Hoje, dia 23 de Maio, no Museu Municipal Abade Pedrosa, ficaram conhecidos os nomes dos cinco artistas cujas obras vão integrar o próximo Simpósio Internacional de Escultura de Santo Tirso (oitava edição). Com a presença do presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso, Castro Fernandes, e do comissário artístico nacional dos simpósios, Alberto Carneiro, foi lançado oficialmente o catálogo referente ao VII Simpósio que contou com as obras dos escultores José Barrias, Peter Stämpfli, Leopoldo Maler, Peter Klasen e Suk-Won Park. O Museu, tal como refere Castro Fernandes, "está a chegar à sua maturidade", uma vez que o décimo e último Simpósio está previsto para 2011. 

Apresentadas as obras que integraram o Museu em 2004, data em que decorreu o VII Simpósio, foi a vez de serem conhecidos os novos autores. Wang Keping, Bernard Pages, Michel Rovelas, Vladimir Velickovic e a portuguesa Ângela Ferreira são os cinco artistas cujas obras integrarão este VIII Simpósio Internacional de Escultura. Este ano, o local de acolhimento das obras de arte é o Parque Urbano de Rabada. 

"Desde 1991, a cidade de Santo Tirso acolhe o Simpósio Internacional de Escultura de Santo Tirso, reunindo Escultura de peter klasen criado na 7ª ediçãoartistas de todo o mundo que aqui esculpem as suas peças previamente projectadas", referiu o autarca. Castro Fernandes acrescentou ainda que "os Simpósios são uma fonte de produção para o próprio Museu, que continuará a crescer pelos espaços públicos de Santo Tirso até 2011". "As participações são criteriosamente escolhidas por Alberto Carneiro (comissário nacional) e Gérard Xuriguera (comissário internacional) obedecendo a princípios de qualidade", acrescenta. Na apresentação, o presidente da Câmara anunciou um novo projecto que surge associado ao SImpósio. "Abre-se um novo espaço de acolhimento destas obras de arte, que se prevê venha, com a nona edição do Simpósio, a ligar à cidade através do percurso a construir ao longo da margem do Rio Ave. Também este percurso está já a ser projectado de modo a incorporar espaços para a localização de novas esculturas. O Museu Internacional de Escultura Contemporânea ganha outra dimensão, na qual o diálogo com o espaço aberto e a natureza se assumem como protagonistas", declara o autarca. Castro Fernandes destacou ainda a possibilidade da criação de um edifício que servirá de sede (espaço interpretativo) ao Museu. "Prevê-se a construção de um edifício sede, que funcionará como recepção e onde estará depositada toda a informação do museu. Este espaço interpretativo permitirá ao visitante, ao estudioso ou ao simples amante de arte, entender o museu, relacionando cada obra com o seu autor e com o conjunto de outras obras, aqui localizadas ou noutros lugares do mundo, sugerindo percursos e leituras que embora assentem no território de Santo Tirso ultrapassam a sua dimensão física", esclarece. 

O Museu Internacional de Escultura ao Ar Livre foi o primeiro a surgir em Portugal e um dos primeiros da Europa. A sua unicidade prende-se com o custo reduzido que implica, uma vez que as obras são criadas gratuitamente pelos artistas, havendo apenas custos de deslocação e estadia. Da responsabilidade da Autarquia, o Museu Internacional de Escultura Contemporânea de Santo Tirso existe desde 1991 e o seu espólio é constituído por 39 esculturas concretizadas pelas mãos de artistas nacionais e estrangeiros, de grande prestígio internacional, localizadas em diferentes espaços públicos do Município de Santo Tirso. Elaboradas a partir dos mais diversos materiais – como o granito (típico da região), ou aço, mármore ou ferro -, as esculturas inserem-se numa exposição permanente ao ar livre que integrará 50 obras de arte inéditas. Este Museu, de características únicas no País, possibilita a fruição pública das esculturas instaladas por toda a cidade, que transformam os verdes espaços comuns de Santo Tirso em tertúlias de comunicação, nas quais se estabelece uma relação privilegiada e íntima entre a escultura, o meio e o seu público. 
 

