A taxa de desemprego assustadoramente elevada; o empobrecimento constante, de divergência com o crescimento europeu; a degradação das condições de vida de muitos portugueses, que tem reflexos a nível social; a dívida pública, que é a maior dos últimos 160 anos; a recessão das mais profundas e prolongadas que há memória; tudo isto obriga à construção de um amplo consenso nacional em torno da recuperação, que dê resposta à dramática situação a que o país chegou.

Em diversos períodos da nossa história, houve a necessidade de consensos e, com maior ou menor dificuldade, conseguiram-se vários entendimentos em várias frentes. Agora, começa a surgir de novo esse apelo e são muitas as vozes a exigir um entendimento entre as diversas forças políticas, e não só, para que o país saia da grave crise em que se encontra. Não só um entendimento político, mas também social.

A existência de vários partidos na vida política portuguesa é um elemento base para a existência da democracia e é relevante para o bom funcionamento do regime político. As forças políticas são indispensáveis para a realização do jogo democrático. Os partidos da oposição têm tanta responsabilidade como os partidos que governam; os partidos que estão no poder são tão importantes para a democracia como os partidos da oposição.

É verdade, que em democracia há sempre soluções, há sempre alternativas e que a alternativa é tão valiosa quanto o consenso, mas todas as sondagens indicam que não existe uma alternativa que dê garantias de estabilidade política. O que o país precisa, com urgência, é de estabilidade política para sair da crise. Neste cenário, eleições legislativas antecipadas seria uma péssima solução, pois a instabilidade instalar-se-ia. Seria “pior a emenda que o soneto”.

Por vezes tende-se a ignorar a história das coisas, mas é preciso recordar com veemência a situação caótica do país. Não estamos em condições de juntar uma grave crise política à crise económica e financeira. O país precisa de um consenso nacional. Urgentemente! Neste momento extraordinário, o país precisa de um entendimento entre as várias forças políticas e sociais, pois a coesão, a solidariedade e a ação convergente dos principais atores é determinante para se conseguir sair da grave crise em que nos encontramos.

É preciso gerar um consenso social e político para se fazer o ajustamento estrutural de que o país tanto necessita para um crescimento sustentado, que dê estabilidade a projetos que ajudem o crescimento da nossa economia. A ausência de consensos irá penalizar os próprios políticos, mas, acima de tudo, irá afetar gravemente o interesse nacional. Se não existir resposta à dramática situação em que o país está mergulhado, daqui a algum tempo não estaremos a discutir a crise económica e financeira, mas sim a discutir a crise do regime. Aí, poderá haver consensos, mas será tarde demais.

A bem de Portugal!

José Maria Moreira da Silva

moreira.da.silva@sapo.pt

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