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Ano 2008

Alberto Vieira: Missionário por convicção

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Alberto Vieira, padre missionário, natural de Santiago de Bougado, está em Moçambique desde 2006, em missão. De volta a Portugal, apenas por algumas semanas, o missionário comboniano explicou, numa entrevista exclusiva ao NT e à TrofaTv, o seu dia-a-dia na missão e as razões pelas quais voltou.

 

padre-alberto.jpg“Eu não sei se irei morrer na missão, mas quero trabalhar, estar e viver para a missão enquanto tiver saúde”. Esta é a convicção de Alberto Vieira, padre missionário,  natural de Santiago de Bougado e que está em Moçambique desde 2006.

Padre Alberto como é conhecido, chegou à Trofa esta semana, mas diz querer voltar para Moçambique e para a sua missão. “Aqui estava melhor, mas é uma questão de coerência, porque cada um deve estar no local para onde foi chamado e é por isso que lá me encontro e para lá espero voltar”, acrescentou.

Apesar de muitos o terem “pressionado” para ficar, nomeadamente “quando o padre Ribeiro faleceu”, Alberto Vieira preferiu voltar para Moçambique, onde já tinha estado pela primeira vez em 1989. Devido à sua ligação com as famílias e jovens da Trofa, desenvolvida entre 1999 e 2006 – tempo em esteve  nos Missionários Combonianos em Famalicão – “quando o padre Ribeiro faleceu houve uma pressão social, eclesial e até se quisermos política, do poder local. Eu estive, desde a semana que antecedeu a morte do padre Ribeiro ao dia de todos os Santos, com o telemóvel desligado, porque a pressão era muita”, lembrou.

Apesar do carinho e preocupação que os trofenses mostravam, o padre sentia a “luta interior da fidelidade à vocação de ser missionário. E no dia de Todos os Santos, numa celebração no cemitério, expliquei porque não ficava na Trofa e a paróquia compreendeu e continuou a amar-me. Deus deu-me outra vocação”, explicou.

Actualmente está em Ribaué, uma vila em Moçambique que está a 140 quilómetros para o interior a caminho da diocese e província de Nampula. Segundo o missionário este “é um distrito com grande desenvolvimento, já tem luz hoje, não há internet, mas temos telemóvel, há energia eléctrica que chega lá 24 horas por dia embora às vezes falhe. Mas ter luz e telefone é uma revolução em África. Está em vista também passar por ali a estrada internacional, que liga o porto de Nacala para o interior, que é o único corredor importante para a economia. É um distrito com futuro e agora que vai haver eleições em algumas autarquias Ribaué vai tornar-se autarquia, vai ter autonomia de gestão. Isto é uma mostra de que o Governo também está a apostar no desenvolvimento do distrito”.

No entanto, esta situação só se verifica no local onde o padre Alberto está a viver, “porque depois quando vou para o mato, para outras comunidades, fico às vezes uma semana sem ter luz e comunicação”. Para além destes “pequenos luxos”, que para os Europeus são imprescindíveis, o missionário depara-se também com outros problemas, nomeadamente de ordem social e eclesiástica.

“São dois campos diferentes, mas que normalmente os missionários e missionárias procuram investir”. No campo social, a educação é o que mais preocupa os missionários: “Temos duas irmãs a tempo inteiro na escola secundária, e temos também um jardim infantil onde outra irmã tem cerca de 250 crianças por dia. Mas este número não é considerado muito grande porque ali crianças são aos  montes, como é normal em África. Vê-se cada vez mais uma degradação cultural, o professor transita o aluno que não tem aproveitamento escolar nem frequenta as aulas. Não há meios nem estímulos, porque o aluno sabe que tem de haver uma meta de 95 por cento que, por exemplo, tem que transitar de ano, isso desmotiva e faz com que eles não se apliquem. É um desnível cultural que cada vez mais se vai agravando”, referiu.

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Quanto à vertente eclesiástica, “um aspecto que se nota é que as comunidades são muito móveis”, afirmou Alberto Vieira, explicando “por exemplo é inconcebível para eles uma pessoa estar há trinta anos a dar catequese. Eles no fim de dois anos já estão cansados de qualquer serviço, isto obriga a muita mobilidade nos serviços, e a igreja não cresce, não se estabiliza, não cria raízes como seria desejado, isto é um grande obstáculo ao desenvolvimento da religião”.

Para além desdes dois problemas, existem outros, segundo o missionário. “Não é que eles não queiram fazer nada, eles trabalham, mas não têm tantas motivações, nem tantos sonhos de ter, de mostrar e de possuir como os europeus. Como não têm essas motivações, deixam-se levar por ter o mínimo para sobreviver, tendo farinha, um pouco de feijão, amendoim e verdura e já estão satisfeitos com uma camisa usada”, contou.

Este trabalho na província de Ribaué não é desenvolvido só pelo padre/missionário português, mas também por mais dois padres de continentes diferentes, um moçambicano (África) e outro mexicano (América).

