O Partido Comunista Português comemorou 87 anos de existência no passado domingo. Na Trofa os militantes organizaram um almoço, que contou com a participação do deputado do partido Jorge Machado.

   "Este partido contribuiu muito para os ares de liberdade que foram estabelecidos no país. E este almoço serve para comemorar os 87 anos do Partido Comunista Português, uma longa história de muitas lutas, de conquistas e muitas delas em situação de clandestinidade", afirmou Paulo Queirós militante do partido na Trofa.

Lembrando o passado e as conquistas do partido, Paulo Queirós não deixou de referir o presente e o futuro. "Não podemos é esquecer que estes 87 anos vão ter uma continuação, vamos ter pela frente mais lutas, porque infelizmente temos tido algumas contestações e algumas convulsões sociais", afirmou. Em concreto referiu a manifestação de professores em Lisboa, no sábado, contra as novas políticas impostas pela Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. "Lembremo-nos da marcha dos professores, onde apenas cerca de dois terços dos professores saíram à rua para exigir desta ministra uma posição diferente para aquilo que ela preconizou para a educação em Portugal, não nos podemos esquecer que a educação nunca se fará sem os professores motivados", lembrou.

Para este membro do PCP, Portugal está a entrar num retrocesso, com "um quase cortar de liberdades que foram conquistadas", referindo-se ainda à questão da contabilização por parte da polícia dos manifestantes para a marcha de sábado. "Nunca foram vistos polícias a perguntar antes das manifestações quantas pessoas vão, esta é uma maneira subtil de imprimir algum receio às pessoas", reiterou.

Quanto às questões que envolvem o concelho da Trofa, Paulo Queirós lembrou a situação já recorrente da falta de uma PDM – plano Director Municipal: "Não temos um PDM que nos oriente. Temos sentido que todas as intervenções feitas no concelho têm ido ao sabor de alguns interesses, tanto particulares como de algumas posições políticas", comentou.

Reconhecendo o reforço no abastecimento de água e no saneamento, o militante lembrou "tudo o resto falha! Sentimos que tem sido uma política de cartaz, uma política de jornais, mas que depois na realidade espremendo pouco sumo tem. A população continua sem um local para praticar desporto, é claro que agora com a construção das piscinas eles vão começar a fazer disso a sua bandeira de obra, mas é muito pouco para 10 anos, porque é que o PDM não está feito, o que é que se passa para que não possamos ter um documento orientador do que serão os investimentos dos próximos anos no nosso concelho?", questionou.

O PCP da Trofa promete "lutar por uma melhor sociedade trofense, porque tendo uma melhor sociedade trofense, teremos uma melhor sociedade no país", concluiu.

No almoço esteve também Jorge Machado, deputado do PCP na Assembleia da república, que para além da falta do PDM, lembrou a falta de investimento público na Trofa. "É preciso também conquistar aqui na Trofa mais investimento público e no PIDDAC – Plano de Investimento e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central que foi aprovado, a Trofa é esquecida, e isto é sinal de que o Governo olha muito mal para o concelho", afirmou.

Fazendo um balanço positivo do almoço comemorativo dos 87 anos de existência do Partido, Jorge Machado congratulou-se com a presença de cerca de 70 pessoas, "não estão só militantes do partido, estão também pessoas que vieram comemorar connosco, o que é óptimo já que nos traz óptimas perspectivas para o futuro, para fazer crescer o PCP aqui na concelhia da Trofa", concluiu.