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Edição 726

Rotary apoia Centro Hospitalar na criação de sala “zen” para grávidas

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O Rotary Club da Trofa, juntamente com os homónimos de Santo Tirso e Vila Nova de Famalicão, vai apoiar o Centro Hospitalar do Médio Ave (CHMA) no projeto de requalificação do serviço de Obstetrícia do Hospital de Famalicão.

O principal objetivo é criar uma sala snoezelen, para proporcionar “condições físicas e materiais que permitam receber as grávidas e parturientes num ambiente de calma e serenidade”.

“A sala poderá ser usada no pré e pós-parto e o conjunto de ferramentas de estimulação sensorial poderão promover uma maior interação mãe-bebé, permitindo à mulher sentir-se confortável, menos ansiosa, relaxada e segura em relação à sua gravidez e, depois, na maternidade, num ambiente familiar, privado e acolhedor, facilitando também o processo inicial da amamentação”, pode ler-se na memória descritiva do projeto apresentado pela administração do CHMA, que espera o envolvimento da comunidade para conseguir o financiamento necessário.

Esta sala snoezelen surge na sequência da criação da Clínica da Mulher e da Criança, que entrou em funcionamento, na unidade hospitalar de Famalicão, na terça-feira.

O Rotary Club da Trofa anunciou o apoio a este projeto, numa sessão online pública, a 24 de setembro.

CHMA espera que mais “entidades públicas e privadas” se envolvam nesta “congregação de vontades” para que o projeto seja uma realidade e possa beneficiar “cerca de 1240 residentes nos concelhos da área da abrangência direta”, ou seja, Santo Tirso, Vila Nova de Famalicão e Trofa.

Palestra sobre “Liderança e Espírito de Equipa”

“Liderança e Espírito de Equipa” foi o tema da última palestra promovida pelo Rotary Club da Trofa. A sessão decorreu online, na noite de 28 de setembro, e teve como orador Pedro Silva, fundador e diretor-geral da Método, mestre em psicologia e formador certificado, contando já no currículo a colaboração com mais de cem empresas, instituições de ensino, centros de formação e equipas desportivas, na última década, no âmbito do treino de competências e desenvolvimento pessoal.

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A palestra foi, essencialmente, “direcionada para os jovens”, que tiveram oportunidade de ouvir falar da “importância da liderança e do espírito de equipa quer seja nas empresas ou no desporto”, como “fator de sucesso”.

Comemoração do 16.º aniversário do Rotary

O Rotary Club da Trofa comemorou, a 5 de outubro, o 16.º ano de existência. “Foi um momento de festejar a vida e de companheirismo. Além disso, o Rotary Club da Trofa homenageou todos os companheiros que já não estão entre nós”, relatou Rosa Manuela Araújo, presidente rotária.

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Edição 726

A Trofa na Rota do Linho? ( 1943-1979)

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“Triste linho. O que ele padeceu para chegar a ser branco e útil. Foi semeado, arrancado, ripado, moído, espadelado, sedado, fiado, ensarilhado, meado, cozido, corado, dobrado, novelado, urdido e tecido”. São estas as fases por que passa a transformação do linho, desde o seu cultivo até ao branqueamento final…

Mas, o que é o linho e qual a sua composição? É uma planta herbácea, que chega a atingir um metro de altura e pertence à família das lineáceas (com flor azulada). O linho compõe-se basicamente de uma substância fibrosa, da qual se extraem as fibras longas para a fabricação de tecidos e de substância lenhosa. Produz sementes oleaginosas e a sua farinha é utilizada para cata-plasmas de papas, usadas para fins medicinais. O linho é um dos tecidos mais antigos da humanidade; acredita-se que foi descoberto há mais de 36.000 anos. Para a antiga sociedade egípcia, era de uma importância fulcral, sendo igualmente reverenciada pelas tribos de Israel.

Esta crónica só pode ser lida integralmente na edição impressa do jornal ou através da edição disponível para assinaturas online. Mais informações aqui

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Edição 726

Maria Júlia Padrão (1923-2020): A menina da Farmácia partiu

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Em poucos dias, a Trofa perdeu duas referências, que, à boleia de um sentido cívico e muita ousadia, ajudaram a escrever a história do concelho. Uma dessas referências foi Maria Júlia Padrão, figura incontornável da sociedade trofense, que partiu a 2 de outubro, aos 96 anos, deixando um legado quase impossível de replicar. Para os anais da história desta comunidade fica o espírito emancipado e muito à frente do seu tempo, a mostrar o caminho do progresso.

Mais velha de cinco irmãos, dois rapazes e três raparigas, Maria Júlia herdou a vocação artística da mãe, exímia tocadora de piano, tendo sido orfeonista no Orfeão Universitário, mas inclinou-se mais para a pintura. Ainda assim, foram as pegadas do pai, Avelino Moreira Padrão, conhecido como “médico dos pobres”, que sustentaram muito do que foi a vida desta jovem que se formou, em 1945, na Faculdade de Farmácia do Porto.

Prontificou-se a apoiar o progenitor no atendimento aos doentes, mais concretamente na administração de vacinas e injetáveis, mas Avelino Moreira Padrão era exigente e quis que Maria Júlia se especializasse também em enfermagem. E assim foi. No último ano de licenciatura, a jovem inscreveu-se na Faculdade de Medicina do Porto e tirou, simultaneamente, o curso de enfermeira visitadora.

O sonho de ser médica, anulado por quase não ouvir do lado esquerdo, foi substituído pelo projeto que criou com a irmã, Maria José, depois de cinco anos a ajudar Avelino nas consultas: a Farmácia Moreira Padrão abriu em 1951, um ano depois do falecimento do pai. Este tinha aprovado os intentos das filhas, com uma condição: não entrar em guerras comerciais com a farmácia já existente na Trofa.

E naquele tempo, corrido sem o percalço de uma pandemia, as Marias foram empreendedoras, ao prestar serviços de enfermagem e entrega de medicamentos ao domicílio. Faziam-no a pedalar. Maria Júlia e Maria José saíam pelas aldeias de bicicleta, muitas vezes revezavam-se nas corridas. “Nesse tempo, não havia horário de trabalho. Aplicávamos injeções de penicilina de quatro em quatro horas. Enquanto uma descansava, a outra ia”, contou, numa entrevista à Saúda.

Teve a felicidade de nunca ter tido “um mau encontro” e de ser “muito respeitada” pela comunidade. À imagem do que acontecia com o pai, também estas jovens não cobravam nada pelos serviços que prestavam e quem podia oferecia géneros, como batatas, pão e hortaliças.

Maria Júlia não se destacou apenas nos cuidados médicos. Na política, também deixou marca, e bem vincada tendo em conta o tempo em que viveu. Tinha o “bichinho da política”, porque não conseguia “ficar alheada dos problemas do país”. Também neste capítulo, seguiu inspirada pelo pai, alistando-se no Partido Popular Monárquico. Mas apesar de preferir “um Rei, educado para isso”, em Portugal, não se furtava ao dever cívico do voto, mesmo nas presidenciais.

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Era amiga próxima de D. Duarte Pio, que a ajudou, aliás, a criar a Caixa de Crédito Agrícola na Trofa, e seguiu os preceitos do catolicismo, tendo apoiado vários projetos comunitários.

Viveu intensamente, trabalhou até ao fim, disponibilizando sempre um sorriso, sem exagerar na dose. A doutora Maria Júlia partiu sem dever nada a ninguém. A Trofa deve-lhe muito.

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