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Literária mente

Literária mente

Fico muitas vezes com a sensação de que, devido à paixão que não escondo pelos livros, as pessoas pensam que gosto de ler todos eles. Nada podia estar mais longe da verdade.
Já tive a oportunidade de partilhar neste espaço a opinião de que há um livro para cada pessoa. Há aquele, em particular, que desperta o gosto pela leitura, pela emoção que é mergulhar na história de um livro.
Isso significa que um livro que interesse ao leitor pode não ter o mesmo efeito em mim. E a verdade é são imensos os livros que começo a ler e não termino, seja em fases muito iniciais, seja em alturas mais avançadas da história. Tenho uma curiosidade literária muito aguçada, o que me faz, muitas vezes, ler algo que não gosto só para perceber a forma como aquela história está construída. No entanto, se eu quiser ler pelo simples prazer de ler, o livro tem de ser à minha medida.
É claro que é algo que varia de pessoa para pessoa. Cada um de nós, como cada um dos livros, somos diferentes e temos a nossa própria história.
Um bom livro, para mim, é aquele que quase fala connosco, é aquele que conseguimos compreender. Que nos consegue tocar, fazer identificar com esta ou aquela personagem, com esta ou aquela atitude. Se não compreendemos a história, se temos de voltar atrás algumas páginas, se as linhas que se cruzam não fazem sentido na nossa cabeça, para onde voa o prazer de ler?
Eu preciso de uma história que me prenda. Que não me faça ficar eternamente à espera de uma solução que parece nunca chegar. Eu preciso de ver os personagens crescerem perante os meus olhos, partilharem as suas vivências comigo, quase como que se tornassem meus amigos. Um livro pode ser de fantasia, de ficção, pode imaginar e criar coisas que pensamos só existirem nos confins de uma mente excessivamente criativa. Mas tem de ser real. Como à mulher de César, não basta parecê-lo, é preciso sê-lo.
Como sempre o digo, a tarefa do livro só é completada connosco. O livro pode ser excecional, mas depende de nós acreditarmos nele. Como um amigo que precisa da nossa confiança para ter ele próprio confiança. Temos de acreditar no livro, na história. Nunca dizer “isto é tudo muito bonito, mas a vida real é diferente”. Não é. Vamos lutar para que não seja. Vamos trazer um pouco de magia às nossas vidas. Vamos acreditar no livro.
No fundo, o livro é uma arma. Arma como força, como poder. Nós não precisamos de alguém que nos transcreva tudo aquilo que vivemos. Precisamos de alguém, de algo, que nos ajude a pensar de outra forma. Que nos faça acreditar nos “e se…”. O livro como o próximo passo da realidade. A fantasia como a próxima evolução do homem. A leitura como uma pausa na vida para avançar na vida.


Livro da Quinzena

Will & Will, John Green & David Levithan. A temática da homossexualidade está em voga hoje em dia. O tabu está a desaparecer e, acredito, caminhamos para uma sociedade mais aceitadora. Este livro é de uma honestidade incrível. A história de dois rapazes com o mesmo nome rapidamente nos coloca num mundo de crescimento. De autoconhecimento e aceitação própria. Porque se fossemos todos iguais, o mundo não tinha piada.
Literariamente, estamos conversados.

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