Onze anos separam a dependência de uma nova esperança. A Trofa ganhou uma nova vida, mas as comemorações da conquista daqueles que lutaram pelo concelho mantiveram a tradição. No feriado municipal, depois do hastear das bandeiras que, segundo a presidente da Câmara, “não serão mais descerradas”, o concelho discutiu o verdadeiro valor da cidadania numa sessão solene muito participada.

O executivo mudou, mas não deixou cair o habitual hastear das bandeiras ao som do hino nacional, graciosamente entoado pelos “homens de amanhã” das escolas básicas e jardins-de-infância do concelho, junto ao edifício sede da Câmara Municipal.

A voz das crianças combina com a infância do concelho, que traça agora novos passos rumo ao amadurecimento. Desejo de muitos trofenses que ao longo da semana, ao recordarem o dia da liberdade, 19 de Novembro de 1998, afirmaram que é preciso mais e melhor para a Trofa.

E nada melhor do que discutir esse e muitos mais desejos na sessão solene que teve como tema a cidadania, lembrando o comportamento dos milhares de homens e mulheres da Trofa que foram a Lisboa, ordeiramente, buscar o concelho. Esse foi um verdadeiro “acto de cidadania”, sublinhou Rui Moreira, presidente da Associação Industrial e Comercial do Porto.

bandeiras

“Era importante falar na Trofa neste dia exactamente porque a elevação do concelho da Trofa é um acto de cidadania que só foi possível pela cidadania activa dos trofenses. Este é um exemplo de como os cidadãos podem em democracia, em paz, através do exercício dos seus direitos e obrigações, fazer a diferença”, frisou.

O responsável, que recebeu das mãos da presidente da Câmara, Joana Lima, uma lembrança do concelho, revelou ainda que a característica principal dos trofenses é o “empreendedorismo”, “importante num tempo em que muita gente acredita que esse empreendedorismo morreu ou está a morrer”.

“São pessoas ousadas, que gostam de fazer os seus negócios, são as pessoas que têm as vantagens e as desvantagens de serem um pouco individualistas, mas eu acredito que as vantagens superam as desvantagens do individualismo”, atestou.

Sem esquecer o passado, mas já a pensar no futuro, Joana Lima apelou à participação activa da população no desenvolvimento do concelho. Para isso, a edil trofense anunciou a promoção de “presidências abertas” em todas as freguesias, “para, pelo menos uma vez por ano, a população de cada uma delas tenha um contacto de proximidade com o executivo e possa participar na elaboração de projectos concretos para o seu desenvolvimento”. A autarquia quer ainda alterar o dia da Assembleia Municipal para sexta-feira, “para seja possível à maioria dos cidadãos assistir e participar nas reuniões dos órgãos máximos do seu Município”.

Joana Lima anunciou ainda o lançamento de uma campanha de reuniões públicas de Câmara “descentralizadas” para todas as freguesias, no sentido de permitir às pessoas não se deslocarem ao centro e poderem assistir, “de forma activa” e perto de casa, a uma reunião do executivo.

Para além de lançar ainda “audiências descentralizadas aos munícipes”, Joana Lima vai ainda colocar no terreno um Conselho Municipal de Cidadania, que terá como objectivo “reflectir e propor acções que estimulem uma cidadania activa e participativa e, paralelamente, implementar medidas que favoreçam a integração social”.

“Pretendemos ainda com este órgão implementar medidas ou acções que favoreçam uma maior e mais eficaz participação dos cidadãos nos processos de decisão do município, ou seja, queremos uma participação interactiva com as nossas forças vivas e com o know-how do nosso concelho”, frisou.

E porque quem passa pela Trofa, deve reconhecer a garra dos trofenses, Joana Lima garantiu que as bandeiras no município estarão sempre hasteadas: “Temos ali aquelas bandeiras para simbolizar de onde somos, de onde vimos, qual é a nossa identidade e que toda a gente que passa na estrada na EN 14, quer seja trofense, quer seja amigo da Trofa, quer seja um desconhecido, perceba que ali é o espaço que nós temos digno para conseguirmos levar o nosso projecto para a frente até construirmos os nossos Paços do Concelho”.