Edição 769
Isabel Loureiro eleita presidente da Assembleia de Bougado
Isabel Loureiro substituiu Vítor Martins na presidência da Assembleia de Freguesia de Bougado.
Isabel Loureiro substituiu Vítor Martins na presidência da Assembleia de Freguesia de Bougado. A eleição da nova presidente do órgão deliberativo, eleito pela coligação Unidos Pela Trofa (PSD/CDS-PP), realizou-se na sessão ordinária de 30 de junho, ainda com a nuvem negra do cancelamento repentino da assembleia extraordinária a pairar. Certo é que o assunto Vítor Martins continua a ser tabu nas hostes da coligação, em Bougado.
Após cancelar, repentinamente, em abril, a sessão extraordinária convocada para votar a desagregação das freguesias, o presidente da Assembleia de Freguesia de Bougado, Vítor Martins, renunciou ao mandato. Havia necessidade de compor a mesa e na sessão ordinária de 30 de junho os eleitos pela coligação Unidos Pela Trofa propuseram uma lista, com Isabel Loureiro à cabeça e com António Ferreira e Helena Marques como secretários.
A composição da mesa foi aprovada e, apesar de a votação ser secreta, os eleitos do PS revelaram o sentido de voto, que, ao contrário da tomada de posse pós-eleições, não foi a aprovação, mas o voto em branco.
“Efetivamente, o trabalho do professor Vítor Martins era reconhecido. Este é o meu primeiro mandato, mas o que me testemunharam os meus colegas de bancada foi que ele exerceu as suas funções com grande categoria, pelo que esperamos que a nova presidente eleita faça um trabalho à imagem do que foi demonstrado pelo professor Vítor Martins”, referiu João Teixeira da Cruz, eleito socialista.
O assunto da assembleia extraordinária, marcada para 13 de abril para votar a desagregação das freguesias de Santiago e S. Martinho de Bougado, mas cancelada momentos antes da hora de início da sessão, mantém-se um tabu entre os eleitos da coligação Unidos pela Trofa. O PS solicitou a leitura da carta de renúncia de Vítor Martins, pedido que não foi acedido com a justificação de Isabel Loureiro de que não se encontrava na posse da missiva, demonstrando abertura para “disponibilizá-la na sede da Junta (de Freguesia)”.
Já Luís Paulo, presidente da Junta, escusou-se a dar grandes esclarecimentos sobre os contornos do cancelamento da assembleia extraordinária. “Todos perdemos com a saída do Vítor, mas a democracia tem soluções e tanto tem que aqui temos uma. As pessoas passam e as instituições ficam. Eu tenho as mensagens relevantes do Vítor, mas não as vou dar nesta assembleia, porque acho que não devo. O Vítor é humanista, é um homem com h grande. Mais para a frente, voltarei a falar sobre este assunto”, referiu o autarca.
No período de intervenção do público, em resposta a Daniel Lourenço, que exigiu uma explicação sobre o cancelamento repentino da assembleia extraordinária, Luís Paulo, praticamente, chutou para canto, referindo apenas que “não correu tudo bem” e reiterando os elogios feito ao ex-presidente da assembleia.
A assembleia cancelada
Na noite de 13 de abril, membros da assembleia de freguesia e populares deram com o “nariz na porta” do auditório polo de Santiago da Junta de Freguesia, onde estava agendada uma sessão extraordinária, convocada após “unanimidade dos membros do órgão deliberativo da freguesia”, para “apreciação e votação para a desagregação da freguesia, no âmbito do Regime Especial, Simplificado e Transitório”.
No lugar da porta aberta, as pessoas encontraram-na fechada e com um edital afixado, datado daquele dia, no qual o então presidente da Assembleia comunicava o “cancelamento da sessão extraordinária”. No documento, Vítor Martins justificava a decisão com “os elevados pedidos de substituição recebidos pela Mesa da Assembleia, muitos deles recebidos em cima da hora”, tornando “incompatível garantir as substituição dos membros”. “Aliado a este constrangimento”, acrescentou, “a falta de alguma documentação necessária para a instrução da proposta”.
No mesmo documento não foi apresentada qualquer nova data para a realização da sessão da assembleia que irá discutir este processo, que, recorde-se, começou por iniciativa de um movimento cívico, com elementos ligados ao PSD, CDS-PP, PS e CDU.
O silêncio foi o que se seguiu até à reação de Vítor Martins, a 18 de abril, quando, num email aos eleitos da Assembleia de Freguesia, dava conta da renúncia ao mandato, na altura, justificada ao NT com “motivos pessoais”.
No dia seguinte ao cancelamento da assembleia de freguesia, a concelhia do Partido Socialista anunciou que vai apresentar “queixa” a “todas as instâncias próprias” pelo cancelamento da sessão, “a pouco mais de uma hora”, sublinhando a atuação como “uma clara violação da lei”.


