“Estamos já a percorrer um caminho que nos levará à vitória nas autárquicas de 2017”

Eleito a 7 de dezembro de 2013, Marco Ferreira tomou posse como presidente da Comissão Política Concelhia a 15 de março de 2014. Em entrevista ao NT, o líder socialista faz duras críticas ao executivo da Câmara Municipal da Trofa.

O Notícias da Trofa (NT): Um dos objetivos de Marco Ferreira passava por “fazer uma atividade política forte, atenta e responsável”. De que forma o partido tem feito essa oposição à Câmara? Como vai fazê-la no tempo de mandato que lhe falta cumprir como presidente da concelhia da Trofa?
Marco Ferreira (MF): Temos atuado de forma ativa e reativa. Temos reagido a alguns disparates do atual executivo municipal, como foi o gasto de 60 mil euros num festival de cinema CINETROFA criado à pressa que se revelou um fracasso, ou o fim da oferta dos livros escolares. E temos sido ativos, por exemplo, nas estratégias de apoio a empresas para acesso aos fundos comunitários, na necessidade de prevenção das cheias e na defesa da aposta na estratégia da educação.

NT: Na cerimónia de tomada de posse, afirmou que “os primeiros meses” do mandato da coligação “têm causado muita preocupação”. Como tem sido a relação institucional com a autarquia?
MF: O conflito permanente é a marca do atual executivo. Hoje é evidente que Sérgio Humberto tem uma visão autoritária do poder comportando-se como o “dono disto tudo”. Grande parte dos discursos do presidente de câmara são ocupados com o insulto ao passado. Mas o maior problema não é a perseguição de Sérgio Humberto aos executivos anteriores, mas sim a forma como lida com quem pensa diferente, seja um líder político, uma associação ou um empresário. E a lista de tumultos tem crescido nos últimos tempos, com este último exemplo da Confraria do Cavalo.

NT: Quais as principais preocupações do PS no que ao futuro do concelho da Trofa diz respeito?
MF: Em primeiro lugar, impostos e taxas. É inadmissível que os trofenses paguem cada vez mais impostos e mais pela sua água e saneamento sem ter o retorno adequado. Defendemos mecanismos de devolução de liquidez às famílias. Sei que é muito confortável para a câmara municipal viver de bolsos cheios com os impostos dos trofenses, mas isso não pode justificar o atual nível de impostos.
Em segundo lugar: qualidade de vida e dinamismo económico. A Trofa, historicamente, é uma terra com esta dupla faceta: indústria e bairrismo. Defendemos um concelho que onde mais cidadãos trabalham, vivem e vivem com qualidade. Preocupa-nos que os últimos indicadores mostrem um concelho a divergir dos concelhos vizinhos ao nível do emprego, da economia e da qualidade de vida. Assim, defendemos um projeto para melhorar a qualidade de vida, melhorar o clima económico, fomentar uma melhor mobilidade, desenvolver os espaços de comércio, de lazer e de desporto, incrementar a oferta educativa e a igualdade.

NT: Já está a ser definida a estratégia do PS da Trofa para as eleições autárquicas de 2017?
MF: Estamos já a percorrer um caminho que nos levará à vitória nas autárquicas de 2017. E nesse caminho os militantes e simpatizantes do PS têm de estar obrigatoriamente envolvidos. E posso garantir que o Partido está em condições de apresentar um candidato vencedor e que honrará a função de presidente da Câmara Municipal da Trofa.

NT: O PS tem realçado que emprego, a economia ou os fundos comunitários “são esquecidos” por parte do atual executivo. Qual a vossa visão da ação da câmara nestas matérias e o que fariam nesta área?
MF: Os fundos comunitários, PORTUGAL2020, são “só” a grande oportunidade de investimento no concelho. E foi por isso que exigimos a criação de uma comissão específica na Assembleia Municipal, que infelizmente confirmou as nossas expectativas sobre o negligente desempenho do executivo municipal nesta matéria. Um exemplo: no campo do apoio às empresas (nomeadamente PME e aos microempresários) não existe nenhuma estrutura de apoio tal como existe nos concelhos vizinhos. É uma ausência total de apoio e visão estratégica para as empresas!
Ora, em dois anos que investimento foi atraído? Ainda se recordam da propaganda sobre uma empresa têxtil que viria para a Trofa? Lembram-se da câmara municipal que recebia currículos para essa empresa que nunca chegou? A partir desse nada, mais nada houve. E esse conjunto de nadas explicam tudo sobre a capacidade de Sérgio Humberto neste domínio. Temos um presidente de câmara que não fala a linguagem das empresas.

