A recente formalização da candidatura do Bloco de Esquerda aos órgãos autárquicos trofenses já apresenta resultados tangíveis. O até agora tabu do desemprego em terras trofenses começou finalmente a ser quebrado e a entrar no léxico dos candidatos autárquicos.

Um exemplo dessa mudança, verificou-se na recente visita ao centro de emprego do candidato da coligação, que tropeçou na atual matriz ideológica do seu partido de redução em massa de serviços públicos e prometeu um novo Centro de Emprego para a Trofa. Não é que o Concelho da Trofa não necessite de um centro de emprego com todas as valências, mas mais prioritário que um novo Centro de Emprego, é criar condições para que haja emprego para todos no concelho. Por definição, os Centros de Emprego não criam por si só emprego. Quem cria emprego são as empresas locais e o Estado.

Todos sabemos que a ironia, os paradoxos ideológicos pré-eleitorais e as promessas de algibeira funcionam hoje bem melhor na dimensão política, que qualquer projeto, qualquer programa ou qualquer estratégia devidamente fundamentada. Mas, sabemos também que já vivemos há demasiado tempo nesta era de confusão cromática, de elasticismo ideológico, do sound bite de circunstância. Conhecemos hoje o destino desse caminho em vão, que temos andado a trilhar. O povo, talvez por força das dificuldades, está hoje muito mais informado, exigente e atento aos populismos de oportunidade e aos ilusionismos da palavra.

O Povo, conhece hoje pelo nome os verdadeiros responsáveis pelas desastrosas políticas da troika que teimam em ser implementadas em Portugal. Sabe quem são os arquitetos da mais alta taxa de desemprego da nossa história. Sente os efeitos nefastos para a nossa economia da destruição de milhares e milhares de empregos, fruto das políticas neoliberais. Está atento à anunciada sangria nos serviços públicos no Estado Social (e que estrategicamente será posta em prática após as eleições autárquicas). Parafraseia os célebres “convites” à emigração dirigidos aos jovens, pelo senhor Primeiro Ministro e sucessivamente repetidos e corroborados por vários ministros do atual governo. O povo, já não se ilude facilmente. Sabe hoje discernir o trigo do joio.

É pois tempo de pôr fim a este falso paradigma comunicacional e repensarmos a forma como respeitamos e comunicamos com os nossos eleitores. Este é o tempo de apresentar propostas claras, concretas e fundamentadas aos nossos munícipes. Os portugueses, e os trofenses em particular, estão hoje a sentir na pele o elevado peso das promessas vazias, dos discursos lacrimejantes, dos inúmeros esboços de projetos megalómanos (apenas para iludir, mas para nunca para serem realizados).

Infelizmente, o combate à oficial taxa de 22% de desemprego por terras Trofenses, não pode limitar-se a uma redutora proposta de criação de um novo Centro de Emprego. É útil mas insuficiente. O desemprego no nosso concelho é um problema estrutural, complexo e que necessita de uma abordagem profunda e multidisciplinar. É urgente abordar e analisar todas as dimensões que estão por detrás desta elevada taxa de desemprego, uma das mais elevadas do país.

É necessária a apresentação de propostas concretas e vontade para combater com determinação as causas do elevado desemprego no concelho. São necessárias decisões e projetos que sirvam de estímulos à criação de novo emprego local. Urge dissecar todas as dimensões da reduzida atratividade para o investimento do concelho. Definir os clusters em que devemos apostar e desenhar uma estratégia para o desenvolvimento a médio-longo prazo. É imprescindível contrariar a contínua deslocalização de empresas da Trofa para os concelhos vizinhos.

Para o BLOCO DE ESQUERDA TROFA o combate ao desemprego é uma prioridade cimeira no seu projeto autárquico para a Trofa. Entendemos que na atual conjuntura são prioritárias e imperativas, novas políticas municipais verdadeiramente centradas na promoção do emprego.

Assim, são pedras basilares do nosso projeto autárquico, a melhoria e construção de novas acessibilidades por todo o concelho; novas ligações com o concelho de V. N. Famalicão, através da construção de novas travessias do Rio Ave; incentivar a reabilitação urbana; substituir as onerosas subcontratações de serviços externos por parte dos organismos públicos locais, privilegiando-se a criação de novo emprego público (em especial na área social); melhorar e ampliar a rede de transportes públicos em todo o concelho; ajustar a política fiscal da autarquia com vista à captação de novo investimento; redução significativa dos custos da água para as PME’s locais; formação profissional contínua enquadrada com as necessidades das nossas empresas; criação de incubadoras de empresas e de gabinetes de apoio às microempresas em todas as freguesias; afirmar uma imagem qualificada e divulgar de forma adequada os produtos originários do Concelho.

 Gualter Costa

Coordenador Concelhio Bloco de Esquerda Trofa.

gualter.costa@outlook.com