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A inclusão do nome de 46 militantes, escritos á mão nos cadernos eleitorais do PSD Trofa fez estalar o verniz entre as duas facções do partido laranja. O PSD Trofa está dividido ao meio.

As últimas eleições do PSD na Trofa voltaram a ser marcadas por alegadas irregularidades nos cadernos eleitorais.

Segundo o JN noticiou, centenas de militantes do PSD estavam impedidos de votar nas directas da semana passada porque foram-lhes devolvidos os vales postais usados para o pagamento das quotas. No dia das eleições, Miguel Macedo tentou resolver a situação, enviando um fax aos presidentes de mesa das secções afectadas, pedindo-lhes que "acrescentassem manualmente" esses filiados nos cadernos eleitorais. E justificou-se com "o atraso dos CTT".
Porém, a medida mexe com a eleição dos delegados, até porque o número de congressistas atribuído a cada secção é fixado segundo os militantes com as quotas em dia. Daí a polémica gerada, que levou a que, na Trofa, um dos candidatos a delegados tivesse avançado com a possibilidade de impugnar as eleições.
Cândido Azevedo foi cabeça de uma das listas que se apresentou na concelhia da Trofa e a sua reacção perante tal situação não se fez esperar.

Ao NT cândido Azevedo garantiu que não vai impugnar as eleições, pois tal medida não produziria efeitos práticos antes do congresso, mas que vai fazer ouvir no congresso, para o qual foi eleito, juntamente com mais 10 delegados da sua lista, a sua indignação, face a esta situação anómala.

Azevedo afirmou ao JN que “"É um bocado estranho. Incluir nomes à mão é uma coisa do século passado. Se um partido como o PSD não consegue organizar um acto eleitoral com 55 mil militantes como se propõe governar o país?", questiona Cândido Azevedo, que encabeçou uma lista contra o "vice" da Câmara, António Pontes, e Tiago Vasconcelos, filho do líder concelhio, Bernardino Vasconcelos”.
Na Trofa, devido à polémica o acto eleitoral foi o mais vigiado do país, tendo sido acompanhado por quatro delegados, dois de cada facção, e ainda teve a supervisão da Jurisdição Distrital.
Ao JN, Miguel Macedo justifica “a inclusão, onde 46 novos militantes no caderno eleitoral da Trofa com o facto dos vales postais desses filiados terem sido devolvidos indevidamente pelos serviços centrais do partido”.
No entanto Amorim Pereira alega, porém, que o secretário-geral não tem competência para alterar os cadernos. "Não pode ultrapassar as regras do partido e alterar cadernos em cima das eleições. Isso tinha que ser visto pela Jurisdição, caso a caso".

Por seu lado António Pontes, vice-presidente da Câmara Da Trofa, que encabeçava a lista contra Cândido Azevedo diz-se “prejudicado pelo facto de o partido, nomeadamente os seu funcionários, terem adoptado algumas medidas para este acto eleitoral, nomeadamente no que diz respeito ao pagamento de cotas, que são incríveis. E há militantes no partido que estão desgostosos como a forma como a nível nacional a situação foi gerida” Pontes foi mais longe e considerou “arbitária a forma como excluíram algumas pessoas, no que diz respeito ao caderno eleitoral é uma coisa que não se percebe. A forma como determinados militantes tentaram usar os processos para pagamento das suas cotas é uma forma perfeitamente legítima. Assinaram os postais, eles foram enviados à sede nacional do partido e simplesmente não foram admitidos no caderno eleitoral e isso é o que eu ponho em causa”.

Relativamente à posição adoptada por Cândido Azevedo, Pontes considera que “ele devia estar preocupado com o conjunto de militantes que pagaram as cotas a tempo e horas e por falha dos serviços centrais do partido, depois o secretário-geral vem a reconhecer essa falha e tomou a posição de, apesar de tudo os incluir no caderno. Isso é que é um acto de justiça. Não reconhecendo a justiça da integração destas pessoas no caderno eleitoral, muito sinceramente eu acho que os critérios de análise e de condução deste tipo de problemas por parte do Cândido Azevedo estão perfeitamente pervertidos.

A minha candidatura nas últimas eleições não tenha dúvida que foi altamente prejudicada por todo este processo” concluiu António Pontes.

Recorde-se que a diferença de votos entre as duas listas foi de apenas 56 votos, elegendo assim a lista A elegeu 11 congressistas, enquanto a T elegeu 12.