O Largo Abade Sousa Maia, em frente à Igreja de Guidões, foi o palco de uma festa popular, que mais do que relembrar a revolução de 1974 tinha o propósito de reavivar a luta dos guidoenses pela desagregação da freguesia.

A população de Guidões não esmorece na luta pela reposição da independência administrativa da freguesia, agregada a Alvarelhos desde as eleições autárquicas de setembro de 2013. Na véspera do dia em que se assinalaram os 40 anos da revolução de 25 de Abril, a população uniu-se para aclarar a reivindicação. O guidoense Silvino Maia da Silva, ex-combatente na Guiné-Bissau, utilizou até a comparação com aquela altura em 1974: “Assim como entregamos as colónias a quem pertencia, depois 25 de Abril, eu peço ao Governo que nos dê Guidões, porque é nosso, dos guidoenses”.

Apesar de a lei ter sido posta em prática, Guidões não baixa os braços. Atanagildo Lobo anunciou que “a Comissão de Luta pela Devolução da freguesia de Guidões vai editar um novo abaixo-assinado para exigir a quem venha a ganhar as próximas eleições para a Assembleia da República a revogação ou alteração dessa lei, para que muitas freguesias passem novamente aos seus legítimos possuidores, nomeadamente Guidões para os guidoenses”.

As palavras de Ary dos Santos, do poema “As Portas que Abril Abriu”, soaram pelas vozes dos guidoenses, que também animaram a noite de 24 de abril com música de intervenção.

“O significado do 25 de Abril é a conquista da liberdade e da democracia. Hoje temos o Serviço Nacional de Saúde, a escola pública e outros direitos que temos vindo a perder ao longo destes últimos tempos, como laborais, de intervenção e de termos uma freguesia que sempre tivemos. Esse é um dos motivos principais porque estamos aqui, perdemos a nossa freguesia e queremo-la de volta”, explicou Atanagildo Lobo.