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Edição 421

“ Versos brandos…ninguém mos peça agora”

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Acabamos de comemorar o 39.º aniversário da revolução dos cravos. Para além da festa, sempre necessária, Abril foi sobretudo feito de luta pois a democracia e a liberdade estão em perigo. Todos os direitos que foram conquistados após o 25 de Abril de 1974 pela luta das camadas populares têm vindo a ser aniquilados. Hoje já pouco resta das nacionalizações dos setores básicos da economia ou dos direitos laborais, que têm vindo a ser reduzidos. O poder local democrático ficou ferido com a dita reforma administrativa. Portugal é objeto de um processo de intervenção estrangeira comandado pela dita Troika que não veio para ajudar, mas para rapinar, empobrecendo-nos. A dívida, o défice, o desemprego, as falências e os pobres aumentam todos os dias… e os «mercados» enriquecem na devida proporção todos os dias. Portugal transforma-se num protetorado sob a pata do novo imperialismo dos mercados financeiros e dos grandes banqueiros, cujas troikas nacional e europeia são os mais fieis e determinados executores políticos e a trupe de comentadores políticos, fazedores de opinião e meios de comunicação social nacionais os seus mais exímios publicistas e extraordinários vendedores da banha da cobra de que são bons exemplos a ideia da inevitabilidade do percurso ou a pérfida mentira e colossal intrujice de que se não fosse a intervenção estrangeira não haveria dinheiro para pagar os salários e pensões. Dizem isto mas não comprovam a afirmação. Mas dizem-no baseados no velho ditado de «uma mentira tantas vezes repetida passa a ser verdade». Mas é uma mentira. E eles mentem com um único intuito: empobrecer em mais de 30% o povo português engordando os grandes senhores do dinheiro e do capital financeiro. A história far-se-á sempre mais tarde mas garanto, não é a primeira vez que Portugal passa por semelhante. Hoje temos um conhecimento muito aproximado de todas as crises que assolaram o nosso país e nelas, os traidores foram sempre os senhores poderosos e os que os serviram. Assim foi com a Nobreza que tomou o partido de Castela contra Portugal na crise de 1383-85; assim foi com uma parte da mesma aristocracia do Miguel de Vasconcelos em 1640; a corte fugiu para o Brasil no início do seculo XIX aquando das invasões francesas; assim é hoje em que o poder do PSD e do CDS apenas nos quer tirar, tirar, tirar, para servir o capital financeiro externo.

Agora existem mais preocupações. Cavaco Silva decidiu tomar o partido do governo PSD/CDS, e numa «gaitada» monumental anunciou o fim da democracia, concluindo pela inutilidade de eleições. O PS não mudou. Seguro substitui Sócrates. Promete, promete e promete. Mas de facto deixará cair tudo no primeiro momento em que chegar ao poder. Aliás, há pouco tempo apresentou uma moção de censura ao governo, brandiu a necessidade de eleições e logo abandonou essa estratégia. Vai o PS alterar o que de mau fez este governo? Vai repor as indemnizações por despedimento? Vai repor os montantes e os prazos do subsídio de desemprego? Vai aumentar salários e pensões? Vai anular a extinção de freguesias? Vai recuperar integralmente o nosso estado social? Sobre isto nada diz, ou limita-se a palavras vãs. Pois o PS aceita a intervenção estrangeira, não se desvia dela e até já disse que chegava a acordo com qualquer um, até com o PSD e com o CDS. O que são capazes de fazer para enganar o povo. Está visto, estes três partidos até podem voltar novamente ganhar as eleições. Pode o eleitor ser novamente iludido com fortes embustes e deixar-se levar. Mas saberão os portugueses que, no essencial, pouco mudará na sua vida, seja o PSD ou o PS a comandar as tropas.

No entanto é urgente mudar de política. Para uma política de esquerda, já que de política direita vivemos há 37 anos. E é preciso ter muita lata, para dizerem que foram os erros cometidos nestes últimos 30 anos que nos conduziram a esta situação. No entanto a afirmação é verdadeira. Mas foram eles, eles, o que isto dizem, que estiveram a governar e não outros, portanto são eles os responsáveis, são eles os culpados – PSD, CDS e PS. Mas também é necessário dizer outra coisa. Se o povo não tivesse votado como votou, se tivesse dado mais força ao PCP e ao PEV, provavelmente não estaríamos na situação em que nos encontramos.

