Ano 2008
Criação do concelho gerou sentimentos de desagrado que ainda não morreram

“Foi um grave erro político, com consequências que não se podem ver em 10 anos”, afirmou Castro Fernandes, presidente da Câmara de Santo Tirso, em declarações à Lusa a propósito do 10º aniversário da criação do concelho da Trofa.
Para o autarca, “o que aconteceu foi um corte abrupto num concelho que tinha a sua coerência”, salientando que “esse corte resultou de uma decisão política conjuntural na Assembleia da República”.
Na perspectiva de Castro Fernandes, eleito pelo PS, a criação do concelho da Trofa “trouxe problemas a Santo Tirso, que tinha equilíbrio em termos económicos e fortes potencialidades”.
Por isso mesmo, o presidente da Câmara de Santo Tirso, a 10 de Dezembro de 2001, alguns dias antes das eleições autárquicas, moveu uma acção judicial contra o Estado português.
“É uma acção a pedir uma indemnização ao Estado pelos prejuízos causados por ter decepado uma parte do concelho”, salientou o autarca, recordando que o município de Santo Tirso perdeu um terço da sua área.
A 16 de Janeiro de 2006, a autarquia venceu na primeira instância, o Estado tinha sido condenado ao pagamento de uma indemnização de seis milhões de euros.
A Câmara de Santo Tirso voltou a vencer no Tribunal da Relação do Porto e novamente no Supremo Tribunal de Justiça, mas o Estado recorreu para o Tribunal Constitucional, que ainda não se pronunciou.
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Sem qualquer ligação com este processo judicial, que apenas diz respeito à Câmara de Santo Tirso e ao Estado, o presidente da Câmara da Trofa, Bernardino Vasconcelos, desvalorizou a polémica.
“É natural que algumas pessoas não gostassem [da criação do concelho da Trofa], mas já deveriam estar à espera que isso acontecesse”, frisou o autarca.
Bernardino Vasconcelos, eleito pelo PSD, recordou que surgiram algumas “reacções negativas” ao nascimento do novo concelho, mas frisou que “isso é passado”.
Nesse sentido, considerou que as actuais relações entre os dois municípios “são de convivência natural”, recordando que ambos pertencem à Área Metropolitana do Porto (AMP) e à Associação de Municípios do Vale do Ave (AMAVE).
Da mesma forma, Costa Ferreira, que integrou a Comissão Promotora do Concelho da Trofa, recordou que “nunca houve rivalidade” entre trofenses e tirsenses.
“Era um problema administrativo. As relações com Santo Tirso nunca foram más, nunca houve rivalidade, nem estradas cortadas”, frisou.
“Nunca houve em Santo Tirso uma manifestação contra a criação do concelho da Trofa”, acrescentou.
Costa Ferreira, recordando os tempos da luta pela criação do novo concelho, admitiu que os trofenses “compreendiam perfeitamente” a posição então assumida pelo presidente da Câmara de Santo Tirso.
“A obrigação dele era defender a integridade territorial do seu concelho. A posição dele era correctíssima, qualquer um de nós na posição dele teria feito o mesmo, só que a pressão era tão forte que ele não conseguiu impedir [a criação do novo concelho]”, afirmou.


