Doze arguidos, acusados de vários assaltos, alguns deles na Trofa, vão a julgamento em Fevereiro, em Santo Tirso.

O gangue que assaltou um casal de ourives em Guidões, quando estes almoçavam, a 16 de Maio de 2009, e a Ourivesaria da Estação, um mês depois, vai começar a ser julgado em Fevereiro no Tribunal de Santo Tirso.

O grupo criminoso é composto por 12 arguidos e roubou perto de 150 mil euros a ourives e vendedores de tabaco. São ainda acusados de vários carjackings e assaltos. Os seis principais suspeitos, que aguardam julgamento em prisão preventiva, são familiares e beneficiários do rendimento social de inserção. São acusados de associação criminosa, roubos qualificados, agressão e furto.

A onda de assaltos deverá ter começado em Maio de 2009, num carjacking em Guidões. O grupo, composto por cinco elementos encapuzados, dispararam alguns tiros no exterior do restaurante, onde um feirante de ouro e a esposa costumavam almoçar todas as semanas, tendo-lhe exigido as chaves da carrinha. Ao resistir, o feirante foi agredido. Os ladrões conseguiram as chaves e colocaram-se em fuga na carrinha, que foi bloqueada alguns quilómetros depois, na Avenida Humberto Delgado, na mesma freguesia, devido a um sistema de bloqueio por telecomunicações. Os indivíduos levaram todo o ouro que estava na viatura, no valor de 200 mil euros. Na Trofa, os assaltantes roubaram ainda ouro na Ourivesaria da Estação, em S. Romão do Coronado, a 12 de Junho de 2009, furtaram um Peugeot 206, a 3 de Setembro do mesmo ano, e assaltaram uma mulher em plena rua, no dia seguinte.

Mas um dos assaltos mais lucrativos foi no início de Agosto do mesmo ano, em Moreira da Maia, em que o gangue conseguiu levar três malas com peças em ouro, de um ourives vindo da feira de Custóias.

Parte da restante carreira criminosa deste grupo visou cafés, comerciantes de tabaco e ainda um posto de abastecimento de combustível, num supermercado, em Santo Tirso.

O núcleo duro do grupo era constituído por cadastrados ligados ao clã que fugiu de um estabelecimento prisional. Mas o que dificultou a investigação da Polícia Judiciária (PJ) do Porto foi o facto de outros elementos estarem integrados no gangue. Foram colocados em escuta vários telemóveis, todavia, as comunicações interceptadas não eram claras, porque os suspeitos falavam em código. No entanto, foi possível estabelecer a sua ligação a vários roubos, assim como encontrar algumas armas usadas nos ataques, que eram guardadas por elementos menos importantes do gangue.

Nas mesmas buscas, uma prova que surpreendeu os investigadores foi um bilhete contendo a morada do ourives assaltado em Moreira da Maia, acompanhado da descrição da matrícula da sua viatura.

Ainda na mesma casa, em Famalicão foram apreendidas várias armas, que foram associadas aos crimes depois de perícias de comparação com projécteis encontrados em locais de vários assaltos.

Outro elemento importante de prova foi um saco desportivo, utilizado por um dos suspeitos, encontrado na Maia, que ainda continha armas, munições, gorros e luvas utilizados em crimes.

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