O PCP da Trofa considera que “as tentativas demagógicas de responsabilização individual do PS ou do PSD” sobre a questão do metro até à Trofa “é um ‘pingue-pongue’”. O partido apresentou um Projeto de Resolução na AR para que a 2ª fase integre a extensão da Linha Verde até à cidade trofense.

 

Considerando que “a questão do Metro da Trofa exige um claro esclarecimento dos cidadãos que há muito lutam e, justamente, reivindicam este importante investimento público”, a Comissão Concelhia (CC) da Trofa do Partido Comunista Português (PCP) reprovou as posições públicas sobre o tema. Em comunicado, os comunistas referem que “vir a público tentativas demagógicas de responsabilização individual do PS ou do PSD sobre esta questão é um ‘pingue-pongue’ entre jogadores responsáveis pela não construção do Metro”.

Os elementos concelhios do PCP relembraram que “a administração da Metro do Porto foi forçada a cortar o seu endividamento, aquando da aprovação do Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) para 2010-2013 e do Orçamento de Estado (OE) para 2011” e que “quem aprovou estes documentos, na Assembleia da República (AR), foram o PS e o PSD”.

Esta foi a forma de o partido relembrar as diligências tomadas em defesa da vinda do metro até à Trofa. “O PCP tem uma ‘cara’ junto dos trofenses e a mesma na Assembleia da República. O mesmo não se pode dizer das forças políticas do PS e PSD”, frisaram os elementos da CC.

Os comunistas relembraram a visita do deputado Honório Novo (eleito pelo distrito) à Trofa e as suas intervenções na AR em torno da questão do metro.

Recentemente, o PCP apresentou, na AR, um Projeto de Resolução sobre o lançamento do concurso público da 2ª fase da rede do metro do Porto.

No documento, os comunistas propõem que nesta fase “seja integrado o prolongamento da Linha C entre o ISMAI e a cidade da Trofa”. O partido defende que esta medida “é uma questão de princípio e de ética”, até porque vai de encontro “ao Memorando de Entendimento subscrito entre o Governo e Junta Metropolitana do Porto, em maio de 2007, através do qual se processou a governamentalização da gestão da Metro do Porto, em detrimento da posição maioritária que nele, justamente, estava atribuída ao poder local”.

Para os comunistas, “a primeira fase nunca foi integralmente construída, já que a linha verde não foi concluída na sua totalidade, não obstante os sucessivos compromissos assumidos – sempre reiteradamente adiados – com aquele concelho e sua população”.

Sublinhe-se que as populações situadas para norte do ISMAI, que deveriam já ter o serviço do metro do Porto, estão a ser defraudadas há mais de dez anos, quando lhes foi retirado o comboio que ligava a antiga Estação ferroviária da Trindade, no centro do Porto, à Trofa”, referem no Projeto de Resolução.

O PCP questiona ainda o facto de o concurso para a linha da Trofa ter sido lançado, “sem que todos os estudos tivessem sido realizados e concluídos”. Os comunistas consideram que a “invocação da necessidade de novos ‘estudos’”, proferida pelo presidente da Metro do Porto, Ricardo Fonseca, aquando a anulação do concurso, “para relançar a empreitada para depois de 2014 não radica, por isso, em critérios de verdade, quiçá se pretenda apenas começar a tratar do ‘enterro definitivo’ do projeto de construção da extensão da linha C para a Trofa”.

 

Ministério respondeu a Honório Novo

A 27 de agosto de 2010, Honório Novo questionou o Governo sobre a extensão da linha C (verde) do ISMAI à Trofa.

No documento, o deputado exigia saber da Administração Central os motivos que levaram à suspensão do concurso internacional para o troço da linha até à cidade trofense. A resposta foi dada a 19 de janeiro deste ano, na qual o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações justifica a anulação do concurso com a necessidade de as empresas públicas, neste caso a Metro do Porto, fixarem um limite máximo para o crescimento anual do endividamento.

No caso particular do Metro do Porto, é do conhecimento público que se trata de um sistema deficitário (…) a empresa tem registado, desde o início da exploração, uma situação de substanciais défices anuais crónicos que se traduzem num aumento anual, contínuo e acelerado do seu endividamento”, pode ler-se na resposta do Gabinete do ministro, António Mendonça. Face ao exposto, a situação da empresa “torna incomportável a prossecução do concurso para a Linha da Trofa”. No entanto, o Ministério salientou que não só esta obra sofreu um revés, exemplificando com “as alterações introduzidas logo no início de 2010 no projeto global da rede de alta velocidade bem como a reavaliação das fases 2 e 3 do plano de expansão do Metro de Lisboa”.