Milhares de linhas de tinta ainda não conseguiram fazer desbloquear a linha que trará o Metro ao concelho da Trofa. Presidente da Metro diz que só depois de 2014. Joana Lima lamenta este adiamento.

 

Metro até à Trofa só depois de 2014. Esta foi a garantia dada pelo presidente do Conselho de Administração da Metro do Porto (MP), em declarações à Sic Notícias, na segunda-feira. Ricardo Fonseca afirmou que, mesmo assim, o lançamento da empreitada está dependente “de estudos”. “Este é um projecto que ainda integra a primeira fase, teve que ser adiado apesar de termos lançado o concurso para a sua execução, para atingirmos os limites de endividamento que o Governo nos impôs. É uma linha que um dia poderá ser desenvolvida, não em regime de subconcessão, mas em regime de empreitada. Será certamente numa data posterior a 2014. Até lá não será construída, numa fase posterior, os estudos dirão”, referiu.

O responsável pela MP atestou que a linha da Trofa “é um caso especial”, porque apesar de integrar a primeira fase do projecto – já concluída – “não integra o processo de subconcessão que será lançado em concurso para a segunda fase”. E, quando questionado se as linhas que integram a segunda fase poderão avançar primeiro que a da Trofa, Ricardo Fonseca respondeu: “Podem e oxalá que assim seja”.

Confrontada com estas declarações, Joana Lima, presidente da Câmara Municipal da Trofa, começou por “lamentar o facto de o concurso para a construção da Linha da Trofa ter sido adiado para depois de 2014, infelizmente para todos os trofenses”.

A autarca considerou que as afirmações de Ricardo Fonseca, sobre a prioridade das linhas da segunda fase em relação à da Trofa, “o mais normais possíveis”, no contexto de “crise em que o país está” uma vez que “não há certezas quanto ao avanço da segunda fase”. Joana Lima acredita que as declarações de Ricardo Fonseca são “sinal que o projecto do Metro vai ficar todo concluído”. “Ou seja, vamos ter a linha da Trofa mais a segunda fase que fecha o projecto global do Metro do Porto”, atestou.

Sem “nunca duvidar” que este era o contexto das declarações proferidas por Ricardo Fonseca, Joana Lima “confirmou o que pensava” depois de falar com o presidente da Metro.

Relativamente à possibilidade de a obra estar dependente de estudos, Joana Lima referiu que a “preocupa qualquer passo que seja ou não dado”. “Estamos muito atentos a tudo o que a Metro está a fazer em relação à Linha da Trofa”, frisou.

A presidente da autarquia sublinhou que “a Metro está disponível para participar na empreitada da  regeneração urbana, gastando milhões de euros no Parque Nossa Senhora das Dores” e que “esta é uma prova que a Metro do Porto está de boa-fé e que quer fazer a obra, como está projectada desde a primeira fase e que é um direito de todos os trofenses”.

Sem deixar de sublinhar que este impasse no projecto “é uma injustiça para a Trofa”, Joana Lima acredita que “o Governo e MP só não fazem a obra, porque, efectivamente, do ponto de vista financeiro é impossível”.

Depois de o garantir na Assembleia Municipal, Joana Lima assinou a petição online “Metro até à Trofa” que pretende reunir quatro mil assinaturas para ser entregue na Assembleia da República. E quanto à criação de uma Comissão de defesa da vinda do transporte, Joana Lima foi peremptória: “Estarei sempre ao lado da população do Muro e de todos os trofenses na defesa dos interesses de qualquer freguesia e de todo o concelho”.

Concurso foi adiado a 3 de Dezembro

Depois de ter sido lançado a 22 de Dezembro de 2009, o concurso para o lançamento da extensão da Linha Verde entre o ISMAI e a Trofa acabou por ser adiado, devido a “uma significativa e progressiva degradação da conjuntura económica e financeira do país”. A anulação, publicada a 3 de Dezembro de 2010 em Diário da República, a pedido da Metro do Porto, é também sustentada pelas “apertadas e urgentes medidas determinadas pelo Governo que assumem o objectivo de reduzir drasticamente o défice público e de controlar o crescimento da dívida pública”, que “impõem a supressão de alguns investimentos e adiamento temporal de outros”.

“Neste contexto, a Metro do Porto S.A. foi obrigada a rever os seus orçamentos e plano de actividades para o ano em curso e até ao ano de 2013, de modo a cumprir as metas determinadas e impostas pelo Governo para os próximos anos”, pode ler-se no documento.

Ministro afirma que avanço das obras da MP “será analisado”

“O Metro do Porto é uma obra importante, é um projecto que tem que ser acarinhado e seguramente vai ter o seu desenvolvimento, com compreensão e diálogo”, afirmou o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, António Mendonça na inauguração da Linha Laranja, em Gondomar, no domingo. O governante referiu, porém, que a prossecução do projecto do Metro do Porto “será analisada, à luz das circunstâncias actuais”.

“Temos que aceitar o adiamento de projectos que correspondem a anseios das populações”, afiançou.

O ministro afirmou ainda que “será dada prioridade aos projectos com mais impacto económico do país e com mais condições para criar emprego”.

Rui Rio, presidente da Câmara do Porto e que também é presidente da Junta Metropolitana do Porto (JMP), alertou para o facto de Mário Lino, antecessor de António Mendonça, ter imposto “uma série de condicionamentos que não foram justos, para que a obra (projecto do Metro) avançasse”. “Cumprimos. Neste momento, a Administração Central está em falta”, asseverou.

O autarca lembrou o Memorando de Entendimento celebrado entre os accionistas da Metro do Porto (Estado e JMP), em Maio de 2007, com vista a fixar a nova estrutura societária da empresa, em que o Estado seria accionista maioritário, e a estabelecer as bases para o desenvolvimento do projecto.

Valentim Loureiro também não ficou calado na defesa da segunda linha para Gondomar, inserida no pacote da segunda fase: “Se não vier a concretizar-se, os gondomarenses têm de sentir-se enganados e eu tenho de sentir alguma culpa por ter permitido que a linha fosse encurtada, porque acreditei no ministro Mário Lino”.

Mas nem só os investimentos na Metro do Porto podem estar comprometidos. Quando questionado sobre que projectos estariam em causa, António Mendonça enumerou o Metro do Porto, o Metro de Lisboa, a CP, a REFER e o aeroporto de Lisboa. “Temos que aumentar a selectividade e a exigência no investimento em novas infra-estruturas e melhorar a gestão das infra-estruturas criadas”. O governante apresentou ainda três critérios para essa selecção: racionalidade e sustentabilidade dos investimentos, efeitos sobre a competitividade e ainda criação de emprego.

Joana Lima não esteve presente na inauguração da Linha Laranja, mas garantiu que a Câmara da Trofa “esteve representada”.