Oficina Musical da EB 2/3 de Alvarelhos junta alunos, professores e funcionários. Projeto já recebe elogios vindos dos quatro cantos do concelho.

Quarta-feira, 14 horas. A EB 2/3 de Alvarelhos está quase deserta. Não há aulas, mas mesmo assim há alunos que ficam na escola. É o caso de Rita Carvalho que, em vez de “ficar em casa sem fazer nada” na tarde sem aulas, mantém-se dentro dos muros do estabelecimento para se divertir e fazer aquilo que gosta: cantar.

Alimenta a paixão por esta arte na Oficina Musical da escola, composta por cerca de 20 elementos. E não só de alunos se faz este grupo: os professores e funcionários também se juntam aos jovens para fazer deste projeto um dos mais invejados no concelho.

Esta interação entre alunos e docentes é “a maior vantagem da Oficina”, cuja qualidade já ecoa pelos quatro cantos da Trofa. Hélder Magalhães e Argentina Nunes são os professores responsáveis pela Oficina, que “abraçaram” e ajudaram a impulsionar há dois anos. Confirmam que o feedback relativamente ao projeto tem sido “muito positivo não só por parte daqueles que integram o grupo, mas também por aqueles que ouvem”.

“Isto é mérito da direção, que proporciona aos alunos, num meio em que não existem muitas escolas de música, a possibilidade de a ter de uma forma gratuita”.

O professor confirma que tem “descoberto imensos talentos” na escola e o segredo para os fazer estar dentro de uma sala numa tarde de quarta-feira é simples: “O gosto que eles têm pela música”. A isso junta-se o papel dos professores que lhes transmitem a necessidade de “responsabilidade e a ideia de que só com muito trabalho é que se podem apresentar em público”.

Se inicialmente há uma distância formal entre o aluno e professor, o tempo encarrega-se de a apagar. Ricardo Matos é professor de Educação Moral, Religiosa e Católica e não dispensa os momentos que desfruta na Oficina Musical, pois sente que no grupo “todos são iguais”. Enquanto canta e toca viola, Laura Santos, professora de Inglês, só “empresta” a voz. Faz parte deste projeto, porque considera que “ajuda a melhorar o relacionamento com os alunos e a nível disciplinar devido à interação entre a comunidade escolar”.

A Oficina Musical está aberta a novos elementos, “desde que não haja concertos próximos”. “É preciso trabalhar e estar nos ensaios para presentear o público com música de qualidade. Se vierem numa altura em que não haja nada previsto podem aparecer, senão terão que esperar para uma fase posterior”, explicou Hélder Magalhães.

O grupo tem já dois concertos agendados para maio, um no dia 11 na Casa da Cultura e outro que está integrado numa atividade da escola.

Na sala canta-se músicas da atualidade como “Movimento Perpétuo Associativo”, dos Deolinda, ou “Voar”, interpretado por Tim e Rui Veloso.