“Passou pela cabeça de Bruxelas que temos excesso de autoestradas. E com alguma razão. Mas faltam estradas. Esse é um enorme desafio do Governo português”. À margem da iniciativa “Encontros Empresariais – a caminho da competitividade – Investimento e financiamento à internacionalização e inovação (Angola)”, que decorreu esta quinta-feira, na Quinta da Azenha, Guidões, Mira Amaral, presidente do Banco BIC Português, explicou que apesar de o país ter “investido muito em autoestradas”, ainda “falta fazer nas cidades estradas de ligação a essas autoestradas”.
“As finanças públicas não estão em situação famosa. O Governo precisa de fundos comunitários para fazer estas coisas, mas está com dificuldade em Bruxelas porque Bruxelas responde que já temos demasiadas autoestradas. O Governo tem de explicar que ainda faltam algumas vias”, acrescentou.
O ex-ministro de Cavaco Silva apontou como exemplo o concelho da Trofa, defendendo “uma via de comunicação rápida” que tire a localidade do “estrangulamento” que “todos sentem”.
“O que é que serve ao país ter magníficas autoestradas quando é difícil sairmos da Trofa para (…) os portos e aeroportos, no fundo aqueles sítios de escoamento da produção de bens e serviços que felizmente a Trofa tem?”, questionou.
Mira Amaral destacou que o concelho da Trofa “tem um conjunto de excelentes empresas no domínio da metalomecânica e da indústria agro-alimentar que são empresas obviamente que podem ver Angola como um mercado potencial ou mercado de interesse”.
Já o presidente da AEBA – Associação Empresarial do Baixo Ave, José Manuel Fernandes, do grupo Frezite, realçou a importância da participação da AEBA nestas jornadas. A AEBA aqui faz o seu papel de alavancar” e apoiar as empresas “e fazer um salto significativo em direção a novos mercados. Portugal começa a exportar novas tecnologias. E isto é da maior importância e sobretudo no que diz respeito as novas gerações. A AEBA tem de reforçar cada vez mais esta transferência de conhecimento”,adiantou.
José Manuel Fernandes realçou que “Portugal tem em Angola um parceiro privilegiado”. “É um país em construção e num ciclo de ajustamento foi uma grande oportunidade para as empresas portuguesas. Acho que a parceria tem tudo para continuar e com as relações como com o Banco BIC e outras instituições de capitais mistos. As infraestruturas, a construção e as comunicações são uma nova oportunidade e neste momento Angola já percebeu que não pode viver só de petróleo. Torna-se oportuno outro perfil de empresas a investir”. O presidente da AEBA adiantou ainda que “a área de bens transacionáveis e a indústria de transformações são dois setores a desenvolver”.