Crónicas e opinião
Memórias e Histórias da Trofa: Tempos de dificuldade – crise das subsistências
“Um dos temas que mais “gosto” me dá estudar – e que até se tem refletido nestas crónicas – é a história da alimentação, mais concretamente a temática das subsistências e a crise que se viveu entre 1914 e 1918, no decorrer da Primeira Guerra Mundial.”
Um dos temas que mais “gosto” me dá estudar – e que até se tem refletido nestas crónicas – é a história da alimentação, mais concretamente a temática das subsistências e a crise que se viveu entre 1914 e 1918, no decorrer da Primeira Guerra Mundial.
As dificuldades da sociedade eram muitas, pois uma economia de guerra não permite dinâmicas fáceis e sobretudo simplistas, forçando a procura de alternativas.
Um pouco como se vive no presente, o setor privado irá permitir a entrada do setor público na economia, no garante de necessidades básicas, até porque o mesmo setor privado rapidamente deixa de ter capacidade de resposta na maioria dos casos devido às dificuldades que vai encontrando.
A República Portuguesa era um jovem regime, dava os primeiros passos e mantinha uma relação de azedume com as estruturas da Igreja Católica, mas toda essa situação não impedia que em Santo Tirso elementos do clero ocupassem lugares de destaque, exemplo o padre Augusto Gonçalo da Silva, que era o vice-presidente da comissão de subsistências e também diretor do celeiro municipal.
Num estudo mais aprofundado sobre Augusto Gonçalo da Silva, com apoio do historiador Nuno Olaio, sobre a República e Republicanismo em Santo Tirso, facilmente percebemos que o referido elemento do clero anos antes já participava ativamente na política local.
A dinâmica deste organismo em terras tirsenses, e obviamente nas freguesias do futuro concelho da Trofa, era bastante intensa, era fundamental limitar as consequências nefastas daquele conflito e rapidamente foi tentado um sistema de abastecimento para os elementos da população com o tradicional sistema de senhas que passava pela entrega de boletins aos chefes de família e depois os mesmos iriam transcrever as informações fundamentais e receberiam as referidas senhas.
As freguesias do concelho na sua totalidade iriam ter o seu celeiro, exceto a localidade da Reguenga, que seria a única exceção que fazia com que este sistema de apoio socioeconómico estivesse sempre próximo da comunidade, ao contrário da maioria dos concelhos que centralizavam as suas respostas junto do poder central municipal.
O Vale do Ave, concretamente a Trofa, iria ter os elementos da sua população a sofrer as amarguras de uma profunda crise económica, política e social que parecia não ter término à vista, e estender-se-ia inclusivamente para além dos anos do conflito.
Um ponto que deve ser referido foi o atraso nas respostas por parte do poder central, que apenas iria conseguir colocar toda aquela pesada máquina de assistência social em setembro de 1918, próximo ao final do conflito, mas, não devemos descurar obviamente a dimensão da área a intervencionar como também as dificuldades de comunicação.
Um período negro da história da região que infelizmente apresentou pequeníssimas semelhanças com a atualidade, esperando que o futuro ano seja sinónimo de resolução.



