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Guidões voltou a marchar nas festas de S. João

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Mais de uma década depois, as marchas populares de S. João regressaram a Guidões, no concelho da Trofa, devolvendo às festas da freguesia uma das suas tradições mais emblemáticas. A iniciativa, promovida pela Comissão de Festas, mobilizou cerca de 250 participantes, entre crianças e adultos, distribuídos pelas marchas de Aldeia Nova e Bicho, Cerro, Vilar e Póvoa, perante uma expressiva moldura humana, na noite de 20 de junho.

O reavivar das marchas constituiu um dos momentos altos das festividades, depois de mais de uma década de interrupção. Durante vários meses, os diferentes lugares da freguesia prepararam coreografias, figurinos e músicas, num trabalho que envolveu dezenas de voluntários.

Para Elsa Carneiro, responsável pela Marcha de Aldeia Nova e Bicho, o esforço foi amplamente recompensado. “Correu muito bem, valeu a pena o trabalho e o esforço”, afirmou, sem esconder a dimensão emotiva do regresso e a homenagem “às pessoas que já cá não estão e fizeram parte das marchas”.

Também Sandra Vinha, responsável pela Marcha do Cerro, destacou o espírito de união vivido ao longo da preparação. “O grupo é muito unido. São quase sempre os mesmos, é fácil lidar com eles, porque estavam com muita vontade de reavivar a marcha”, referiu, confessando a emoção sentida ao desfilar perante o público. “Ver esta multidão é uma emoção muito grande.

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Sinto-me orgulhosa, tanto eu como os meus marchantes, do trabalho que fizemos”, admitiu.

Na Marcha de Vilar, que contou com 92 participantes, Sónia Nunes revelou que o desejo de recuperar esta tradição era antigo. “Há muitos anos, todos os anos perguntavam se ia haver marchas”, recordou. Por isso, bastou marcar um dia para os ensaios para que a população respondesse de forma imediata. “Apareceram todos com vontade de dançar”, confessou.

Já Pedro Castro, responsável pela Marcha da Póvoa, assumiu o desafio de renovar a apresentação sem perder a essência da tradição. “A marcha já não saía há 11 anos e naturalmente algumas coisas tínhamos que mudar, tínhamos que modernizar”, explicou o ensaiador de Famalicão, que tentou levar um pouco da experiência adquirida nas marchas Antoninas para o espetáculo de Guidões. O grupo reuniu 96 marchantes, entre adultos e crianças, num trabalho desenvolvido ao longo de 14 ensaios. “Eles esforçaram-se muito e acho que estão muito orgulhosos do trabalho que fizeram”, acrescentou.

O regresso das marchas resultou da aposta da Comissão de Festas, que fez da recuperação desta tradição um dos principais objetivos do ano. Mário Maia, elemento da organização, admitiu que o processo exigiu um grande esforço. “Não foi fácil, porque dá muito trabalho e porque é complexo que alguém se responsabilize por organizar e ensaiar uma marcha”, afirmou, destacando, no entanto, a mobilização da população e a forte adesão do público, incluindo visitantes de fora da freguesia.

Além das marchas, as festividades incluíram atuações musicais, folclore, cantares ao desafio, fogo de artifício e outras iniciativas tradicionais, como a procissão, o levantamento dos mastros e a chegada das mordomas, reforçando a dimensão comunitária das celebrações.

O presidente da Junta de Freguesia de Guidões, Joaquim Ferreira, considerou que o regresso das marchas “era uma expectativa de toda a população”, afirmou, mostrando-se convicto de que a tradição veio para ficar. Para o autarca, a forte adesão demonstrou o “bairrismo” que caracteriza a freguesia.

Também o presidente da Câmara Municipal da Trofa, Sérgio Araújo, enalteceu o envolvimento da comunidade. “Muitos parabéns à comunidade que se juntou para reativar estas marchas de S. João”, afirmou, defendendo que “é assim que se constrói um concelho vivo, ativo e dinâmico”. O autarca deixou ainda o desafio para que a iniciativa tenha continuidade, garantindo que o município continuará a apoiar o evento.

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