Os novos autores do VIII Simpósio Internacional de Escultura 

Wang Keping

Nascido em Pequim, Wang Keping foi um dos fundadores do primeiro grupo artístico não-conformista, denominado The Stars ou Xingxing. O grupo, conhecido pela sua individualidade, organizou uma exposição de contestação ao regime Comunista, em plena Revolução Cultural, que marcou o futuro da liberdade de expressão artística chinesa.

É um verdadeiro artista plástico contemporâneo que usa a arte para exprimir os seus sentimentos. Das suas obras mais mediáticas consta a escultura de sátira de Mao Tsé-Tung e à sociedade chinesa "cega e amordaçada", do período comunista.

Após ter-se mudado para Paris, em 1984, as suas obras tornaram-se menos políticas, partilhando uma nova visão da experiência humana. Wang cria esculturas de corpos e formas, surgidas da madeira que nos lembram os princípios Zen de Yin-Yang, através dos quais pretende alcançar a universalidade. 

Bernard Pages

O artista francês que abandonou a pintura para se dedicar à escultura, identifica-se tanto com a corrente impressionista, como com a moderna ou contemporânea. A sua primeira exposição pessoal acontece em 1975, na Galeria Eric Fabre, mas é em 1983 que se destaca dos vários artistas plásticos ao consagrarem-lhe uma exposição no Centro Georges Pompidou.

As suas criações foram bastante influenciadas por Claude Viallat, Bernar Venet, Erik Dietman, Patrick Saytour, Daniel Biga e Daniel Dezeuze. Os materiais mais usados por Bernard Pages são o gesso, terra, madeira e pedra. 
 

Michel Rovelas

Natural do Guadalupe, Rovelas deixa transparecer todas as heranças culturais e artísticas que recebeu, enriquecendo as suas obras de sentimentos de reivindicação social e histórica para o seu povo. Admirador de Picasso, explora as aparências, uma percepção do mundo única pormenorizada, imbuída de um espírito impressionista, de carácter analítico de uma memória viva.

Inscrito no Movimento Koukara, para Michel Rovelas a obra-de-arte tem valor enquanto testemunho, impressão, determinação, exaltando a dimensão primitiva, a memória, a história, as tradições, possibilitando um retorno às fontes, às raízes. O movimento surge no âmbito da problemática da arte moderna internacional, em que se articula uma simbologia artística, assim como uma estética contemporânea do Caribe.  
 

Vladimir Velickovic

Vladimir Velickovic nasceu em Belgrado, Jugoslávia, em 1935. É licenciado em Arquitectura pela Faculdade de Arquitectura da Universidade de Belgrado e tornou-se professor de Desenho e Pintura Ecole Nationale Supérieure des Beaux-Arts, em Paris, onde se fixou desde 1966.

Velickovic é a par de Lucien Freud, Paula Rêgo e do falecido Francis Bacon, artista exclusivo da prestigiante e referencial galeria "Marlborough Fine Art" de Londres, tendo realizado a primeira exposição individual em 1963 no Museu de Arte Moderna de Belgrado. Desde então, tem estado nos principais museus e galerias internacionais.

Inspirado por uma corrente do pós-guerra, a sua obra denota uma linguagem, de certo modo, perturbante que explora a realidade de guerra como uma inigualável lição de vitalidade e de energia. Um elo entre futuro e memória, velocidade e esquecimento. 
 

Ângela Ferreira

Ângela Ferreira é natural de Maputo e exerce a sua actividade entre Lisboa e a Cidade do Cabo, África do Sul. É videasta, fotógrafa, escultora, cria instalações artísticas e lecciona na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

Das várias exposições individuais que realizou, destacam-se as do Brasil, Espanha, EUA, África do Sul e Portugal, onde expôs trabalhos que retratavam a relação entre África e Europa. As suas obras escultóricas são, frequentemente, acompanhadas de texto, fotografia e vídeo, apresentando uma visão sobre a apropriação e desconstrução de espaços e objectos artísticos, referências políticas e sociais, o original e o simulacro.