NT: A conclusão das obras dos Parques de Nossa Senhora das Dores e Dr. Lima Carneiro e as obras do Parque das Azenhas têm preocupado o partido, sobretudo a possibilidade da perda de recursos europeus. Têm questionado a Câmara? Que respostas obtiveram sobre estes dossiers?
MF: Temos questionado muito e obtido poucas respostas. No caso do Parque das Azenhas soubemos que a câmara atual acordou com o empreiteiro uma paragem das obras durante quase um ano. Reiniciando os trabalhos em novembro, ou seja, quase no inverno. Soubemos também que a câmara assumiu que estão executados 92% (!) dos trabalhos. Sobre isto, o PS apresentou um requerimento solicitando todas as comunicações entre a câmara e o empreiteiro, requerimento não respondido. Na última assembleia municipal propusemos a constituição de uma comissão específica para analisar responsabilidades relativas a esta obra. O PSD e CDS escandalosamente votaram contra essa comissão! O que escondem? Queremos saber o que aconteceu e porque se impediu a obra de avançar durante quase um ano.
Relativamente ao Parque Nossa Senhora das Dores, temos um parque já inaugurado, numa festa que custou 120 mil euros e cujas obras estão por terminar. Repare que o atual executivo já teve mais tempo de execução de obra que o anterior. Contudo, o presidente Sérgio Humberto esteve mais preocupado no ataque ao empreiteiro e na criação de episódios “telenovelescos” do que em gerir a obra. Ainda este ano deveremos saber quanto nos custou esta gestão tumultuosa do dossier.

NT: Qual a posição do PS Trofa sobre a Circular da Trofa?
MF: O PS Trofa com o PS Maia e PS Famalicão assinaram uma posição conjunta face a essa promessa de obra. E a nossa posição é muito clara: queremos a construção de uma nova alternativa viária no concelho, mas não podemos aceitar que se desista das variantes e se coloquem milhares de camiões a atravessar a avenida Cesário Verde. A verdade é que foi feito um anúncio, num timing eleitoralista, com promessas de que “em setembro (de 2015) teríamos máquinas no terreno”. Nada aconteceu. Queremos uma solução que não torne a Trofa um local de passagem de camiões.

NT: A apresentação de contas do Município da Trofa, durante este mandato, tem levado à discrepância entre o PS e o executivo municipal.
MF: Depois do embuste de 2014 sob a forma de truque contabilístico (reconhecido até pelo Revisor Oficial de Contas da Câmara Municipal), o executivo tem insistido num “conto de fadas”.
O contexto das nossas contas é este: no início do mandato deste executivo a Trofa recebeu 30 milhões de euros para pagar dívida e nestes dois anos os trofenses têm pago impostos como nunca pagaram. Por isso dizemos que esta câmara vive de “bolsos cheios”. Para recebermos os 30 milhões de euros assinamos um plano de ajuste financeiro (PAF) que pressupunha um conjunto de metas que o executivo está a falhar: temos mais dívida do que devíamos, o endividamento é maior, a diferença entre receita e despesa (saldo) é negativa. Por isso, a própria DGAL escreve num parecer que “o município da Trofa apresenta uma situação de desvio acentuado face à trajectória de ajustamento prevista no PAF” mesmo recebendo vários milhões de euros de impostos acima do mandato anterior.
Repare nestes números esclarecedores. No último ano antes do PAF o endividamento total era de 40.7M€, no final de 2014 o valor é, imagine-se, superior: 41.3M€. E sabe quanto aumentou o IMI no mesmo período? Foi de 3,1M€ para 5,7€, são mais 2,6M€ por ano que saem dos bolsos dos trofenses. Em suma, a coligação anda a contar uma história de embalar.

NT: O PS tem sido crítico quanto à gestão da coligação.
MF: A coligação, a meio do seu mandato, já está esgotada. No aspecto financeiro está a falhar no cumprimento do plano de ajuste financeiro. É hoje uma autarquia geradora de conflitos, com o passado, com associações, com entidades regionais, com a comunicação social. E, aquilo que mais nos preocupa, é ausência de uma estratégia. Dois anos de mandato e não há nenhum projecto novo (na educação, na cultura ou na ação social) e não há uma visão que agregue os trofenses para o futuro. É um vazio completo. A missão do PS, e a minha missão, é não permitir que este vazio contagie os trofenses. Queremos voltar a encher de sonhos este concelho. E, claro, construir um futuro cheio de concretizações.