Passado Abril e com Maio em luta, fazemos votos para que haja uma alteração efetiva na correlação de forças a nível politico, que surja um reforço significativo das forças verdadeiramente de esquerda, sobretudo da CDU, condição imprescindível para a criação de um verdadeiro governo de esquerda que retome os valores e os ideais de Abril, indispensáveis a uma verdadeira democracia, a um desenvolvimento dos sectores produtivos nacionais compostos pelas pequenas e médias empresas, pelo sector cooperativo e pela nacionalização dos sectores estratégicos da economia, a uma reforma agrária e a uma politica agrícola de produção com boas vias de escoamento dos produtos e desenvolvimento das nossas pescas, ao regresso a politicas de emprego, fomentadas através de uma melhor e mais justa distribuição da riqueza produzida, ao crescimento da procura nacional e ao desenvolvimento do nosso povo com mais educação, cultura e saúde. Isto poderá levar anos a concretizar e haverá avanços e recuos. Mas só será possível pela política solidária e interventiva de uma verdadeira esquerda e com a participação de todos os cidadãos.

Sim, neste tempo de agravamento das injustiças, «versos brandos…ninguém mos peça agora».

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Edição 421

Festas Nossa Senhora do Desterro – Procissão e Feira da Saúde foram os pontos altos da festividades

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Entre os dias 25 e 28 de abril, o Souto de Bairros, em Santiago de Bougado, acolheu as festas de Nossa Senhora das Dores.

 O som dos tambores do Agrupamento 447 de Santiago de Bougado anunciava o início da procissão, onde não faltaram as figuras litúrgicas, como os anjinhos, sagrada família, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora do Desterro, Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora da Livração. Três cavalos seguiam na frente para abrir caminho à procissão.

Este foi um dos pontos altos das festividades em honra de Nossa Senhora do Desterro, que, após dois anos sem festa profana, um grupo de jovens decidiu arregaçar as mangas, por mãos ao trabalho e reatar a tradição. João Nogueira, Juiz da comissão de festas, fez um “balanço positivo” das festas, graças à “muita gente que aderiu”. O juiz das festas agradeceu “o esforço” dos seus colegas e do pároco Bruno Ferreira, “me reerguer” a festa, bem como a “todas entidades” pela “mobilização que fizeram em trazer as pessoas”.

Bruno Ferreira, pároco de Santiago de Bougado, ficou “contente” com a entrega destes jovens, que se “prontificaram na preparação desta festa”. “Com o pouco tempo que tiveram, praticamente nem um mês tiveram para organizar, e como viram foi uma festa muito digna, bonita e muito participada”, frisou.

Para Bruno Ferreira, as festas “sempre existiram e vão existir”, sendo “missão do pároco congregar as pessoas, para que as festas sejam feitas com alguma dignidade, por amor e devoção ao Santo”. “A Festa é, mais do que tudo, este sinal da manifestação da nossa fé. Como puderam ver, tudo bem coordenado, tudo bem combinado com as equipas que se integram para a comissão de festas é possível reerguer bem e saudavelmente. E, como viram, aqui tinha muita gente”, concluiu.

Outro dos pontos altos das festas foi a Feira da Saúde, que disponibilizava rastreios gratuitos nas diversas áreas, como de hipertensão arterial, diabetes, visual (entre acuidade visual, catarata e tensão ocular), auditivo, podologia, risco cardiovascular e de saúde oral. Nesta iniciativa não faltaram os Bombeiros Voluntários da Trofa, que deram formação sobre o Suporte básico de vida, e a Polícia Municipal, com ações de sensibilização para a prevenção.

Durante os quatro dias, o Souto de Bairros foi palco dos concertos da Orquestra Ritmos Ligeiros e da Banda de Música da Trofa, bem como das atuações do grupo Alvadance, Xystema Show, do Rancho Folclórico da Trofa e do Etnográfico de Bougado. A parte religiosa não foi esquecida, tendo-se realizado missas com sermão, terços e procissões.

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Edição 421

Câmara delibera subsídios para associações em Santiago

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O executivo da Câmara Municipal da Trofa deslocou-se até à Junta de Freguesia de Santiago de Bougado, na sexta-feira, dia 26 de abril, para mais uma reunião ordinária pública descentralizada. Nesta sessão foram discutidos assuntos para a freguesia bougadense.

Com o objetivo de descentralizar as reuniões, o executivo municipal da Trofa deslocou-se até à Junta de Freguesia de Santiago de Bougado, para levar aos munícipes a participação em mais uma reunião ordinária pública, que foi a mais concorrida.

Leia a reportagem completa na edição desta semana d’ O Notícias da Trofa, disponível num  quiosque perto de si ou por PDF.

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