Com um território vasto no qual dão assistência, a língua, por vezes, é um obstáculo. O idioma oficial em Moçambique é o português, no entanto, nos diferentes territórios são falados diferentes dialectos desenvolvidos por cada tribo. “Eu não falo a língua, eu compreendo bastante se celebrarmos na língua deles, entendo e falo uma palavra ou outra, mas não a aprendi, onde estou a língua é a Macua, a mais falada em Moçambique, embora não tenha qualquer expressividade, porque a língua do sul, de quem governa é que é a mais importante”, justificou.

 

“Ser útil aos outros”

 

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“Decidi ser missionário por vários motivos ao longo da minha história pessoal e depois de ter estado em África e de ver o trabalho que lá faziam, surgiu como um projecto de vida”.

Natural de Santiago de Bougado, na Trofa, Alberto Vieira entrou no seminário em 1975. Primeiro acabou o liceu, aprendeu Filosofia em Coimbra, e depois de um interregno em Santarém durante dois anos para ser frade, concluiu o curso de Teologia em Roma, Itália, e outros cursos em Paris, como Teologia dos Sacramentos.

A 29 de Junho de 1985 foi ordenado padre, na sua freguesia natal, mas após a celebração voltou a Paris, porque a tese do curso ainda não estava concluída. Em 1986, já em Coimbra trabalhou três anos com alunos do curso de Filosofia e teve também a seu cargo a animação de jovens em Coimbra, Leiria e Aveiro.

“Em 1989 foi quando parti a primeira vez para Moçambique, estive em Niapala, no Norte de Moçambique na diocese de Nampula, distrito de Ribaué e em finais de 1993 fui mandado trabalhar como responsável da pastoral de toda a diocese de Nampula. Era director do centro catequético, onde os missionários e os leigos se preparam para trabalhar não só na diocese de Nampula, mas em toda a zona Macua e aí fiquei até 1998, e depois voltei, fiz um ano sabático, um ano de estudos no México e em 1999 vim para Famalicão”, recordou.

Ser missionário Comboniano “foi uma questão de opção pessoal”. Depois de Alberto Vieira ter visto o modo como trabalhavam, as orientações que tinham, o modo de estar e de trabalhar na ajuda aos mais pobres, ficou seduzido e decidiu continuar a obra de Combone. “Isto porque Combone ao contrário de muitos fundadores de obras missionárias, viveu, esteve no terreno, fundou um grupo de missionários no terreno e morreu no terreno missionário, ao contrário de tantos outros fundadores. Combone teve um papel preponderante do ponto de vista social, na questão da libertação dos escravos, no empenho e na luta para que a escravatura fosse abolida, para além de ser missionário e evangelizador”, argumentou. Como Combone, Alberto Vieira quer continuar e conta: “Combone uma vez apanhou malária quando estava na Europa e escreveu ‘que vergonha, eu quase que morria na Europa e um bom soldado deve morrer no campo da batalha, isto é, um bom missionário deve morrer na missão’. Eu não sei se irei morrer na missão, mas quero trabalhar, estar e viver para a missão enquanto tiver saúde”.

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Ano 2008

Cinco mulheres atropeladas, duas em estado grave

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 Dois feridos graves e três ligeiros é o balanço de um acidente de viação, esta segunda-feira, junto à empresa Ricon, em Ribeirão. O condutor do veículo terá ligado ao sogro a pedir auxílio, abandonando depois o local do sinistro, visivelmente transtornado. As mulheres já não correm risco de vida.

 José Marcelino nem queria acreditar no que viu quando regressou de uma tarde de pescaria. “Quando me aproximei do meu carro, que tinha ficado estacionado no sentido Ribeirão/EN14, vi que estava virado em sentido contrário e só quando cheguei perto da viatura me apercebi do que tinha acontecido. Tinha o carro com a parte lateral esquerda completamente desfeita”, adiantou ao NT, José Marcelino ainda mal refeito do susto.

O proprietário do Opel Vectra ainda estava incrédulo com os contornos deste acidente. “Ouvi sirenes enquanto estava a pescar mas como tinha o meu carro bem estacionado nunca pensei que a minha viatura estivesse envolvida”, adiantou.

O palco do acidente foi a Avenida da Indústria, perto da empresa têxtil Ricon, envolvendo três viaturas ligeiras e, segundo o NT conseguiu apurar, resultou de “uma colisão lateral entre dois ligeiros seguida de despiste e atropelamento de cinco peões”, adiantou fonte da Brigada de Trânsito de Braga, que esteve no local.

Alegadamente, as duas viaturas seguiam no mesmo sentido: “Uma das viaturas ia estacionar e a outra tocou-lhe, despistou-se e atropelou as pessoas que iam na berma, batendo ainda numa terceira viatura que estava estacionada. De acordo com a Brigada, trata-se de uma zona sem passeio, mas os peões “circulavam do lado correcto da estrada, com o trânsito de frente”. Os veículos seguiam no sentido poente-nascente, em direcção à EN14.

