofa. Não é que o Concelho da Trofa não necessite de um centro de emprego com todas as valências, mas mais prioritário que um novo Centro de Emprego, é criar condições para que haja emprego para todos no concelho. Por definição, os Centros de Emprego não criam por si só emprego. Quem cria emprego são as empresas locais e o Estado.

Todos sabemos que a ironia, os paradoxos ideológicos pré-eleitorais e as promessas de algibeira funcionam hoje bem melhor na dimensão política, que qualquer projeto, qualquer programa ou qualquer estratégia devidamente fundamentada. Mas, sabemos também que já vivemos há demasiado tempo nesta era de confusão cromática, de elasticismo ideológico, do sound bite de circunstância. Conhecemos hoje o destino desse caminho em vão, que temos andado a trilhar. O povo, talvez por força das dificuldades, está hoje muito mais informado, exigente e atento aos populismos de oportunidade e aos ilusionismos da palavra.

O Povo, conhece hoje pelo nome os verdadeiros responsáveis pelas desastrosas políticas da troika que teimam em ser implementadas em Portugal. Sabe quem são os arquitetos da mais alta taxa de desemprego da nossa história. Sente os efeitos nefastos para a nossa economia da destruição de milhares e milhares de empregos, fruto das políticas neoliberais. Está atento à anunciada sangria nos serviços públicos no Estado Social (e que estrategicamente será posta em prática após as eleições autárquicas). Parafraseia os célebres “convites” à emigração dirigidos aos jovens, pelo senhor Primeiro Ministro e sucessivamente repetidos e corroborados por vários ministros do atual governo. O povo, já não se ilude facilmente. Sabe hoje discernir o trigo do joio.

É pois tempo de pôr fim a este falso paradigma comunicacional e repensarmos a forma como respeitamos e comunicamos com os nossos eleitores. Este é o tempo de apresentar propostas claras, concretas e fundamentadas aos nossos munícipes. Os portugueses, e os trofenses em particular, estão hoje a sentir na pele o elevado peso das promessas vazias, dos discursos lacrimejantes, dos inúmeros esboços de projetos megalómanos (apenas para iludir, mas para nunca para serem realizados).

Infelizmente, o combate à oficial taxa de 22% de desemprego por terras Trofenses, não pode limitar-se a uma redutora proposta de criação de um novo Centro de Emprego. É útil mas insuficiente. O desemprego no nosso concelho é um problema estrutural, complexo e que necessita de uma abordagem profunda e multidisciplinar. É urgente abordar e analisar todas as dimensões que estão por detrás desta elevada taxa de desemprego, uma das mais elevadas do país.

É necessária a apresentação de propostas concretas e vontade para combater com determinação as causas do elevado desemprego no concelho. São necessárias decisões e projetos que sirvam de estímulos à criação de novo emprego local. Urge dissecar todas as dimensões da reduzida atratividade para o investimento do concelho. Definir os clusters em que devemos apostar e desenhar uma estratégia para o desenvolvimento a médio-longo prazo. É imprescindível contrariar a contínua deslocalização de empresas da Trofa para os concelhos vizinhos.

Para o BLOCO DE ESQUERDA TROFA o combate ao desemprego é uma prioridade cimeira no seu projeto autárquico para a Trofa. Entendemos que na atual conjuntura são prioritárias e imperativas, novas políticas municipais verdadeiramente centradas na promoção do emprego.

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Assim, são pedras basilares do nosso projeto autárquico, a melhoria e construção de novas acessibilidades por todo o concelho; novas ligações com o concelho de V. N. Famalicão, através da construção de novas travessias do Rio Ave; incentivar a reabilitação urbana; substituir as onerosas subcontratações de serviços externos por parte dos organismos públicos locais, privilegiando-se a criação de novo emprego público (em especial na área social); melhorar e ampliar a rede de transportes públicos em todo o concelho; ajustar a política fiscal da autarquia com vista à captação de novo investimento; redução significativa dos custos da água para as PME’s locais; formação profissional contínua enquadrada com as necessidades das nossas empresas; criação de incubadoras de empresas e de gabinetes de apoio às microempresas em todas as freguesias; afirmar uma imagem qualificada e divulgar de forma adequada os produtos originários do Concelho.

 Gualter Costa

Coordenador Concelhio Bloco de Esquerda Trofa.

gualter.costa@outlook.com

 

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Edição 429

Que a minha liberdade conviva com a sua

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A raiva que muitos sentem em relação à classe política tem vindo a crescer, principalmente após os atos eleitorais em que cada um deposita na urna um voto de esperança, que diminui muitas vezes logo no dia seguinte e que se vai desvanecendo cada dia que passa. O aumento dessa raiva, muitas vezes contida sabe-se lá porquê, vem das promessas por cumprir pelos políticos eleitos, que quando chegam ao poder, invariavelmente fazem o contrário do que prometeram. O caso dos aumentos de impostos é paradigmático!

É verdade que não se pode esquecer que “eles”, os políticos somos “nós”, pois vivemos numa República, portanto “eles” fazem parte da sociedade onde estamos inseridos, convivem connosco, não nos são estranhos. Quando se elegem os políticos para governar é porque se acredita que eles farão o melhor que sabem e podem, em prol da nossa felicidade. É para isso que os elegemos.

Quanto maior tem sido a expetativa nos políticos, maior tem sido a frustração. Tem sido assim desde a “Revolução dos Cravos” em que as expetativas foram elevadas e depois foi aquilo que se viu: desilusão, tristeza, descrença e raiva. Foram eleições e mais eleições; depois das promessas veio a desilusão; com os diferentes governos veio a tristeza; com os atos eleitorais veio a descrença; com o decorrer do tempo veio a raiva aos políticos e também à política. Infelizmente para a democracia.

Foi o desbaratar de fundos comunitários em obras, muitas delas faraónicas e inúteis em troca do “abate da fruta e da frota”; foi a entrega dos principais negócios de estado ao grande capital; foi a nacionalização de bancos, com o estado a assumir todos os prejuízos; foi a celebração dos ruinosos contratos de parceria público-privada, com todos os lucros garantidos aos concessionários, correndo o estado todos os riscos; foi o aumentar constante dos impostos, mesmo depois das promessas feitas em sentido contrário; etc… etc… etc… O que poderiam esperar os políticos, depois de tudo isto? Obviamente a raiva a crescer nos dentes dos portugueses!

Pode ter uma opinião contrária, mas que a minha liberdade conviva com a sua. É urgente sensibilizarmo-nos e em solidarizarmo-nos com os nossos concidadãos, que vivem uma situação calamitosa e dramática. É uma vergonha que deveria envergonhar todos nós, pois é uma vergonha nacional: um milhão de portugueses que estão no desemprego; dois milhões de portugueses que estão na pobreza; quatro milhões de pessoas como nós que estão no limiar da pobreza.

É uma calamidade social, que exige a mobilização de todos, a começar pelos políticos – desde o Autarca ao Presidente da República, passando pelos Deputados e pelos Governantes -, que têm o dever de se entenderem para encontrarem uma solução eficaz, o mais urgente possível. Precisa-se de um pacto generalizado a toda a sociedade a favor dos portugueses, principalmente dos mais desfavorecidos. Será assim tão difícil? Parece que não. O que é preciso é vontade. Vamos a isso!

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

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www.moreiradasilva.pt

 

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