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Crónicas e opinião

Notas sobre a actualidade trofense

João Mendes

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Nas últimas semanas, foram anunciadas várias iniciativas culturais que me pareceram muito interessantes e diversificadas, a maior parte organizadas ou apoiadas pela Câmara Municipal da Trofa, mas também com origem em formas de iniciativa popular e associativa, como é o caso do grupo de teatro TEAM. Já lá vamos.

No Domingo passado tivemos um encontro de grupos musicais trofenses no Parque Nossa Senhora das Dores. “Vozes da Nossa Terra” era o nome da iniciativa e juntou os Sons e Cantares do Ave e a A Rapaziada, que se fizeram acompanhar por grupos convidados de outras paragens, nomeadamente o Grupo Bodo Musical, de Gondomar, e Grupo de Cavaquinhos de Santa Marinha de Lodares, de Lousada.

Dia 19 de Junho há teatro no auditório da junta de freguesia de São Martinho de Bougado. O TEAM – Teatro Experimental Amador do Muro apresenta “Fatos do Neca não são de ninguém”, a mais recente peça posta em cena por este grupo que rema contra a maré numa cidade onde o teatro é quase uma miragem. Bem-haja pela coragem.

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No fim de semana seguinte há fado na Igreja Matriz de Guidões e na escadaria que liga a Igreja Matriz a Alameda da Estação. O primeiro acto da iniciativa “É Fado, É Fado” acontece então na Alameda, na Sexta-feira, dia 26 Junho, e conta com a “nossa” Paula Canossa e também com o fadista gaiense, Ricardo Monteiro. A escolha do local parece-me particularmente feliz e espero que a iniciativa se repita. No dia seguinte, em Guidões, a música ficará a cargo do Grupo de Fados de Medicina do Porto e do Grupo de Fado Sé Velha.

Os “nossos” Meninos Cantores têm um conjunto de três apresentações do espectáculo “Amílcar, o Consertador de Búzios Calados” – obra vencedora do Prémio Matilde Rosa Araújo 2010 – agendadas. A primeira aconteceu no passado Sábado, no auditório da junta de freguesia de São Martinho de Bougado. A próxima acontece no dia 7, às 18h, no Parque das Azenhas. A terceira e última no Castro de Alvarelhos, a 14 de Junho, também às 18h. Mais do que o talento deste grupo que dispensa apresentações, a escolha dos locais é, também ela, muito feliz.

Eventos como a ExpoTrofa e o Belive são eventos importantes e não me parece que alguém conteste esta constatação. No entanto, tudo se torna mais fácil quando existem centenas de milhares de euros para fazer acontecer. Mas a cultura não se pode esgotar em dois ou três grandes eventos. Ela tem que acontecer de forma permanente, sob a forma de pequenas e médias iniciativas que mantêm a chama acesa. Se continuarmos assim, parece-me, estaremos no bom caminho. Mas é preciso mais e, sobretudo, mais descentralização. A Trofa é muito mais que Bougado. Por falar em Bougado, Santiago para ser mais preciso, para quando um plano ambicioso para dinamizar a Casa da Cultura?

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Ao que tudo indica, as obras no quartel da GNR da Trofa vão mesmo avançar. Foi isso que garantiu o secretário de Estado da Administração Interna, Paulo Ribeiro, na visita que fez ao concelho no final de Abril. O investimento estimado é de 2,7 milhões de euros.

Resta saber quando avançam. Somos um povo avisado, e quem a chegada do metro já foi prometida umas 150 vezes, por todos os políticos que, aqui e em Lisboa, tomam decisões, e o metro, como sabemos, continua parado na Maia. O nosso quartel está bastante degradado, com condições indignas para os militares que servem o nosso concelho, o que torna esta obra altamente prioritária.

Espero, sinceramente, que não demore tanto tempo como o metro para chegar. Os militares da GNR da Trofa trabalham há tempo demais em condições inaceitáveis. E já que estamos nisto, talvez fosse boa ideia considerar o aumento do número de efectivos e meios. A Trofa já não é a pequena localidade que viu este quartel nascer.

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Por falar em metro, parece que nasceu mais um estudo de impacto ambiental que situa nos 100 milhões de euros o valor necessário para ligar o ISMAI à Estação da Trofa. Metro até ao Muro, autocarro até Bougado. A este valor acrescem custos relacionados com expropriações, material circulante, projectos ou fiscalização, entre outras rúbricas.

As propostas em cima da mesa – que serão duas, separadas por 5 milhões de euros – incluem a reabilitação das estações do Muro e de Bougado, a construção de novos parques de estacionamento, viadutos, túneis, estradas e alguma reabilitação urbana à mistura.

Parece-me tudo muito bem, mas isso é porque já fui vencido pelo cansaço, confesso. Mais de 20 anos depois, só quero ver este berbicacho resolvido. Não me agrada este modelo híbrido, em metro até ao Muro e autocarro até Bougado, mas duvido que consigamos melhor barganha.

Não há vontade política, a Trofa não tem poder de influência em Lisboa e as periferias sempre foram tratadas como subalternas face aos grandes centros urbanos. Não seria agora que isso haveria de mudar.

E, ainda assim, tenho dúvidas que a obra seja para breve, pese embora Emídio Gomes, presidente da Metro do Porto, garanta que já tem os 100 milhões para investir. Nesta fase, e depois de tantas desilusões, já só quero ver a obra executada no meu tempo de vida. A ver vamos.

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Voltemos à GNR: a 16 de Maio, o Mercado Semanal da Trofa foi alvo de uma operação de fiscalização. Zero infrações na venda de legumes, frutas e plantas. 1308 artigos de contrafacção apreendidos na zona do vestuário e calçado.

Fossem lá todas as semanas, o resultado seria sempre o mesmo. E seria refrescante. Não faz sentido que se permita a venda de produtos contrafeitos. A tolerância deve ser sempre zero. Sempre. Espero que a GNR continue a aparecer por lá. São muito bem-vindos.

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Sérgio Araújo deu uma entrevista à TrofaTv/O Notícias da Trofa. Tal como o fizera o seu antecessor, António Azevedo. Confirma-se: o único autarca com birras por resolver com a comunicação social local é Sérgio Humberto. Não surpreende: políticos autoritários tendem sempre para esse tipo de comportamento.

Da entrevista ficamos a saber que o casamento com o PS está de boa saúde, que existe a intenção de criar condições para acelerar os licenciamentos – o que funciona como um reconhecimento de que esta era uma área claramente ineficaz e, em bom português, “um atraso de vida” para os trofenses –, que os impostos locais não devem descer tão cedo, que o Parque de Real deverá avançar no próximo ano e que outras obras em curso, nos centros de saúde ou na escola do Coronado, estão bem encaminhadas.

Oito meses depois, sinto-me perante a governação mais estável e sóbria de que tenho memória na Trofa. Acabaram-se as guerrinhas parvas, os cultos de personalidade e os ajustes directos a torto e a direito para família, militantes e amigos. Até à data. Espero que assim continue. A ver vamos.

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Finalmente, uma sugestão, ao cuidado de quem decide coisas no nosso concelho: as hortas comunitárias crescem por todo o país. E existem vários concelhos aqui perto que as têm. E são um sucesso.

Sendo a Trofa um concelho com uma extensa área rural, será que não faria sentido apostar num projecto desta natureza? Espaço não falta, interessados também não, e nunca o momento foi tão propício. Com a escalada da inflação, resultante dos conflitos no Médio Oriente, dar terra a quem a quer cultivar poderá ser uma forma de reduzir a factura da alimentação.
Fica a sugestão.

Artigo de opinião de João Mendes

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