“Porta de Sabores” é o nome do projeto lançado pela autarquia, em colaboração com a Cruz Vermelha da Trofa, que fornece refeições à população carenciada.

Carlos (nome ficticio) passava fome. Todos os dias reconfortava o estômago com pão, ao almoço e ao jantar. A falta de outros alimentos nunca era colmatada, pois “não tinha mais nada para comer”. A reforma é toda canalizada na renda de um espaço que tem para dormir, porque passa “o dia todo a deambular”.

Água, nunca lhe faltou, “graças a Deus”, mas a solidão é um dos piores inimigos. No entanto, quando menos esperava, uma porta abriu-se e Carlos teve oportunidade de se nutrir com uma sopa bem quente e um prato, carinhosamente, confecionado pelas voluntárias da Cruz Vermelha. Desde terça-feira, este e muitos homens e mulheres carenciados do concelho podem alimentar-se, graças ao projeto “Porta dos Sabores”, desenvolvido pela autarquia da Trofa, em colaboração com a Cruz Vermelha.

Este refeitório social, situado num espaço do mercado da Trofa, é uma resposta à “realidade atual em que vivemos” e consiste no fornecimento de refeições ao almoço, lanche para final da tarde e jantar, em regime de take away, de segunda a sexta-feira. “Atravessamos uma situação económica muito complicada para as famílias, principalmente, para as pessoas mais desfavorecidas. Este é um projeto que se justifica cada vez mais, porque também se assume como uma preparação para o próximo ano, que se antevê negativo”, frisou Joana Lima, edil trofense, na inauguração desta valência.

Odete Maia, presidente da delegação da Trofa da Cruz Vermelha, está a concretizar um  sonho antigo e, por isso, desabafa: “Sou a mulher mais feliz do mundo”. O facto de ser um projeto que terá custos não é obstáculo, já que espera “a ajuda das pessoas”. “A Cruz Vermelha recebe mercearia da AMI (Assistência Médica Internacional) e do Banco Alimentar e abastece quase 300 famílias”, explicou Odete Maia. 

Noutra mesa, à frente de Carlos, também Jerónima Oliveira aproveita para reconfortar o estômago. Desempregada e “desprezada” pela família, enquanto mastiga o pão com a sopa, a mulher aproveita a presença das  câmaras de filmar para enviar uma mensagem à filha, que está em Vila Ramadas, depois de ter sido internada com anorexia nervosa. À simpatia das voluntárias da Cruz Vermelha, Jerónima responde com um sorriso tímido e inocente: “Obrigada pelo apoio que me estão a dar”. “Estava com o rendimento mínimo, mas agora não tenho ajuda de ninguém. Antes da Cruz Vermelha, ia a casa de uma senhora que me dava almoço e jantar. Gosto muito dela, é como se fosse uma irmã para mim”, desabafa. Os utilizadores do refeitório social – que começou com 14 inscrições – são admitidos através de um encaminhamento efetuado pela Loja Social. A admissão do utilizador será concretizada através do preenchimento da ficha de inscrição e cartão de utilizador pelo técnico de acompanhamento.

Os beneficiários são pessoas com precariedade habitacional e económica e semabrigo. A comparticipação dos utilizadores será estabelecida de acordo com os rendimentos que possuem.

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