O acidente terá acontecido às 12.50 horas quando as vítimas, com idades entre os 30 e os 45 anos, regressavam ao trabalho após a hora de almoço. Segundo o NT conseguiu apurar, duas das mulheres são residentes na Trofa e as outras três serão de Ribeirão.

As vítimas foram transportadas para o Hospital S. Marcos em Braga e para o Centro Hospitalar do Médio Ave, unidade de Famalicão.

A mulher de 34 anos de idade, residente na cidade da Trofa, está estável e internada em Braga e segundo um familiar contactado pelo NT, “sofreu fracturas nas duas pernas, num braço e na bacia, apresentando ainda costelas partidas com perfuração dos pulmões, mas não corre riscos de vida”, adiantou. A vítima esteve consciente e contou aos familiares como tudo aconteceu: “Estava a chover, o veículo seguia em direcção à EN 14, estava a ultrapassar um outro que se encontrava parado, acabando por embater no veículo, abalroando ainda uma segunda viatura, e acabou por colher as cinco funcionárias da Ricon”.

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Outra das vítimas, que se encontra internada no Hospital de S. Marcos, apresenta lesões na coluna.

O condutor do veículo, que ficou “transtornado com o acidente”, abandonou o local “com medo que lhe batessem”, segundo confirmou a esposa, garantindo que ele ia entregar-se às autoridades.

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Ano 2008

Campeonato nacional é objectivo a alcançar

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Juniores do Trofense lideram campeonato

 Todas as equipas dos diferentes escalões do Clube Desportivo Trofense aceitaram o desafio de atingir os nacionais e os resultados começam a aparecer. Actualmente todas ocupam os primeiros três lugares do campeonato, e em posição privilegiada surgem os juniores, que lideram a 1ª divisão distrital.

 O frio que se sente no Complexo de Paradela nesta altura do ano não é obstáculo para os jovens que integram os escalões do Clube Desportivo Trofense. O sonho de um dia chegar ao patamar mais alto do futebol faz com que os poucos graus centígrados sejam esquecidos e a bola torna-se no único acessório de valor para os pequenos craques em altura de treinos e jogos.

Com a nova direcção liderada por Rui Silva, o departamento de futebol do Trofense modificou estratégias e delineou novas metas, numa clara aposta na formação para conferir ao clube expressividade na captação de jovens talentos. Todas as equipas dos diferentes escalões aceitaram o desafio de atingir os nacionais e os resultados começam a aparecer. Actualmente todas ocupam os primeiros três lugares do campeonato, e em posição privilegiada surgem os juniores, que lideram a 1ª divisão distrital, com quatro pontos de avanço sobre o segundo classificado, Paços de Ferreira. Todos alimentam o sonho de qualquer jovem no seu lugar: serem chamados para integrar o plantel sénior da equipa.

Jorge Gonçalves é o treinador da equipa há três anos. Já tinha integrado o departamento de formação noutra altura e depois de um período em que experimentou outros clubes decidiu “aceitar o convite do coordenador Jorge Maia” para abraçar um projecto de quatro anos, que está “a correr conforme o planeado”, afirmou em entrevista exclusiva ao NT/TrofaTv.

Os dois primeiros anos serviram para “criar condições para tornar a equipa competitiva”, no sentido de atingir a subida aos nacionais. “Esse é o patamar onde os jogadores poderão evoluir melhor”, referiu.

O projecto não abrangeu apenas o escalão júnior e os resultados de um trabalho “árduo” começam a notar-se: “Neste momento, nas camadas jovens, os juniores estão em primeiro lugar, os juvenis estão em terceiro lugar a um ponto do segundo, os iniciados estão em segundo lugar e os infantis ocupam o terceiro lugar”.

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Actualmente a ocupar, confortavelmente a liderança, os jogadores desfrutam do sucesso “confiantes no seu valor”. No entanto, há necessidade de “equilibrar as mentalidades para que eles não se deslumbrem”, adiantou Jorge Gonçalves que reforçou o facto dos feitos de hoje “serem fruto de um trabalho de três anos”.

O técnico considera que os resultados positivos são fruto da sintonia entre o departamento de formação e a direcção do clube e sabe que Tulipa, treinador da equipa sénior, está atento ao trabalho desenvolvido pelos juniores. “Existe uma grande comunicação entre o departamento e a equipa técnica profissional. Sei que (Tulipa) já veio ver um ou dois jogos da equipa e alguns juniores têm ido treinar com os seniores com alguma regularidade. Integraram, aliás, o jogo da Liga Intercalar e fizeram uma boa figura, com um excelente desempenho”, acrescentou.

O treinador acredita nas capacidades dos jovens para poderem fazer parte do plantel sénior, mas não esquece que “existem muitos outros factores, como estar no sítio certo no momento certo, a posição do jogador ou se o treinador estiver mais necessitado e também há o aspecto da coragem para o fazer”.

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