Trofa
Mónica Azevedo apresenta em Paris estudos sobre Suporte Básico de Vida e burnout na emergência
A formação dos jovens para responder a situações de paragem cardiorrespiratória e o impacto do desgaste profissional na segurança dos doentes estiveram em discussão no European Emergency Medicine Congress 2026, em Paris. A investigadora e profissional de saúde Mónica Azevedo, natural de S. Romão do Coronado, apresentou neste congresso os dois estudos científicos que já tinha dado a conhecer numa entrevista a’O NOtícias da Trofa.
O encontro reuniu cerca de 3700 participantes de todo o mundo, mais de 250 oradores e mais de 90 sessões científicas. O balanço da participação foi positivo, segundo a investigadora, que destaca a discussão suscitada pelos trabalhos e os convites para desenvolver novos estudos em colaboração com outros investigadores.
Um dos trabalhos apresentados incide sobre os conhecimentos dos jovens em Suporte Básico de Vida (SBV). O estudo observacional transversal envolveu 174 estudantes, entre os 12 e os 18 anos, e avaliou conhecimentos sobre reconhecimento de uma paragem cardiorrespiratória, utilização de Desfibrilhadores Automáticos Externos (DAE), confiança para intervir numa emergência e formação prévia nesta área.
Os resultados apontaram lacunas na preparação dos participantes: cerca de 20% identificaram corretamente como iniciar manobras de SBV e menos de 3% referiram saber utilizar um DAE. Os dados evidenciaram também uma diferença entre a disponibilidade dos jovens para ajudar e a sua preparação para agir.
Perante estes resultados, Mónica Azevedo defende a integração estruturada desta formação nas escolas. Na entrevista, considerou que o Suporte Básico de Vida deve ser “encarado como uma competência básica de cidadania”, sublinhando a importância de preparar crianças e jovens para reconhecer uma emergência, pedir ajuda e iniciar manobras de reanimação.
Burnout e segurança dos doentes
O segundo estudo centra-se na relação entre o burnout dos profissionais de emergência pré-hospitalar e a segurança dos cuidados prestados. De acordo com os resultados apresentados pela investigadora, 68% dos participantes registaram níveis moderados a elevados de burnout, 64% reportaram um impacto negativo na tomada de decisão clínica e 72% referiram uma maior perceção do risco de erro.
A investigação aborda os efeitos que a fadiga e o desgaste emocional podem ter em funções que exigem decisões rápidas, concentração e capacidade de resposta sob pressão. Para Mónica Azevedo, o burnout não deve ser entendido apenas como uma questão de bem-estar individual, uma vez que poderá ter implicações na qualidade dos cuidados e na segurança dos doentes.
A profissional de saúde defende que a resposta deve combinar medidas individuais com mudanças organizacionais, incluindo melhores condições de trabalho, apoio às equipas, melhoria da comunicação e participação dos profissionais na identificação de soluções.
“O burnout não se combate apenas aumentando a resiliência individual; combate-se também criando organizações mais saudáveis, sustentáveis e capazes de cuidar de quem cuida”, afirmou.
A investigadora considera ainda importante reforçar, na formação dos profissionais de emergência, as competências relacionadas com a comunicação, a liderança, o trabalho em equipa, a gestão do erro e a tomada de decisão sob pressão.
Novo convite internacional para 2027
Depois da participação no congresso de Paris, Mónica Azevedo partilhou também um convite para o Healthcare Improvement Forum Lisbon, agendado para os dias 20, 21 e 22 de abril de 2027, no Centro de Congressos de Lisboa.
Segundo a informação divulgada pela investigadora, o evento deverá reunir participantes de mais de 80 países, num total de cerca de cinco mil pessoas.


