A recente proposta do Conselho Europeu, que foi acolhida pelo governo português, para combater os efeitos da crise económica, se alguma crítica pode merecer é por ser um pouco tardia.

 Os sinais, que se apresentaram durante algum tempo, eram claros no sentido de que vinha aí uma crise

 A crise bancária teria que se reflectir, forçosamente, na chamada economia real pela falta de dinheiro que iria provocar nos mercados.

 Afonso PaixaoNão penso que as actuações dos governos de apoio ao sector bancário tivessem a intenção de dar a “esmola” aos ricos. Pelo contrário, existiu a consciência que a falta de dinheiro nos mercados iria provocar uma grave crise com consequências ao nível do desemprego, ta como está a acontecer.

 Portugal não foi excepção, tendo revelado ser uma economia mais dependente do que algumas economias de Europa, sobretudo dos países maiores e mais ricos.

 Entendo, por isso, que o nosso governo optou bem ao aderir ao plano Europeu de combate à crise económica e na tomada de medidas para reanimar a economia.

 Concordo que estas medidas poderão não ser suficientes para que a economia retome o seu ciclo normal, sendo de esperar que 2009 seja um ano muito difícil.

 Admito que sejam discutíveis as obras públicas que terão prioridade: se serão as mais necessárias e se serão as adequadas para combater o desemprego.

 Penso que as obras anunciadas são necessárias ao país. O comboio de alta velocidade é necessário para que Portugal não fique excluído das redes europeias; o novo aeroporto de Lisboa é uma necessidade absoluta se não queremos que Lisboa passe a ser uma cidade satélite de Madrid; as obras no nosso sistema de ensino parecem-me muito importantes e uma aposta na educação que, apesar de não trazer frutos imediatos, trará benefícios futuros a não ignorar, para além da criação ou manutenção imediata de emprego. Os investimentos nas energias renováveis são, a todos os títulos, louváveis.

 Poderia sempre dizer-se que haveria outras opções, que haveria melhores investimentos. Acredito. Mas também acredito que, se perdermos muito tempo à procura dos investimentos óptimos, teremos perdido a oportunidade. Se estes investimentos são bons ou úteis ao país e à nossa economia, o melhor é avançar, quanto mais cedo melhor.

 Vejo também como positivos os incentivos à criação de emprego a maiores de 45 anos. São aqueles que maiores dificuldades têm em encontrar colocações e, por isso, as maiores vítimas do desemprego de longa duração.

 Estas medidas não têm o inconveniente de colocar Portugal em contra-ciclo económico. Portugal, desta vez, consegue estar alinhado com as economias da União Europeia e não nos vai acontecer, como nos últimos anos, estarmos com crescimento negativo enquanto os nossos parceiros tinham crescimento.

 Independentemente de eventuais insuficiências, o governo português anunciou medidas que não evitar a crise, mas que poderão atenuar os seus efeitos.

 

 P.S. Estamos a chegar ao Natal. Desejo para todos, desde a Direcção do “O Notícias da Trofa”, seus colaboradores, leitores e a todos os trofenses, um Feliz Natal e que 2009 seja um ano de sucessos e de prosperidades.

 

 

 

Afonso Paixão