O Parlamento Europeu aprovou que 2012 seria o Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre as Gerações. Por essa razão, ao longo do ano, o NT vai continuar a dar a conhecer histórias de pessoas que apesar da idade mantêm um dia a dia dinâmico. Este mês será dada a conhecer a história de Laurinda Coutinho.

Com 67 anos, Laurinda Coutinho inicia o seu dia bem cedo. De manhã começa por ligar as máquinas de lavar e secar roupa, seguindo-se as lidas na cozinha do restaurante, onde permanece, até às 18.30 horas, a tratar das refeições e, depois, da limpeza. De seguida, vai tratar da roupa, retirando-a das máquinas de lavar e secar, enquanto trata de passá-la a ferro até cerca da meia hora, “quando acaba a novela”.

No dia seguinte a sua rotina continua. O domingo é o único dia de descanso, que aproveita para almoçar e passear fora do concelho, pois neste dia não gosta “de estar pela beira da porta”. Mas até no seu dia de descanso, gosta de reservar a noite para cozinhar para os seus filhos e netos.

Laurinda Coutinho nunca tirou uns dias de férias, pois não é capaz de “estar parada”. Apenas teve uns dias de descanso quando foi operada. De resto, apenas tem o domingo para aproveitar. A proprietária sabe que está na altura de aproveitar a sua reforma, mas, na sua opinião, “se parar morre depressa”, frisando uma vez mais que não se dá parada. Foi com dez anos que Laurinda Coutinho começou a trabalhar numa “mercearia do casal Ribeiro”, onde servia refeições, e a partir daí nunca mais parou. Nove anos volvidos, os seus pais assumiram o negócio, que, em 1974, ficou a cargo de Laurinda Coutinho até aos dias de hoje. Desde muito nova que está habituada ao trabalho, pois tinha a seu cargo os seus sete irmãos de quem tomava conta, enquanto os seus pais estavam a trabalhar. Além disso, tratava do “caldito” para todos.

A primeira refeição que aprendeu a fazer foi a sopa, seguido das batatas, do arroz e restantes petiscos. Uma experiência que “correu bem”, sem ter “queimado nada”. Laurinda Coutinho garante que “nunca se queimou” a cozinhar, contando uma peripécia que aconteceu na segunda-feira: “Ainda há pouco abriuse a fritadeira e coloquei lá o dedo, nem sei como não me queimei. Graças a Deus nunca me queimei”.

O gosto por cozinhar já vem dos tempos dos seus avós, que organizavam jantares para as personalidades da Trofa, como é o caso de Américo Tomás. Um gosto que tem vindo de geração em geração. Laurinda Coutinho afirma “não conhecer outro modo de vida”, pois o que mais gosta é de estar na cozinha, sendo que tudo o que faz “sai sempre bem”, asseverando que gosta de confecionar qualquer prato. A sua especialidade é as “Batatas à Espanhola”, já na doçaria são os mexidos, salientando que “não há ninguém” que os faça como os dela. Uma ideia corroborada pelo marido. Laurinda Coutinho mostrou ainda, orgulhosa, umas fotografias de um prato pouco conhecido na Trofa: o Bacalhau Inteiro. Uma iguaria que só faz por encomenda. O petisco é acompanhado de salada russa, já o peixe, depois de demolhado, é cozido com agulha e linha e vai ao forno. O sabor é obtido através  de um ingrediente secreto, que está guardado no seio familiar.

Além do gosto por cozinhar e pelas lides domésticas, a jardinagem também é uma das suas paixões. Gosta de trabalhar no jardim e de fazer arranjos florais. Uma vez até foi notícia o facto de ter um girassol com cerca de dois metros de altura e com 32 flores. Uma história que mencionou com bastante orgulho. Laurinda Coutinho também não gosta “de dormir fora de casa”, contando que quando os filhos lhes ofereceram uma estadia, pelo aniversário de casamento, só aguentou uma noite, chegando a regressar de madrugada, pois não gosta de “estar presa que nem um passarinho”.

Depois de ter criado os irmãos, filhos e netos, gostava também de criar os bisnetos. Mas para isso, terá que aguardar pela sua chegada. O seu desejo é continuar a trabalhar pelo menos até aos 70 anos e depois desfrutar da sua reforma. Já as filhas garantem que ela vai trabalhar até aos 120 anos.

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