Depois, de no passado mês de Abril ter sido eleito em "directas", por 75% dos votos dos militantes, o Congresso do CDS/PP elegeu a Comissão Política encabeçada por Paulo Portas com 82,4% e a sua moção registar apenas três votos contra e a sua lista para o Conselho Nacional, a lista do líder conseguiu três quartos dos lugares.

     O ex-Presidente do CDS/PP, José Ribeiro e Castro, acabou por não marcar presença no conclave de Torres Novas, e apenas dois ex-membros da sua direcção usaram da palavra no Congresso.

      O Congresso integrou nos estatutos do CDS/PP as correntes de opinião que acabou por ser um dos temas que dominou o debate. António Pires de Lima, antigo vice-presidente do partido, já deu a cara pela tendência liberal e protagonizou uma das intervenções mais marcantes do Congresso, onde apelou ao CDS/PP para que, mais do que tolerar, respeite as diferenças e seja pró-activo na produção de iniciativas legislativas nesta área.

     Na direcção política de Paulo Portas surgiram novos nomes, sobretudo ligados ao mundo empresarial, como João Ribeiro da Fonseca ou Miguel Morais Leitão. Luis Nobre Guedes volta a ser o número dois do partido, pois surgiu como primeiro vogal da comissão política. O líder da Juventude Popular, João Almeida, é o novo secretário-geral do partido e cabe a João Rebelo a responsabilidade financeira do partido e ao ex-líder parlamentar, Nuno Melo, as funções de porta-voz da direcção. A mesa do Congresso continua a ser presidida por Luis Queiró e António Pires de Lima será o presidente da mesa do Conselho Nacional. Nuno Magalhães, antigo Secretário de Estado da Administração Interna, é o novo Presidente do Conselho Nacional de Jurisdição.

     A nova direcção do CDS/PP vai constituir "grupos de missão" para avaliar um conjunto de políticas, nas áreas da energia, emprego, família, União Europeia e voluntariado. Estes grupos, que funcionarão junto do Conselho Económico e Social do partido, devem apresentar estudos à direcção até ao Outono e o primeiro "grupo de missão" será sobre política energética em Portugal e vai analisar a aposta nas energias renováveis, enquanto o segundo terá por âmbito a competitividade e o emprego que tem como o melhor aliado a rigidez dos socialistas, a rigidez dos marxistas.

     Demografia e políticas familiares é o tema do terceiro "grupo de missão", que Paulo Portas quer ver apresentar soluções «verdadeiramente ousadas» de conciliação da vida familiar com a vida profissional. A reforma institucional da União Europeia e a questão da adesão da Turquia serão estudadas por outro "grupo de missão". Uma matéria que tem sido esquecida da agenda nacional é o voluntariado que será trabalhado pelo "grupo de missão" respectivo.

     No discurso de encerramento do XXII Congresso do CDS/PP, Paulo Portas afirmou que este Congresso revelou um CDS que começa a ser uma realidade diferente: os portugueses que o CDS representa e quer representar, apreciam a diferença

 mas não premeia os conflitos. Afirmou também, Paulo Portas, para não contarem com um CDS dividido sobre si próprio, avisou, saudando, contudo, a institucionalização nos estatutos do partido das correntes de opinião.

     O novo líder do CDS/PP, Paulo Portas, considerou que este Congresso foi um bom Congresso para um novo tempo e uma nova atitude. Em relação ao passado, Paulo Portas considerou que houve muita maturidade de parte d'aqueles que têm estado sempre ao seu lado.

José Maria Moreira da Silva         

   moreira.da.silva@sapo.pt