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Novos achados reforçam potencial arqueológico do Castro de Alvarelhos

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As escavações arqueológicas que decorrem durante o mês de julho no Castro de Alvarelhos continuam a revelar novos vestígios da ocupação humana daquele que é um dos mais importantes sítios arqueológicos do Noroeste Peninsular. Promovida pela Câmara Municipal da Trofa, em parceria com a Universidade do Porto, a campanha deste ano voltou a colocar a descoberto estruturas e materiais que ajudam a compreender a evolução do povoado entre a Idade do Ferro e a época romana.

Os trabalhos integram um projeto de investigação iniciado em 2020, que reúne anualmente docentes, investigadores e estudantes de Arqueologia da Universidade do Porto.

Segundo a docente Daniela Ferreira, a intervenção decorre em dois setores distintos do castro. Num deles foi identificada “parte de uma unidade doméstica da Idade do Ferro associada a alguns muros romanos”, evidenciando “uma ocupação na longa diacronia” do local. Entre os materiais encontrados predominam fragmentos cerâmicos, que permitem aos investigadores conhecer melhor o quotidiano das populações que habitaram o Castro. “Os materiais ajudam-nos a perceber como é que esta população vivia, que tipo de objetos possuía, como era a sua loiça de mesa e de cozinha, quais as principais atividades económicas que eram praticadas e que comércio se fazia”, explicou.

Durante a visita aos trabalhos arqueológicos, foram também apresentados alguns dos achados mais recentes, como “um fragmento de fundo de uma grande talha, que poderá ter sido utilizada para armazenar cereais ou outros alimentos”, e uma “peça cerâmica decorada”, considerada pelos investigadores um “objeto de utilização doméstica”, mas concebido para “permanecer visível”.

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Apesar das várias campanhas já realizadas, Daniela Ferreira sublinha que apenas uma pequena parte do Castro foi intervencionada. As prospeções geofísicas efetuadas nos últimos anos revelaram uma ocupação muito mais extensa, que se prolonga desde o topo do monte, em propriedade privada, até à zona de Sobressá, apontando para um povoado de grande dimensão tanto na Idade do Ferro como durante o período romano.

O vice-presidente da Câmara Municipal da Trofa, João Marques, considera que o Castro de Alvarelhos continua a ser “uma joia escondida” do concelho. “A área que está visível neste momento ainda é muito pequena em relação à dimensão total do Castro”, afirmou, acrescentando que “de cada vez que há escavações há novas descobertas”, o que demonstra o potencial arqueológico do local.

O autarca destacou ainda a importância da parceria estabelecida com a Universidade do Porto, que permite a realização anual das campanhas arqueológicas e manifestou a intenção de prolongar a colaboração, aumentando o tempo dedicado às escavações.

Centro Interpretativo é projeto ambicionado

João Marques revelou também que a autarquia pretende avançar com a criação de um Centro Interpretativo no Castro de Alvarelhos. O objetivo passa por disponibilizar um espaço de acolhimento aos visitantes, expor parte do espólio arqueológico já recolhido e criar melhores condições de apoio às equipas que ali desenvolvem trabalhos científicos.

Classificado como Monumento Nacional, o Castro de Alvarelhos está inserido numa área protegida de cerca de 130 hectares, sendo considerado um dos maiores povoados fortificados do Noroeste da Península Ibérica.

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